Nova revista internacional de artes e cultura tem cunho de alumnus da FLUL

A primeira edição da FITA Magazine ainda não chegou ao mercado, mas Francisco Teles da Gama, antigo aluno de Licenciatura e Mestrado em História da FLUL, revela em entrevista o que vamos poder encontrar neste novo projecto editorial.

Integrada na plataforma digital Friends In The Arts (FITA), o editor-chefe desta publicação bianual e em língua inglesa garante: “o público vai ficar espantado com os artigos e criações artísticas que serão publicados neste primeiro número da FITA Magazine que sai em Abril”.

Entrevista: Tiago Artilheiro (FLUL-DREI, Núcleo de Alumni e Mecenato)       |       Fotografia: Direitos Reservados 

 

pequenoQue plataforma é a Friends In The Arts (FITA)? São vários os serviços que disponibilizam. 

Francisco Teles da Gama (FTG):  Lançada em Outubro 2020, a FITA é uma plataforma digital que facilita a procura de oportunidades de emprego, estágios, open calls, fellowships, residências, bolsas, prémios, workshops e conferências para uma comunidade internacional no mundo das artes e da cultura. Actualmente, a FITA disponibiliza três tipos de serviço: um Catálogo de Emprego, que dá acesso a oportunidades de trabalho exclusivas para os que procuram um lugar no mundo das artes, desde artistas, curadores, designers, até produtores ou arquitectos, a nível nacional e internacional, através de subscrição mensal ou anual; um Serviço de Apoio a Candidaturas, baseado na construção ou adaptação de Curriculum Vitae, portefólio e cartas de motivação às necessidades de cada pessoa, ajudando-a a destacar-se nas respectivas vagas; e por fim, Conversas Personalizadas, que costitui o serviço de mentoria individualizado, com entrevistas sobre o plano de carreira, que procura dar orientações claras e importantes sobre o caminho e objectivos da vida profissional.

pequenoComo surgiu a ideia de criar a FITA?

FTG: A ideia surgiu de Francisca Gigante, curadora e programadora cultural que, após ter trabalhado em entidades culturais de renome nacional e internacional, como a Colecção Peggy Guggenheim (Veneza), a Bienal de Veneza e o MAAT (Lisboa), reconheceu uma frequente inacessibilidade do meio artístico, falta de democratização da área e de formação e qualidade nas condições de trabalho.

pequenoA plataforma quer marcar pela diferença.

FTG: A FITA tem como principais objectivos de Impacto Social: a promoção do crescimento económico sustentado, através do emprego pleno e produtivo e trabalho digno para todos, facilitando a procura a todos os indivíduos no mundo da cultura; a construcção de uma infraestrutura resiliente aplicada às artes, fomentando a inovação comunitária e o acesso igual à informação; e o reforço das parcerias globais para um desenvolvimento sustentável através da cooperação entre organizações culturais públicas, público-privadas e da sociedade civil nacional e internacional.

pequenoFez a sua formação na FLUL: Licenciatura e Mestrado em História. Porque se juntou ao projecto?

FTG: Desde o Mestrado em História, concluído na FLUL, que tenho vindo a trabalhar em vários museus e monumentos portugueses. Em todos os locais por onde passei foi notória a dificuldade em encontrar um emprego estável e que assegurasse o futuro de todos. Por essa razão, fiz parte de vários projectos para divulgar a cultura e as artes em Portugal. Em 2015 fundei com dois amigos da FLUL o Atelier24, juntando espaços culturais com jovens artistas à procura de se afirmarem em Portugal. Agora também coordeno eventos culturais para a Rede Cultura 2027, como o Colóquio de Jovens Investigadores – O Património Cultural Europeu na Rede Cultura 2027, sendo a divulgação da Arte e da História um dos grandes propósitos na minha vida. Para além disso, escrevo ficção e poesia, não podendo esquecer a árdua tarefa que é encontrar uma editora e alguém que possa espalhar as nossas palavras e ideias. Logo que a FITA surgiu no horizonte, houve em mim a vontade de fazer parte desta revolução do emprego nas artes e cultura. A perspectiva de democratizar o trabalho artístico foi o que me levou a juntar a esta plataforma tão inovadora. Passado pouco tempo de ter começado a colaborar, escrevi o The Venice Doors Tale, que conta uma história possível para a fundação da FITA, com o fabuloso e feérico cenário de Veneza como pano de fundo. Em Janeiro demos largas à nossa antiga ideia de fundar uma revista artística e cultural, que espelhasse o melhor que se produz mundo. A FITA é o lugar ideal para ajudar jovens prodígios a deixar a sua marca e a fazerem a diferença neste ambiente tão competitivo.

pequenoFalou neste novo projecto: a revista FITA. Como é que o define e apresenta?

