Década 00

José Mário Branco

Músico

mario branco

José Mário Monteiro Guedes Branco define-se como um "português, pequeno burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular e aprendiz de feiticeiro" ainda "muito mais vivo do que morto". Nasceu a 25 de Maio de 1942 no Porto e distinguiu-se como músico e compositor, atravessando géneros musicais desde a música de intervenção até à música popular portuguesa, sendo também activista político.

Músico de intervenção, José Mário Branco foi perseguido pela PIDE durante o Estado Novo e, consequentemente, teve de se exilar em França em 1963. Regressou a Portugal em 1974 e, após o 25 de Abril, fundou o Grupo de Acção Cultural – Vozes na Luta com vários músicos politicamente activos. Gravou dois álbuns com este colectivo e juntos participaram no Festival RTP da Canção em 1975 com o tema Alerta, vindo posteriormente a abandonar este projecto.

Durante os anos 70 e 80 editou vários discos, dos quais se destacam Margem de Certa Maneira (1973), Ser Solidário (1982) e, o mais emblemático, FMI (1982), que sublinha o movimento revolucionário português. Mais tarde viria a lançar um álbum em homenagem ao resistente povo timorense, intitulado Resistir é Vencer (2004).

Ao longo da carreira apresentou as suas composições em diversos espectáculos, entre os quais, Mudar de Vida (2007), inspirado no célebre verso de Camões “Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades” e Três Cantos (2009), onde partilhou o palco com Sérgio Godinho e Fausto. Trabalhou também, durante o seu percurso musical, com Zeca Afonso, Luís Represas e Camané, ora em participações em concertos ou álbuns, ora como responsável pelos arranjos musicais.

Tendo deixado incompleto um curso de História, na Universidade de Coimbra, José Mário Branco decide retomar a sua formação académica em 2006, ingressando, aos 64 anos, na Licenciatura em Linguística na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, sendo reconhecido como o melhor aluno do seu curso nesse ano.

Verdadeiro homem dos sete ofícios, José Mário Branco afirma-se não só como activista político, músico, compositor e poeta, mas também como cronista, actor e produtor musical. As suas canções revolucionárias e denunciadoras das dificuldades do povo continuam a adequar-se à realidade actual. A música foi sempre a sua arma, o modo de expressar as suas convicções no que dizia respeito ao Estado Novo, à guerra colonial, à prisão e ao exílio, assuntos que faziam parte, não só, da sua vida, mas também da sua geração.

A Feira do Livro do Porto escolheu José Mário Branco como figura a homenagear na sua edição de 2018.

Faleceu a 19 de Novembro de 2019.

Biografias Década 2000

moreira tocha goncalo peste mario branco5

Alexandra Moreira Carmo
Cantora

Gonçalo Tocha
Realizador, Editor e Músico 

João Peste
Músico

José Mário Branco
Músico

Gonçalo Tocha

Realizador, Editor, Músico e Professor

tocha goncalo

Nascido em Lisboa a 13 de Janeiro de 1979, mas com raízes açorianas, Gonçalo Tocha foi aluno de Língua e Cultura Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, curso que concluiu em 2002. Três anos antes, tinha já fundado o NuCiVo, ou Núcleo de Cinema e Vídeo, criado em colaboração com a Associação de Estudantes, onde trabalhou no âmbito da programação, edição e realização documental, vocacionada, sobretudo, para o activismo político. Foi também o organizador e o responsável pelo Workshop ‘’Oficina do Olhar’’, que decorreu de 2004 a 2006, na mesma Faculdade, inteiramente dedicado ao Vídeo Documental.

Por esta altura, Gonçalo Tocha tinha já concluído uma pós-graduação em Português como Língua Estrangeira (2003), também na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, chegando a exercer, pontualmente, como docente de Português para Estrangeiros.

