FLUL Alumni pelo Mundo: Antiga aluna é intérprete de conferência no Parlamento Europeu

O FLUL Alumni pelo Mundo foi até à Bélgica ao encontro da antiga aluna Ana Sofia Martins. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela FLUL na década de 90. Ana Sofia Martins é, actualmente, intérprete de conferência no Parlamento Europeu. Como é a vida nas cabines de interpretação das instituições europeias? Como se prepara um intérprete de conferência? As respostas pela antiga aluna da FLUL, em discurso directo.

 

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Ana Sofia Martins | Línguas e Literaturas Modernas - Francês e Inglês | Ano de conclusão: 1996

 

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"Tive o grande prazer de frequentar a FLUL entre 1992 e 1996. Foram quatro anos exigentes, mas em que muito aprendi e construí. Foi na Faculdade que adquiri grande parte da bagagem cultural necessária para a profissão que hoje exerço, intérprete de conferência.

Após a conclusão do curso, ainda trabalhei um ano numa empresa farmacêutica, onde coordenava os contactos internacionais. Porém, a vontade de aprender mais, levou-me a fazer uma pós-graduação em Interpretação de Conferência na Universidade do Minho. Foi aí que desenvolvi os instrumentos práticos para poder interpretar em consecutiva e simultânea.

Comecei a trabalhar na cabina portuguesa do Parlamento Europeu em 1999 e mudei-me definitivamente para Bruxelas em 2000. A adaptação não foi fácil, mas hoje gosto muito da cidade e de tudo o que esta tem para oferecer. E, sobretudo, gosto muito do meu trabalho, um desafio constante.

sofia2Numa semana tradicional, faço interpretação simultânea para deputados portugueses no Parlamento Europeu nas várias comissões parlamentares e grupos políticos, trabalhando do francês, inglês, espanhol e polaco para português. O trabalho começa muito antes de entrar na cabina. É preciso preparar todas as reuniões, procurando o maior número de documentos e informações possíveis sobre os temas que serão tratados. Depois, vem a leitura e a procura dos termos certos em todas as minhas línguas de trabalho. E, mesmo assim, há sempre um nervoso miudinho quando se liga o microfone, a maior parte das intervenções são espontâneas e inesperadas. Os assuntos tratados mudam todos os dias: na segunda tenho que ser perita em pescas, na terça em assuntos económicos, na quarta em energias renováveis, etc.

Por detrás do trabalho em cabina, está também toda uma preparação constante de actualidade política, económica e social. Não se pode interpretar no Parlamento Europeu sem se ler todos os dias as notícias dos países das nossas línguas, nunca se sabe quando vão ser feitas referências a acontecimentos recentes, a nomes ou a locais. E temos que estar regularmente informados sobre o que se passa no mundo inteiro, faz parte da natureza do trabalho de uma instância política.

É, de facto, um trabalho muito exigente. Mas é, sobretudo, um trabalho muito gratificante. É uma satisfação pensar que todos os dias somos mediadores na comunicação entre políticos de diferentes nacionalidades e que as decisões europeias passam, também, pelas nossas vozes."

Fotografia: Ana Sofia Martins/ Direitos Reservados

Nota: Este texto reflecte a posição pessoal da sua autora e não do Parlamento Europeu enquanto instituição.

  

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