FTG: A FITA Magazine é uma publicação internacional bianual que pretende promover artistas, curadores e investigadores de todas as idades e nacionalidades, por isso mesmo, é escrita exclusivamente em inglês. Não existem barreiras nem limites para participar, a paixão pela cultura e a criatividade reinam nas páginas da revista. A universalidade da arte convida à criação de um espaço que abarque todas as suas facetas, que hoje em dia já são mais de dez. Será publicada em formato físico, com uma extensão de mais de cem páginas. A defesa do livro como objecto artístico é algo que merece a nossa máxima atenção. A idealização deste periódico só faz sentido para nós se for uma obra-prima estética, com recurso ao melhor design e materiais. Todas as edições da FITA Magazine serão subordinadas a um tema que traga inspiração aos escritórios e ateliers dos mestres. O primeiro volume intitula-se Invisible Atlas, numa homenagem a Veneza e às obras As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino, e Atlas, de Jorge Luis Borges, que nos relatam a paixão por aquela cidade. A Arte é um mapa sem fronteiras, universal e à espera de um novo criador todos os dias, para poder ser livre. A FITA Magazine é uma confluência de jovens talentos e de artistas consagrados, numa conversa e troca de ideias que nos enriquece a todos.

 

pequenoÉ o editor-chefe desta nova revista.

FTG: Eu desempenho a função de Editor-chefe, acompanhado pela Francisca Gigante. Defino o tema de cada volume e com quem devemos falar para entrevistas e artigos. Também estou encarregado de lançar as bases para o Open Call, a fim de encontrar propostas desafiantes de artistas dos quatro cantos da Terra. Mas todas estas actividades são partilhadas com a Francisca, que dirige a plataforma. A concertação da FITA Magazine com a casa mãe é algo muito importante, porque queremos que a voz da comunidade fale mais alto e a revista é a possibilidade de isso acontecer. Temos uma equipa de redacção jovem e com vasta experiência ao nosso lado. A Diana Maria d´Orey e a Francisca Nunes são as talentosas designers, a Catarina Correia Neves e o jornalista Ricardo Ramos Gonçalves, são os criativos redactores que contribuem com artigos e entrevistas, ajudando ao desenvolvimento da revista.

pequenoAbriram recentemente um Open Call. Como está a ser a adesão à submissão de artigos?

FTG: Quando abrimos o Open Call, no inicio de Fevereiro, não estávamos à espera do elevado número de submissões que iriamos receber. A procura por um espaço livre de amarras, que dê voz a um grupo numeroso de jovens talentos, e a falta de oportunidades no mundo editorial, cria as condições ideias para descobrir novos portentos artísticos, que há muito estavam esquecidos. As propostas de artigos, obras de arte, poemas, investigações e muitas mais expressões culturais chegaram-nos de destinos tão diferentes como a Grécia ou os Estados Unidos da América. Foi fascinante ler e vislumbrar tudo o que recebíamos e agora poder partilhar com todos o papel marcante de inúmeros vultos da arte internacional.

pequenoA selecção dos artigos envolve a participação de toda a equipa.

FTG: Depois do prazo de candidaturas ter fechado, a nossa equipa lê e avalia tudo o que nos chegou. Importa lembrar que todos os membros da redacção destacaram-se na sua área de especialidade, como a História, a Curadoria, as Artes Plásticas, o Jornalismo, entre outras. Desta forma, conseguimos complementarmo-nos e encontrar a concórdia. Penso que o público vai ficar espantado com os artigos e criações artísticas que serão publicados neste primeiro número da FITA Magazine que sai em Abril.

pequenoNo primeiro número da revista, para o qual já pode ser feita pré-reserva, o que vamos encontrar?

FTG: Nesta edição podemos encontrar testemunhos da Escultura, da Literatura, do Teatro, da Música, da Pintura, da História, da Curadoria e muito mais. Entrevistámos o escritor Alberto Manguel, que nos conta a sua paixão por Veneza e a forma como o livro nos transporta para outros destinos e paisagens. Falámos com o músico Nick Waterhouse sobre o seu novo álbum e o papel da Literatura e da História na sua inspiração para compor e escrever canções. Conhecemos mais sobre o programa de estágios da Colecção Peggy Guggenheim (Veneza), que nos concederam uma entrevista. Conversámos com o autor Amor Towles, apaixonado pelo passado, contando-nos os ecos dos anos 20 e 30 presentes suas obras. A curadora Francisca Gigante publica um artigo cientifico sobre o nacionalismo e o internacionalismo nas exposições da Bienal de Veneza e da Documenta, em Kassel. Um artigo do poeta José Bernardo da Fonseca, antigo aluno da FLUL, que nos relata a sua visão do mundo editorial e lança as bases para o aperfeiçoar. O testemunho das criações artísticas do espanhol Miguel Gonzalez Diez. Mas os conteúdos são tão vastos e diversificados que seria impossível falar de todos, apenas digo que será o revelar de um mar de possibilidades para quem os ler.