Sócio e membro da Direcção do ABC-CineClube Lisboa desde 2001, onde prosseguiu as suas actividades de programador e produtor, e, desde 2004, membro da equipa do Incrível Club, um espaço cultural situado na antiga sala de Cinema de Almada, onde é responsável pela programação na área de Cinema e Vídeo.

Gonçalo Tocha foi mantendo contacto com o trabalho de diversos autores, devido aos múltiplos intercâmbios videográficos e cinematográficos, e em 2007, realiza a primeira longa-metragem da sua autoria, Balaou, uma homenagem cinematográfica à sua mãe que versa sobre uma “viagem para aceitar o esquecimento das coisas”, como o próprio dilucida em “Gonçalo Tocha em conversa com o realizador Paulo Viveiros”, 2007. Esta sua estreia foi distinguida com os prémios de Melhor Filme Português e Melhor Fotografia no IndieLisboa 2007, tendo sido ainda considerada, pela Variety, um dos melhores 20 filmes não estreados nos Estados Unidos.

Em 2011 lança o documentário É na Terra não é na Lua, que retrata a vida na ilha do Corvo. Esta segunda longa-metragem teve estreia mundial no Festival de Locarno e foi multiplamente distinguida: foi eleita o melhor documentário do 55º Festival Internacional de Cinema de São Francisco, nos Estados Unidos; recebeu o Golden Gate Award para Melhor Documentário em Longa-Metragem; e conquistou o Prémio de Melhor Filme na secção ‘Cinema do Futuro’, no Festival Internacional de Cinema Independente, em Buenos Aires. Recebeu ainda a menção especial do júri no Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça, e ganhou o Prémio para a Melhor Longa-Metragem no DocLisboa.

Em 2013, torna a lançar mais uma longa-metragem da sua autoria, A Mãe e o Mar, um documentário sobre as mulheres-arrais, ou ‘’pescadeiras’’, apresentado na 21.ª edição do Curtas Vila do Conde. A sua estreia além-fronteiras deu-se no Festival Internacional de Cinema de Roma seguindo-se, depois, o DocLisboa (2013).

Recebeu o prémio de Melhor Longa-Metragem na competição portuguesa, integrando a selecção do Festival de Cinema de Mar del Plata (Argentina), o Festival Internacional de Documentários em Copenhaga (Dinamarca), RIDM - o Festival Internacional de Documentários de Montreal (Canadá) e o Festival Internacional de Cinema de Roterdão (Holanda). Em Fevereiro de 2014, este seu trabalho foi escolhido para abrir a Quinzena de Documentários do MoMa – Museu de Arte Moderna, em Nova Iorque. Em 2014 foi ainda premiado por outro trabalho seu, The Trail of a Tale, que ganhou o 1.º lugar, na categoria de autores entre os 18 e os 35 anos, do Concurso Action4Climate, promovido pelo Banco Mundial.

Além de realizador e produtor, Gonçalo Tocha é músico, sendo membro fundador dos Lupanar, banda de música urbana portuguesa, e do duo Tochapestana. Para além dos seus projectos musicais, é também o responsável por algumas bandas sonoras para peças de teatro e espectáculos de dança, tendo sido igualmente o criador da banda original para o documentário de Pedro Sena Nunes, Elogio ao 1\2, filme inserido no ciclo “25 de Abril, Sempre - Parte II. A Distância das Coisas” (2014). Entre as várias actividades ligadas à produção e à realização audiovisual, destaca-se ainda a co-realização dos videoclipes da banda portuguesa Deolinda, somando, ainda, outras colaborações na área da música e do cinema até ao presente.

João Peste

Músico

peste

João Luís Peste Santos Guerreiro nasceu a 9 de Setembro de 1962 em Lisboa. Homem multifacetado, descreve-se como sociólogo, músico, cantor e DJ, sendo, indubitavelmente, mais reconhecido enquanto vocalista dos Pop Dell'Arte.

