Década de 90

A Década na FLUL

 

img decada 90bNa última década do século XX a tendência para a especialização do conhecimento acentua-se e a Faculdade de Letras procura responder a tal desafio autonomizando áreas disciplinares. Todavia, as afinidades patentes entre áreas de saber conduzem a processos de cruzamento de saberes e a uma transdisciplinaridade a todos os títulos enriquecedora. Em resultado destas pulsões, fundam-se, no decurso dos anos de 1990 e 1991, os cursos pluridepartamentais de especialização em Tradução (Inglês, Alemão; Inglês, Francês; Francês, Alemão), em1994 a licenciatura em Engenharia da Linguagem e do Conhecimento e no ano lectivo de 1996/1997 abrem-se os cursos de especialização em Língua Gestual e Surdez e em Consultoria de Língua Portuguesa. Cursos transdisciplinares de 1º ciclo, como os Estudos Europeus ou os Estudos Africanos, e a nível de mestrado, Teoria e Análise Cultural, Teoria da Literatura, Cultura e Formação Autárquica, entre outros, surgidos também neste período, assinalam idêntica matriz.

O elevado número de alunos conduziu, quase inevitavelmente, a uma massificação da população estudantil, reflectindo a esfera académica as dinâmicas vivenciadas pela sociedade em geral. Em simultâneo, porém, verifica-se o crescente contributo dos Departamentos e dos Centros de Investigação enquanto pólos de debate e reflexão, associando a missão de transmitir um saber actualizado à investigação nos vários domínios. A comprová-lo o surgimento de revistas especializadas como a Românica, periódico de literatura do Departamento de Literaturas Românicas, cujo primeiro número vem a prelo em 1992, ou a Polifonia, dois anos depois, fruto do Grupo Universitário de Investigação em Línguas Vivas (UNIL).

A necessidade de melhorar as condições de estudo e de acesso aos materiais bibliográficos concretiza-se no projecto de construção de um novo edifício para a Biblioteca. Em 1997 dá-se a cerimónia de lançamento da primeira pedra do novo edifício no espaço antes ocupado por um pavilhão para uso lectivo, mas cujo estado de conservação, degradado pelos muitos anos de utilização, tornara obsoleto.

O novo projecto de biblioteca foi, contudo, objecto de alguma polémica, na medida em que a concentração dos materiais bibliográficos num só espaço, mesmo com condições superiores de acesso e manutenção, implicava o desaparecimento de uma série de pequenas bibliotecas especializadas ligadas a Institutos. O que se ganhava em racionalização e actualização de meios e espaço, perdia-se em proximidade e familiaridade. A breve trecho, porém, comprovar-se-ia que uma biblioteca, com as dimensões e as valências técnicas que se almejavam, constituía a resposta necessária para os estudantes das próximas gerações.

Numa outra vertente, a Faculdade procura abrir-se ao mundo, tanto através das novas tecnologias como pela intensificação do intercâmbio com académicos e investigadores estrangeiros que trazem novas perspectivas, novas abordagens a diversos ramos do saber, sendo disso exemplo Suzanne Daveau, geógrafa agraciada com Honoris Causa da UL em 1997, e Pierre Dansereau, agrónomo canadense conhecido como o pai da ecologia, que também colaborou com o Departamento de Geografia.

Mesmo no fecho da década dá-se, a 19 de Junho de 1999, a assinatura da Declaração de Bolonha pelos Ministros da Educação de 29 países europeus visava alargar o referido espírito de intercâmbio. Nela se comprometiam a reestruturar os respectivos sistemas educativos nos três graus do ensino universitário de modo a promover a empregabilidade dos jovens cidadãos europeus.

Em termos práticos, determinou o estabelecimento de um sistema de créditos transferíveis e acumuláveis (ECTS), comum às instituições de ensino superior europeias, que facilite a mobilidade dos estudantes. A importância da cooperação institucional levou a que o princípio da mobilidade se aplicasse igualmente a docentes e investigadores de modo a melhorar níveis de qualidade tanto nos planos curriculares como na investigação.

A uniformização dos três ciclos de estudo – 1º - licenciatura, com a duração de seis a oito semestres (180 a 240 ECTS); 2º - mestrado com a duração de um ano e meio a dois (90 a 120 ECTS), podendo, excepcionalmente, ter a duração de dois semestres (60 ECTS); e 3º - doutoramento – foi perspectivada para assegurar a existência de critérios e metodologias comparáveis na avaliação da qualidade.

Reitores da Universidade de Lisboa

1986-1998: Virgílio Alberto Meira Soares (Ciências)
1998-2006: José Adriano Rodrigues Barata-Moura (Letras)