Alice Vieira

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"Sou Alice Vieira (Alice Vassalo Pereira, nos tempos da Faculdade), jornalista, escritora. Fiz o curso de Filologia Germânica entre 1961-1964; em 1965 apresentei a tese de licenciatura (um trabalho sobre o teatro de Ibsen e Bernard Shaw). Devo dizer que entrei para a Faculdade sem grande entusiasmo. Não queria ser professora (e nunca fui!), aquilo que queria ser era jornalista— mas nessa altura nem se sonhava que o jornalismo se pudesse ensinar numa universidade… Eu já trabalhava no "Diário de Lisboa" e, para que as velhas tias com quem vivia me deixassem entrar "de cabeça" no jornalismo (que era profissão muito pouco considerada…) tive de entrar num compromisso: eu ia para a Faculdade, elas deixavam-me trabalhar no "DL". E foi assim.

Na Faculdade tive dois professores que me marcaram para a vida toda: David Mourão Ferreira, de quem me tornei amiga até à sua morte: as suas aulas práticas de Teoria da Literatura ficaram sempre uma referência para todos os que foram seus alunos; e Joaquim Monteiro Grillo (o poeta Tomás Kim) que morreu no ano seguinte a ser meu professor de Cultura Americana, que nos fez entender que a cultura americana era muito mais do que cowboys e pradarias…. Ser poeta faz toda a diferença… Mas o que mais me marcou foi a Crise Académica (logo no ano da minha chegada!) em que participei activamente, e que me fez aprender muita coisa, entre elas o peso da censura no jornal: eu a acabar de ver os polícias a subirem a alameda, a baterem nos estudantes, a levá-los presos, a greve às aulas a estender-se por meses— e depois ver a notícia que obrigatoriamente saía em todos os jornais, "reina a calma em todas as universidades do país"; e aquele local de discussão que era… o famoso Bar de Letras. Acho que aprendi muito mais aí do que na maioria das aulas…

Já saí da universidade há largos (larguíssimos…) anos! E nunca voltei a ter qualquer tipo de relação com ela (a não ser o facto de a minha filha também lá ter estudado…) Fui sempre jornalista (Diário de Lisboa, Diário Popular, Récord, Diário de Notícias, Jornal de Notícias, etc…) Reformei-me há um ano— mas continuo a trabalhar na revista juvenil "Audácia" (que pertence aos Missionários Combonianos, com quem trabalho há mais de 10 anos) e no "Jornal de Mafra" (on-line). A partir de 1979, comecei a escrever livros.

Tudo o que seja para reavivar a memória— quando parece que as pessoas deixaram de ter memória… - é sempre de aplaudir e de incentivar. Por isso este projecto me parece tão interessante."

Licenciatura em Filologia Germânica

Ano de conclusão: 1964

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