Década de 2000

A Década na FLUL

img decada 00bA viragem do milénio coincidiu com importantes mudanças na esfera académica e, mais especificamente, na Faculdade de Letras. No que respeita às suas instalações, o ano 2000 testemunha a mudança da Biblioteca da FLUL o novo edifício projectado pelo arquitecto holandês Harro Wittmer, bem como a transferência do acervo de todas as bibliotecas da Faculdade para as novas instalações.

Em termos da actividade lectiva e da investigação com o objectivo de contribuir para o desenvolvimento científico, o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) subscreve, em 2001, a declaração de Bolonha. Ao fazê-lo está, obviamente a comprometer-se em levar a cabo uma série de alterações no sistema de ensino superior português. Assim, em 2006 a FLUL reformula a sua oferta lectiva de acordo com os parâmetros estabelecidos na Declaração de Bolonha, ou seja, a estrutura já existente de ensino de graduação e pós-graduação formaliza-se agora em três ciclos - licenciatura, mestrado e doutoramento. A partir daí, os seus cursos passam a estar integrados no Espaço Europeu do Ensino Superior.

Segundo o novo modelo, os cursos de 1º ciclo, as chamadas licenciaturas, passam a ter uma duração de três anos, ou mais correctamente, seis semestres, com todas as unidades curriculares semestralizadas; a cada unidade curricular é também atribuído um quantitativo de créditos (ECTS) correspondente ao cálculo do seu tempo de estudo presencial e autónomo. Cada curso de 1º ciclo deverá perfazer um total de 120 ECTS. A reestruturação de 2001 já introduzira outra inovação significativa ao criar as disciplinas de Seminário, Projecto I e Projecto II, orientadas para a participação dos estudantes em projectos de investigação.

Por seu turno, os cursos de mestrado têm prevista uma fase curricular de dois semestres (podendo prolongar-se por mais no caso dos estudantes trabalhadores) e idêntico período para elaboração de uma dissertação sob orientação de um professor da respectiva área de estudo. Dada a crescente preocupação com as saídas profissionais, verifica-se, também, a abertura em alguns cursos de mestrado a modelos alternativos, de natureza mais prática e directamente associados ao mercado de trabalho, para conclusão do curso e obtenção do grau de mestre. Surge, assim, a possibilidade de realizar estágios em entidades públicas e/ou privadas com protocolo estabelecido com a Faculdade. Os mestrandos, para além de serem avaliados pelo seu desempenho enquanto estagiários, elaboram um relatório que é avaliado por um júri de docentes da FLUL. Alguns cursos de mestrado desenvolvem, igualmente, os chamados trabalhos de projecto de modo a fomentar a criatividade dos seus alunos.

Os doutoramentos também sofrem um processo de escolarização. O tempo de preparação e elaboração das teses é encurtado para cinco anos, passando a implicar a frequência de um número de seminários, determinado curso a curso, numa primeira fase, para depois prosseguir para uma etapa de investigação mais autónoma, ainda que sob a orientação de um professor, incentivando-se a participação dos doutorandos em projectos de investigação e encontros científicos da sua área de especialização.
Todas as alterações introduzidas tiveram grande impacte na fase de viragem, dando origem a processos de equivalências para os estudantes que se encontravam a realizar o seu percurso no modelo que abruptamente cessara. Foi um momento de sobressalto para a necessária adaptação às novas regras.

A ênfase numa forma de estudar e investigar em equipas, nacionais ou internacionais, levou ao incentivo de parcerias envolvendo cursos de natureza transdisciplinar ou núcleos de investigação, o que se revelou profícuo, como o ilustra a publicação, em 2005, do primeiro número do Journal of Portuguese Linguistics, revista patrocinada pela FLUL e pela FCSHUNL.

A globalização dos saberes, potenciada pela investigação com recurso a ferramentas electrónicas é outra das facetas da renovação do ensino e da investigação na FLUL. A rede de informação disponível expande-se a partir de 2005, data em que a base de dados da Mapoteca integra o SIBUL (Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de Lisboa), em resultado de um projecto cooperativo coordenado pelo Serviço de Documentação da Universidade de Lisboa, alargando consideravelmente a acessibilidade às necessárias fontes de pesquisa.

Ainda com o mesmo espírito de partilha e de fomento de complementaridades, foi criado, nesse mesmo ano, o Instituto de História da Arte.
De um modo geral, a FLUL mostra, nesta fase, uma abertura empenhada e responsável à sociedade, promovendo conferências, palestras e demais iniciativas de modo a estimular tanto os seus estudantes como um público mais vasto a interessar-se pelas humanidades e o seu contributo para o mundo.

O final desta primeira década do século XXI correspondeu, também, ao início das negociações para a fusão entre a Universidade de Lisboa e a Universidade Técnica de Lisboa que viriam a concluir-se em 2013, assim permitindo formar uma nova, única instituição com valências mais variadas e completas.

Reitores da Universidade de Lisboa

1998-2006: José Adriano Rodrigues Barata-Moura (Letras)
2006-2013: António Manuel Seixas de Sampaio da Nóvoa (Psicologia e Ciências da Educação)
2013: António Manuel da Cruz Serra (Engenharia)