“Despertei para o espectáculo na Faculdade”

O teatro, o cinema e a televisão fazem parte, há longos anos, do trajecto da actriz Cucha Carvalheiro. Ao FLUL Alumni recorda, porém, outro percurso, “o início de tudo”: a vida académica na FLUL.

Com o som dos ensaios em fundo e rodeados de adereços teatrais, falámos com a alumna e actriz “quase em palco” sobre o palco da sua vida, e a poucos dias de mais uma estreia.

Cá fora ouve-se barulho… Estamos no Fórum Dança, uma escola de artes situada no bairro da Penha de França, em Lisboa. Numa sala de ensaios mais de dez bailarinos apuram os passos, uns mais certos do que outros. No exterior, em frente a um computador, duas jovens vêem um vídeo de dança na rede Youtube, e rapidamente colocam em prática o que acabam de observar. Mas é noutra sala que vamos encontrar, já preparado, o cenário que dentro de poucos dias estará montado no Teatro S. Luiz, em Lisboa, para a peça “Encontrar o Sol”.

Cucha Carvalheiro, alumna de Filosofia da FLUL, faz parte do elenco e chega à hora marcada. Já não se lembrava que a entrevista seria gravada em vídeo, e por isso retira rapidamente os óculos para evitar os reflexos da luz da sala nas lentes. Nota-se, claramente, que está habituada “aos pormenores”, como lhe chama.

Fazemos uma volta pelo cenário minimalista de “Encontrar o Sol”, do dramaturgo Edward Albee, numa encenação portuguesa de Ricardo Neves Neves. “Estas são as espreguiçadeiras que farão parte do cenário de praia onde decorre a acção”, explica Cucha Carvalheiro. “Mensagem! Nesta peça é a mensagem que é o mais importante… Importa reflectir”. Estava dada a deixa perfeita para falarmos sobre o percurso académico da alumna na FLUL.

Cucha Carvalheiro entra na Faculdade na década de 70. Tempos importantes e definidores da História de Portugal e “da minha história”, revela a actriz e encenadora. Também escritora… Mas lá chegaremos.

Memórias da FLUL num tempo conturbado... É sobre isso que Cucha Carvalheiro prefere falar.

Professores de um curso de Filosofia que ainda hoje reconhece ter-lhe ensinado muito. Mas porquê Filosofia? A resposta começa com… riso. 

Cucha Carvalheiro recorda o que aprendeu. Lembra espaços e dias perdidos na memória, que a nossa conversa ajuda a reavivar. E bem vivo está também o resultado da formação académica na FLUL para o seu dia-a-dia, profissional e pessoal.

Um curso feito na FLUL, ao mesmo tempo que desperta para o teatro. Foi na Faculdade que tudo começou. O “clique” tinha-se dado no liceu. Porém, é durante a vida académica que ocorre o chamamento dos palcos. Cucha Carvalheiro andava em Letras, mas foi em frente, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa que encontrou o grupo de teatro que a faria entrar no meio artístico. Ao FLUL Alumni conta essa experiência.

Foi assim que tudo começou, com a FLUL a servir de “trampolim” para muito daquele que viria a ser o percurso profissional da actriz. Não gosta de falar em carreira. Em “Portugal não há carreiras”. Prefere falar de “percurso, em vida, em momentos que ficam”.

“E se recordar é bom, viver foi ainda melhor”, termina.

Reportagem: Tiago Artilheiro | Imagem e Edição: Yuri Sepúlveda