Em 1985, licencia-se em Sociologia pelo ISCTE e forma a banda Pop Dell'Arte que, pouco tempo depois, conquista o prémio de originalidade do 2º Concurso de Música Moderna do Rock Rendez-Vous, o que lhe valeu maior visibilidade não somente perante o público, mas também perante os críticos. No ano seguinte, João Peste cria Ama Romanta, a primeira editora portuguesa independente gerida exclusivamente por músicos, como consequência do seu descontentamento com a indústria discográfica. Do seu catálogo constam, para além de álbuns dos Pop Dell’Arte, trabalhos de outras bandas, destacando-se a colectânea Divergências, que reuniu nomes como Mler Ife Dada, Anamar e Essa Entente.

Os Pop Dell’Arte viriam a separar-se em 1989 e João Peste decide criar o projecto Acidoxi Bordel, juntando elementos da sua antiga banda com Jorge Ferraz. O EP João Peste & o Acidoxi Bordel sai em 1990, pela sua editora, incluindo temas como Groovy Noise-Dada Rock, Clio Software, Cocaine, Amigo e Distante Domingo. Ainda nesse ano, apresenta o espectáculo Alix Na Ilha dos Sonhos, que conta com Nuno Rebelo, dos Mler Ife Dada, no espaço da Secretaria de Estado da Cultura da Feira do Livro de Lisboa. O texto, da sua autoria, cruzou influências de Homero e Luciano com as habituais tendências pós-modernas e surrealistas da sua escrita.

Depois de um longo período de inactividade, os Pop Dell’Arte reuniram-se e lançaram um novo álbum, intitulado Contra Mundum, em 2010. No ano seguinte, João Peste desenvolve um projecto de Spoken Word, que levou a diversos pontos do país. Mais recentemente, João Peste volta a apostar na sua formação académica, concluindo, em 2012, a Licenciatura em História na Faculdade de Letras de Lisboa e iniciando, posteriormente, o Mestrado em História Antiga.

Alexandra Moreira do Carmo

Cantora

moreira

Alexandra Margarida Moreira do Carmo, mais conhecida por Xana, é uma cantora portuguesa que ganhou visibilidade como vocalista da icónica banda dos anos 80, Rádio Macau. Licenciada em Filosofia, iniciou os seus estudos na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 2004, tendo concluído o Doutoramento em Filosofia, em 2015, com uma tese intitulada Henri Maldiney, Vertigem da Existência e Arte Existencial.

Xana terá começado a cantar aos 14 anos, mas foi com cerca de 18 com a entrada na banda Rádio Macau, que atingiu a notoriedade. Após a gravação de uma maqueta com duas músicas e algumas sessões na Rádio Renascença, a banda assinou contrato com a editora EMI. Os Rádio Macau editam, em 1984, o seu primeiro álbum, homónimo, de que se destacam os sucessos Bom Dia Lisboa e Um dia Mais.

Durante a década de 80, a banda edita mais três discos com grande êxito: Spleen, Elevador da Glória e O Rapaz do Trapézio Voador. Em 1992, lança A Marca Amarela, que lhe vale o primeiro disco de prata. No entanto, um ano depois, a banda separa-se devido ao cansaço decorrente da exigência dos ensaios.

Xana decide, então, enveredar por uma carreira a solo, estreando-se com o álbum As Meninas Boas Vão para o Céu, as Más para Todo o Lado, em 1994. No ano seguinte, colabora na compilação de Natal Espanta Espíritos com o tema original Final Do Ano (Zero a Zero) e em 1998 lança o seu segundo álbum a solo Manual de Sobrevivência (NorteSul).

Pondo fim a um interregno de vários anos, os Rádio Macau reúnem-se em 1998 e participam no disco de homenagem aos Xutos & Pontapés em 1999 com uma versão de Morte Lenta. Regressam aos concertos e aos álbuns com Onde o Tempo Faz a Curva.

Após o lançamento de mais algumas compilações e reedições, editam os seus dois últimos álbuns Acordar (2003) e 8 (2008). Xana tem uma participação fulcral em todos os álbuns, marcando a sonoridade da banda com a sua voz distinta