“Quando estou na FLUL, sinto-me em casa!”

Com um percurso académico feito integralmente na FLUL, João Couvaneiro regressou à Faculdade para reviver memórias. Recordou momentos, contou estórias e partilhou vivências. Uma conversa com vista para a história da FLUL, que faz parte da história deste alumnus.

Chega pouco depois da hora que marcámos. Ponto de encontro: a Biblioteca da FLUL. A Biblioteca nova, como João Couvaneiro lhe chama, porque quando cá entrou pela primeira vez em 1994 para fazer a licenciatura em História, a “Biblioteca era outra e a vista também”, recorda o alumnus logo ao chegar.

Entrevista: Tiago Artilheiro       |       Imagem e Edição: Yuri Sepúlveda

Professor de História num colégio em Sintra, João Couvaneiro foi assessor do Secretário de Estado da Educação para a área de educação e formação de jovens adultos. No início deste ano foi, também, nomeado como vogal do conselho directivo da Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional.

Um trajecto profissional que se segue a um percurso académico feito na área da História, sempre na FLUL. Mas a história não esteve sempre no horizonte. “Longe disso: estive para ser contabilista”, conta ao FLUL Alumni. O ponto de viragem acontece ainda no ensino secundário: “o meu primeiro trabalho foi no Palácio da Pena, em Sintra, quando criei aos 18 anos uma empresa de animação cultural e serviços educativos”.

A hipótese “História” aparece nessa altura: “queria transmitir o conhecimento histórico, fosse em aulas ou através da valorização de certos espaços”. O alumnus João Couvaneiro chega à FLUL em 1994, depois de iniciar formação noutra faculdade, e licencia-se em 1996. Obtém o Mestrado em 2002 e, mais recentemente, o Doutoramento em História Contemporânea em 2012.

Ao FLUL Alumni explica que as aulas na Faculdade ficar-lhe-ão para sempre gravadas e os conhecimentos transmitidos também, entre eles um dos que mais defende: “não se deve deixar a comunicação da história entregue apenas à escola ou à televisão. Deve-se perceber que temos espaços extraordinários que permitem aprendizagens diversas”.

Em 1994 o espaço da FLUL era outro, recorda. “Das melhores memórias? A Biblioteca! Aquela, que tinha uma janela com uma vista incrível sobre a Alameda da Universidade, e onde todos queriam conseguir o melhor lugar para se sentar”. “Aqui (aponta para os corredores da actual Biblioteca), também vale a pena!”.

O alumnus olha em redor… Este é um espaço que também conhece bem, percebe-se desde logo. Afinal, foi aqui que passou longas horas durante a investigação para a tese de doutoramento sobre a criação do “Curso Superior de Letras”.

Na FLUL, a integração na vida académica foi total, nos saudosos tempos da “Lista E”, da qual fez parte.

Com uma passagem duradoura pelo Grupo de Teatro de Letras (GTL), o alumnus João Couvaneiro lembra os tempos de “entrega profissional, com ensaios diários de quatro horas, e a exigência do encenador José Manuel de Ávila. Era teatro levado muito a sério!”. Chega a olhar para janela para se concentrar e lembrar muitos daqueles que começaram ou passaram por lá: Joaquim Horta, Pedro Carmo, Pedro Cal,… e a lista continuou.

Experiências que lhe permitiram conhecer e viver todos os espaços da FLUL, onde inclui a antiga Biblioteca, as salas de aula, mas não só.

No regresso à FLUL, o antigo aluno, que fez parte da lista dos 50 melhores professores do mundo que se destacaram na profissão, conta que nunca deixou morrer o gosto pela FLUL.

E as memórias, essas, estão “mais vivas do que nunca”.