Osório Mateus

Professor, Investigador e Encenador

osorio mateus

José Alberto Osório de Almeida Mateus, ou simplesmente Osório Mateus, como é conhecido, nasceu a 1940, em Viseu. Foi aluno de Doutoramento na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, apresentando, a 1987, a tese Cinco Autos de Vicente – Práticas de Reconhecimento, após a Licenciatura em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Apesar de ser um entusiasta académico, Osório Mateus manteve, desde o percurso liceal, um enorme apreço pelo mundo do Teatro. Encenou a primeira representação absoluta de O Meu Caso, de José Régio, em 1963, no Liceu de Viseu e, quatro anos depois, O Auto do Fidalgo Aprendiz. Após o 25 de Abril, foi professor do Conservatório Nacional na Escola Superior de Teatro e de Cinema (1974-1979), altura em que também elaborou textos relativamente à prática e ao estudo do Teatro (Escrita de Teatro, 1977; Teatro e Literatura, 1989) e de investigação da História do Teatro (Bibliografia do Teatro em Portugal até 1500, 1991). Alguns dos seus textos teóricos foram, juntamente com textos de Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo, publicados pela Editora Estampa, numa colecção literária dedicada ao tema, iniciada em 1973. Foi também crítico de Teatro nas principais revistas e jornais e colaborador assíduo na revista Colóquio/Letras, onde foi publicada boa parte dos seus artigos e recensões. Conhecido por recorrer a um método de exaustiva revisão e rigoroso perfeccionismo, particularmente perceptível na organização e direcção da Colecção Vicente (1988-93), Osório Mateus manteve também actividade como encenador, encenando peças como, O Treino do Campeão antes da Corrida (1977), A Guarda (1977), O Fatalista de Diderot (1978), Tragédia Infantil (1979), Irivir (1982), Garrettismos (1984), Peça para dois Actores (1987), entre outras.

Desde 1970 que o alumnus exerceu igualmente funções como docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 1980, criou a cadeira de História do Teatro. Para os alunos desta cadeira, bem como para os seus alunos das cadeiras de Cultura Portuguesa e Ciências do Espectáculo, elaborou os cadernos de História do Teatro (1991-1996), onde o rigor do seu método se torna a evidenciar. Em 1991, instituiu o Curso de Especialização em Estudos de Teatro e, em 1994, fundou o Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

A 1996, durante a preparação das Obras de Anrique da Mota, morre Osório Mateus. O seu acervo bibliográfico, doado à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, trata-se de um dos maiores acervos bibliográficos e iconográficos de Teatro e Artes do Espectáculo do país, com mais de 15000 espécies dos séculos XVIII à actualidade, possuindo, ainda, 1000 programas de espectáculos e 300 periódicos de Teatro portugueses e estrangeiros. Todo este material está disponível para consulta para facilitar o estudo e a investigação desta área. O tratamento do fundo documental tem sido elaborado pelo Centro de Estudos de Teatro. Uma antologia, elaborada por este grupo, designada De Teatro e Outros Escritos, contendo grande parte dos seus escritos, foi publicada em 2002. O Centro de Estudos de Teatro foi também o responsável por algumas exposições dedicadas a Osório Mateus, como a exposição Papéis de Teatro, em 2000, ou a exposição Vicentina, em 2002, e ainda algumas sessões de leituras encenadas de partes da sua obra.