Ana Bacalhau

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''O meu nome é Ana Bacalhau e fui aluna da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa entre 1996 e 2000/2001. Ainda eram os antigos cursos. Fiz quatro anos de Licenciatura e depois decidi fazer o quinto e o sexto ano de estágio profissional, mas acabei por só fazer o quinto e não o estágio para dar aulas. Hoje em dia sou cantora, nos Deolinda e estudar aqui na Faculdade de Letras ajudou-me imenso.

O que eu sinto é que o curso que tirei aqui na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, os anos que aqui estudei, prepararam-me não só para dar aulas, mas prepararam-me também como pessoa, formaram-me como ser humano, como cidadã, ajudaram-me a criar o meu próprio pensamento, o pensamento crítico, ou seja, com este saber, que não é um saber com vendas, mas um saber que está aberto ao mundo, eu consegui adaptar-me, mesmo a trabalhar em áreas que não eram a minha área. No entanto, eu sentir-me-ia muito feliz se tivesse trabalhado na minha área.

Depois fui tirar uma Pós-Graduação em Arquivo para poder tentar ainda alguma saída na minha área, ao mesmo tempo em que, em paralelo, ia tendo os meus projectos de Música. A minha primeira banda chamava-se Lupanar e foi começada por ''três cabecitas'' que para aqui estudavam na Faculdade de Letras. Eu, o Gonçalo Tocha e Dídio Pestana. Conhecemo-nos aqui e formámos a banda. Ainda tocámos ali na Aula Magna. Foi um acontecimento muito importante porque o meu curso na altura era de Línguas e Literaturas Modernas - Português e Inglês, e eu na altura cantava, basicamente, em inglês. Gostava muito de Jazz e de Rock. E com Lupanar ensinaram-me a cantar em português, que é um bocadinho diferente. De facto, posso dizer que o meu percurso musical começou aqui, na Faculdade de Letras, até já antes dos Lupanar. Existiam as festas no Bar Novo onde havia sempre karaoke, mas nunca tinham as músicas que eu gostava. Então, a única forma de me porem a cantar, era cantando “a capella”. E foi assim que comecei a cantar em público.

As minhas amizades mais fortes são, provavelmente, aqui da Faculdade de Letras, e juntamo-nos para falar desses tempos, tempos muito, muito felizes para nós. Para mim, são tempos que fazem parte de quem eu sou e de tudo o que faço hoje em dia. Fui mesmo muito feliz na Faculdade de Letras. Aprendi muitas coisas, não só sobre Literatura mas também sobre a vida, sobre cantar. Guardo também na memória os meus professores, que vou encontrando pelo Facebook. E é muito bom ter e manter essa relação. De vez em quando venho cá matar saudades.

Estou ligada ao Núcleo de Rádio, onde tenho um programa com uma amiga. Participei activamente na Associação de Estudantes, nos Fazedores de Letras. Acho tudo isso bastante importante, pois a vida faz-se de redes, e é importante sentir que pertencemos a um grupo, o grupo da humanidade e, depois, dentro deste grupo maior, temos grupos que estabelecem através de relações de memória e de partilha.

Acho que isto é isso mesmo, um grupo de partilha, de alunos de várias gerações que passaram por esta instituição, que a sentem como sua e que querem manter esse sentimento vivo e conhecer as experiências e vidas de outros que também passaram por aqui, o que é importante para nós, alunos e antigos alunos, mas também para a instituição, para a manter viva, para a manter com ideias novas destes encontros entre gerações de alunos.''

 

Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas | Ano de conclusão: 2001

 

Consulte a biografia de Ana Bacalhau

 

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