Década de 80

A Década na FLUL

img decada 80bOs anos 80, na Faculdade de Letras, constituíram uma encruzilhada entre os caminhos conducentes à formação do corpo docente segundo as práticas europeias e as pressões e as preocupações decorrentes de um quotidiano que ameaçava destruir a visão mais completa e a mais longo prazo, bem como a tradição de qualidade no trabalho científico e de influência activa no meio cultural que sempre contribuíram para o seu prestígio.

Efectivamente, diversos índices para aí apontavam: os docentes estavam cada vez mais absorvidos por tarefas administrativas (para as quais não tinham competência), o que abafava frequentemente as suas virtualidades criativas. Havia dificuldade de contratação de novos assistentes e de pessoal administrativo. Havia também um exorbitante número de alunos (cerca de 7000) o que prejudicava o contacto pessoal entre o professor e o estudante. O docente da Faculdade de Letras de Lisboa tinha ainda a seu cargo uma série de tarefas de índole vária, desde a elaboração de horários às inscrições nas turmas, redacção de actas, cartazes, preparação de orçamentos, etc. Consequentemente, as suas tarefas-chave – a preparação e a orientação de teses de mestrado e doutoramento, a promoção da investigação e do estudo – implicavam um esforço e uma dedicação adicionais. O orçamento para a investigação na FLUL era diminuto em comparação com outras escolas superiores. Condições desfavoráveis à investigação e a criação cultural.

Apesar das dificuldades, a Faculdade de Letras prosseguia com a sua missão. Em 1981 são criados os primeiros Cursos de Mestrado permitindo, assim, a obtenção de um grau de especialização que as licenciaturas de quatro anos tinham debilitado. A sua diversificação foi-se verificando à medida que a disponibilidade dos Departamentos o consentiu e o Conselho Científico julgou pertinente. Numa fase subsequente foram propostos Mestrados Interdepartamentais, fazendo convergir para eles áreas de saber desenvolvidas em vários departamentos como, por exemplo, Teoria da Literatura.

Entram em vigor novos planos curriculares para as licenciaturas em Línguas e Literaturas Modernas, Filosofia, História e Geografia. Cria-se, também, um ramo de formação profissional via ensino que visa preparar os futuros docentes do ensino secundário no âmbito pedagógico e das didácticas. Surgem, também, duas novas licenciaturas, a de Linguística e a de Língua e Cultura Portuguesa.

Sempre atenta à realidade social que a massa estudantil reflecte, publica, em 1981, o Estatuto de Trabalhador Estudante, que prevê um horário especial para os alunos que trabalham enquanto progridem na sua formação, dando assim em simultâneo, oportunidade a reingressos de muitos que, pelas vicissitudes da vida se tinham visto forçados a interromper a sua progressão académica.

O empenho em promover acontecimentos de relevo intelectual e artístico nunca foi descurado. Assim, logo em 1980 deu-se, na Faculdade de Letras, o IV Congresso Anual de Arqueologia.

Neste mesmo ano são transferidos para o Arquivo Nacional da Torre do Tombo os chamados "arquivos de Salazar" e de "Marcelo Caetano”, acervos da maior relevância para o estudo da nossa História contemporânea, embora só na década seguinte eles sejam disponibilizados para consulta pública.

No dia 22 de Junho de 1982 foi criado o Museu Nacional do Teatro (que seria apenas inaugurado três anos depois, no antigo Palácio do Monteiro Mor). Foram também criadas escolas particulares e cooperativas, no decorrer do ano de 1982. Um ano depois, a 1 de Julho, o Conservatório Nacional é extinto para dar lugar à Escola de Música e Escola de Dança, em Lisboa, e ao Curso Superior de Música no Porto.

No ano de 1984 dá-se o início da publicação da quinta série da Revista da FLUL, com dois números anuais, sendo um orientado para as Línguas e Literaturas e outro para a História, Filosofia e Geografia. No ano seguinte, em 1985, é inaugurado em Lisboa o Centro Cultural das Descobertas, actual Centro Cultural de Belém.

Em 1986 o Centro de História da Faculdade de Letras publica um livro com dois volumes intitulado Primeiras Jornadas de História Moderna. Nesse mesmo ano a Biblioteca da Faculdade de Letras entra numa fase de reorganização e modernização, iniciando o processo de informatização. Actualmente, é uma das bibliotecas cooperantes do SIBUL (Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de Lisboa), participando na manutenção diária do Catálogo Colectivo das Bibliotecas da Universidade de Lisboa.

A utilização dos meios informáticos será, aliás, implementada, não só na Biblioteca, mas em três níveis e com objectivos distintos: serviços, docência e investigação. Se, no primeiro caso, os novos instrumentos libertaram os docentes de muitas das tarefas que os assoberbavam e permitiam aos agentes administrativos uma eficiência e celeridade superiores, no respeitante à docência e à investigação eles vieram possibilitar o acesso a novos meios de aquisição de conhecimento e de integração na comunidade científica internacional.

Reitores da Universidade de Lisboa:

1979-1982: Raúl Miguel de Oliveira Rosado Fernandes (Letras)
1983-1986: José Manuel Gião Toscano Rico (Medicina)
1986-1998: Virgílio Alberto Meira Soares (Ciências)