Maria do Rosário Pedreira

pedeira

“O meu nome é Maria do Rosário Pedreira, tirei o curso de Línguas e Literaturas Modernas, variante de Francês e Inglês. Entrei no ano lectivo de 77/78 e acabei em 82.

Pessoalmente a Faculdade de Letras marcou-me pois o meu percurso escolar anterior foi bastante fechado. Andava numa escola particular só de raparigas e a FLUL teve a vantagem de me mostrar o que é o mundo. A minha primeira experiência na FLUL foi ao matricular-me ver uma faixa a dizer "Morte ao Tomás", que tinha sido o Presidente da República do fascismo. Fui tomada por uma grande liberdade de expressão de opinião. Mudou a minha vida.

Em termos profissionais, considero que os meus talentos são ler e escrever. A FLUL fez-me aperfeiçoar e encontrar um sentido nessas minhas duas capacidades.

Desde que terminei o curso e dei aulas durantes quatro anos e meio, acumulando nos últimos dois com um part-time na primeira editora em que trabalhei. Após esse período abandonei o ensino. Comecei como assistente e aprendi com as pessoas que estava a chefiar. Após nove anos fiz um interregno, e nesse período trabalhei dois anos com o António Ferreira no escritório que organizou a presença portuguesa na Feira Internacional do Livro em Frankfurt. Fizemos um número de actividades bastante extenso, no ano anterior à vitória de Saramago no Prémio Nobel. Estive também seis meses a trabalhar na Expo para o Festival dos 100 Dias. A seguir fui convidada para ir para a Temas e Debates, onde estive sete anos e descobri a minha paixão de publicar novos talentos da literatura portuguesa. Foi aí que lançei autores como Valter Romeiro ou José Luís Peixoto, que ganharam o Prémio Literário José Saramago.

Posteriormente, trabalhei por quatro anos numa pequena editora, o que me agradou mas se revelou difícil, pois perdia constantemente os autores para editoras maiores. Em 2010 fui para o Grupo Leia, onde ainda estou, com o objectivo de publicar literatura portuguesa e descobrir novos valores literários. Tento colocar os diferentes autores na editora que mais lhe dizem respeito.

O meu projecto contribui para alimentar as leituras dos alunos de Letras, mas também criar um diálogo com a instituição no sentido em que sem a aprovação da academia é muito difícil a certos autores obter sucesso, uma vez que o público para a leitura dita séria é cada vez menor e sem a ajuda de professores e alunos de uma academia como a FLUL dificilmente se consegue que certos autores tenham o merecido sucesso.

Entrei na Faculdade num período interessante, com a revolução ainda recente e grande liberdade em todos os temas. Recordo professores como o Joaquim Melo Magalhães, que nos aconselhava teatros, espectáculos,etc. Lembro de no meu 2ºano em que o António Lobo Antunes lança Memória de Elefante e os professores da Faculdade catalogavam-no de comercial, o que achei interessante. Nota-se que os tempos mudaram já que António Lobo Antunes hoje em dia é extremamente conceituado.

Fundamentalmente foi a grande abertura a todas as outras áreas da cultura que não as Letras, pois os professores abordavam de tudo o que havia de interessante a ser feito neste país, que tinha estado tanto tempo fechado.“

Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas

Ano de conclusão: 1981

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