"Conversas com Alumni" debateram fake news e os desafios da comunicação

As fake news e os desafios da comunicação estiveram em debate na última edição das “Conversas com Alumni”, que decorreram ontem no Anfiteatro II da Faculdade de Letras.

Organizada pelo Núcleo de Alumni e Mecenato da Divisão de Relações Externas e Internacionais, as “Conversas com Alumni” contaram com a participação de 130 alunos e antigos alunos da Faculdade, mas também de alunos de outras faculdades, com a colaboração dos cursos de licenciatura em Estudos de Cultura e Comunicação e de mestrado em Cultura e Comunicação da Faculdade de Letras.

Os antigos alunos José Manuel Mestre e Paula Mesquita Lopes, jornalistas na SIC e na SIC Notícias, e Rita Cipriano, jornalista no Observador, foram os convidados desta sessão, moderada pelos docentes Adelaide Meira Serras, Nelson Pinheiro e Silvia Frota.

O estado actual do jornalismo, nomeadamente o papel das fake news na distinção entre informação e não informação, foi uma das questões levantadas. José Manuel Mestre sublinhou que existem muitas pessoas “que acham que podem fazer o papel do jornalista, e isso é perigoso. Um jornalista não pode deixar de investigar, não se pode demitir da verdade”. Destacando a independência do jornalista enquanto profissional, o alumnus frisou também o gosto constante pelo conhecimento que todos os profissionais de jornalismo devem alimentar.

Para Rita Cipriano existe outro desafio: “as redações estão constantemente a rodar. Os jornalistas mais velhos também acabam por sair, e aí existe um problema com a qualidade do trabalho que se oferece”. Sobre a relação da sociedade com o jornalismo, a alumna não tem dúvidas que “as pessoas não estão interessadas em ler jornalismo de qualidade; com as redes sociais tudo se mistura e fica a questão sobre onde começa e onde acaba o jornalismo”.

A mesma ideia tem Paula Mesquita Lopes. Actualmente “há muita credulidade, e há uma iliteracia para distinguir o que é jornalismo do que não é jornalismo”. A jornalista ressalvou que, “o desafio da televisão, no meu caso da SIC Notícias, que é um rolo compressor, é a pressão da actualidade: os outros estão a dar, temos que dar! Há dificuldade em voltarmos a ser jornalistas, em reflectir sobre as coisas, nas opções que fazemos”.

A conjugação entre o tempo da actualidade e o tempo da ponderação, o confronto entre o rigor e o espectáculo, foram outros dos temas abordados. Os alumni focaram a importância da literacia mediática. Rita Cipriano exemplificou com o facto de nas redes sociais se “atacar o jornalismo, passando-se propositadamente informação errada sobre um dado órgão de comunicação social, para a existência de uma agenda própria”. O importante será distinguir, e para isso “precisamos urgentemente de ter literacia mediática, de saber, de aprender”, disse José Manuel Mestre.

A Academia pode ter, igualmente, um papel relevante na relação com o jornalismo. “O exemplo da COVID é óptimo: explicar, aprofundar, trazer a academia científica para o jornalismo foi essencial. Também agora com a Guerra Rússia-Ucrânia, quantos especialistas em relações internacionais têm sido essenciais na explicação”, afirmou Paula Mesquita Lopes. O conhecimento que a Academia traz sobre o trabalho dos jornalistas e sobre a área de jornalismo é importante, mas muitas vezes desaproveitado. José Manuel Mestre terminou a sessão destacando a oportunidade, quase sempre perdida, de se conseguir “discutir trabalhos de investigação sobre os média no seio das direcções de informação, nas redações”.

José Manuel Mestre é licenciado em História pela Faculdade de Letras (1983-1987). Trabalhou como jornalista em vários órgãos de comunicação social, da imprensa escrita à rádio, passando pela televisão. Foi jornalista na Rádio Comercial, jornal Record, RTP e jornal Expresso. Tem coberto profissionalmente diferentes áreas editoriais. A política é, há vários anos, a editoria em que trabalha na SIC e na SIC Notícias.

Paula Mesquita Lopes é licenciada em História pela Faculdade de Letras (1984-1988). Depois de um curso profissional de jornalismo na TSF, torna-se aí jornalista. Com passagens pela RDP, RTP - onde trabalhou nos programas "Maria Elisa" e "Grande Entrevista" de Judite Sousa -, chega à SIC em 1999. No canal esteve na equipa do programa "Esta Semana", de Margarida Marante e, no ano seguinte, integra a SIC Notícias, onde é actualmente coordenadora de informação.

Licenciada em Línguas, Literaturas e Culturas pela Faculdade de Letras (2010-2013) Rita Cipriano é actual aluna do Mestrado em Estudos Ingleses e Americanos. Na Faculdade fez parte do jornal Os Fazedores de Letras. No jornal digital Observador desde 2015, é jornalista na editoria de Cultura.

Texto e Fotografia: Tiago Artilheiro (FLUL-DREI, Núcleo de Alumni e Mecenato)