José Pinto de Lima

jose pinto de lima

"O meu nome é José Pinto de Lima, entrei para a Faculdade de Letras em Outubro de 1969 e estudei até ao fim do ano lectivo de 73/74, na licenciatura de cinco anos de Filologia Germânica. O meu último ano envolveu o 25 de Abril.

A Flul contribuiu imenso para mim a nível pessoal e profissional. Entrei no ano lectivo de 77/78 como assistente, para leccionar Linguística Alemã e Introdução à Linguística, sendo a Linguística a área que mais me interessa. A licenciatura foi importante não só porque me deu a base das duas línguas (inglês e alemão) e das suas culturas, mas também porque funcionou como uma introdução à Linguística.

Depois de ter entrado na FLUL como assistente seguiu-se um período de preparação para o Doutoramento. Apresentei o meu doutoramento em Linguística Geral no ano de 1989, apesar de as provas terem sido em 1990. Estive como assistente até ao ano de 1990, depois fui contratado como professor auxiliar, funções que desempenhei até 2003. Nesse ano, através de um concurso, passei para professor associado. Sempre leccionei Linguística: Introdução à Linguística, Linguística Alemã (cadeira anual com quatro níveis) e também vários Seminários em vários Mestrados, a convite do Departamento de Linguística Geral e Românica.

Em 2005, passei também a leccionar Teoria da Comunicação e tenho colaborado com o Mestrado desse curso. Tenho também dado a assistência necessária à Linguística Alemã e à Introdução à Linguística, que são cadeiras que gosto imenso de dar. Acho que a ideia do Projecto Alumni é muitissímo boa. A memória é algo que deve ser estimado. Se calhar hoje em dia as pessoas têm algum défice de preocupação com o registo do passado recente. Seria bom não ficarmos apenas por aquilo que está escrito de algumas décadas e passar também a outros tipos de registo, como testemunhos orais, por exemplo.

Recordo em 1970 uma conferência de Roman Jakobson que decorria no Anfiteatro I, que estava completamente cheio, algo que hoje em dia é difícil verificar-se. É bom que os alunos tenham consciência que esta se trata de uma casa por onde passaram grandes nomes da cultura e do pensamento.

Até ao 25 de Abril existiam imensas restrições, até em certas cadeiras cujos conteúdos programáticos de certos autores não eram incluídos, pois estes não eram bem vistos pelo regime.

Até 1975 não existiam fotocópias na FLUL. Durante todo o meu curso o estudo era feito à base de apontamentos nas aulas. Existiam as sebentas, facultadas por alunos que se disponibilizavam a tirar apontamentos, que eram depois passados à máquina de escrever e posteriormente eram passados a Stencil, que reproduzia diversos exemplares, mas com uma impressão não muito boa. Para além disto havia o recurso à biblioteca, onde se estava sentado a ler e a tirar mais apontamentos. Não havia internet e, como tal, não era possível consultar nada online. As condições de trabalho eram completamente diferentes.

Na Faculdade antes do 25 de Abril existia uma repressão policial e política, principalmente na altura em que fazíamos greves. Havia reuniões de alunos (a Associação de Estudantes não era reconhecida), que ocorriam frequentemente e resultam nessas greves.

Perto do fim do regime, talvez por se sentir abalado, a repressão policial foi reforçada. Na FLUL haviam vigilantes, que tinham como missão evitar as reuniões e actividades democráticas. Era uma situação tensa, com professores a serem vigiados nas próprias aulas. A oposição que havia por parte dos alunos era maioritariamente feminina, pois havia mais mulheres e os homens estavam em grande parte na tropa. Mas ambos os sexos eram, na sua maioria, contra o regime. A progressão académica por parte dos professores era complicada, pois existia um Conselho, constituído essencialmente por apoiantes do regime."

Licenciatura em Filologia Germânica

Ano de conclusão: 1974

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