Peça de teatro de Vitorino Nemésio volta a ser publicada 100 anos depois

A única peça de teatro conhecida de Vitorino Nemésio, Amor de Nunca Mais, volta a ser publicada, 100 anos depois de ter sido escrita, no segundo volume da Obra Completa de Vitorino Nemésio, editado pela Imprensa Nacional em parceria com a editora Companhia das Ilhas.

vitorinonemesiodhcVitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva (1901-1978) foi poeta, romancista e professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, instituição onde leccionou Literatura Portuguesa, Literatura Brasileira e História da Cultura Portuguesa, depois de se ter licenciado em Filologia Românica. Foi Director da Faculdade entre 1956 e 1958, e dirigiu o Instituto de Estudos Brasileiros da instituição.

A peça Amor de Nunca Mais foi publicada pela primeira vez em 1920, em Angra do Heroísmo, tinha então o poeta 19 anos, e foi levada à cena em Março desse ano pela companhia do Teatro S. Luiz, que se encontrava em digressão nos Açores. Desde essa data, não há registo de novas edições ou representações da peça, um texto que o próprio autor não incluiu na sua bibliografia.

vitorinonemesiohcA peça segue o modelo do teatro grego, obedecendo aos critérios clássicos de unidade do tempo, espaço e acção, com quatro personagens. Conta a história de Jorge, um intelectual burguês que está noivo de Laura, e que confidencia ao amigo Luís a sua história de amor proibido e secreto com Clarisse; Luís censura-lhe o comportamento irresponsável até que chega Clarisse… Os dois amantes começam uma longa conversa, que irá terminar com o afastamento de ambos. 

Este segundo volume da Obra Completa de Vitorino Nemésio inclui também os livros de contos Paço do Milhafre e O Mistério do Paço do Milhafre, o primeiro publicado em 1924 e o segundo em 1949.

A publicação da Obra Completa de Vitorino Nemésio foi iniciada no ano passado, com a edição do primeiro dos quatro livros de poesia do autor. O volume que abriu a série reúne a poesia editada desde 1916 a 1940.

Autor distinguido com o "Prémio Nacional de Literatura" em 1965 e o "Prémio Montaigne" em 1974, Vitorino Nemésio levou a cultura a muitos lares portugueses, na década de 1970, com o programa televisivo Se bem me lembro, que apresentou na RTP entre 1970 e 1975.

Texto: Tiago Artilheiro (FLUL-DRE, Núcleo de Imagem, Comunicação e Relações Externas)    

Fotografia: Arquivo FLUL/ Direitos Reservados

 

Nota: Acompanham este artigo duas fotografias inéditas de Vitorino Nemésio na FLUL, durante o Doutoramento Honoris Causa do Professor Rámon Menéndez Pidal, Professor da Faculdade de Letras da Universidade Complutense de Madrid, que decorreu a 10 de Setembro de 1957.