Década 80

Isabel Capeloa Gil

Professora e Investigadora

capeloa gil

Isabel Maria de Oliveira Capeloa Gil nasceu a 22 de Julho de 1965, em Coimbra. Licenciou-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Ingleses e Alemães, em 1987. Nesse mesmo ano começou a trabalhar como Assistente Estagiária no ISLA e lá permaneceu até 1991. No ano seguinte, concluiu o Mestrado em Estudos Germanísticos – Cultura Alemã na FLUL, com uma classificação de Muito Bom.
Viria a doutorar-se em Língua e Cultura Alemãs, em 2002, pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, com a classificação de Summa cum Laude (Com Distinção e Louvor). Exerce funções de docência nessa Faculdade desde 1991, sendo actualmente Professora Associada. Entre 2005 e 2012 assumiu o cargo de Directora e é presentemente Vice-Reitora da Universidade Católica Portuguesa.

A sua actividade docente não ficou circunscrita ao nosso país, tendo sido Professora Convidada em prestigiadas instituições de ensino estrangeiras, desde a John Huston School of Film, da National University of Ireland (2004), a Ludwig-Maximilian Universität, em Munique (2006), a Universitá Cá Foscari, em Veneza (2008), até à Stanford University nos E.U.A. (2012).

Tem também desenvolvido um notável trabalho de investigação, tendo sido bolseira do DAAD (Deutscher Akademischer Austauschdienst (1986 a 1996), da Fundação Calouste Gulbenkian (1994, 1997, 2000), da Comissão Fulbright (2001) e, mais recentemente, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (2002), para além de Research Guest, no Wissenschaftskolleg em Berlim (2007). É investigadora principal do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura, no qual coordena a Linha de Investigação em Cultura e Conflito.

Entre as suas publicações destacam-se Mitografias (INCM, Lisboa 2007), Poéticas da Navegação (UCEditora, Lisboa, 2007), Fleeting, Floating, Flowing: Water Writing and Modernity (Würzburg, 2008) e A cultura portuguesa no divã (UCEditora, 2011).

Do seu currículo consta ainda o desempenho de funções como Membro da Comissão de Avaliação da Iniciativa de Excelência de Deutsche Forschungsgemeinschaft, em 2012, Directora da Revista de Comunicação e Cultura e Honorary Fellow da School of Advanced Study, Universidade de Londres, desde 2010.

Em 2019, recebeu o Prémio FLUL Alumni.

Mafalda Veiga

Cantora e Autora

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Ana Mafalda da Veiga Marques dos Santos, mais conhecida por Mafalda Veiga, nasceu a 24 de Dezembro de 1965, em Lisboa.

A infância de Mafalda Veiga foi passada em Montemor-o-Novo até aos 8 anos, altura em que se mudou para Badajoz, Espanha. É aí que começa a tocar numa viola oferecida pelo pai e tendo como mestre o seu tio Pedro da Veiga, que era guitarrista de Nuno da Câmara Pereira.

Começou por fazer as suas primeiras composições em espanhol e inglês e, em 1983, fez a primeira canção em português: "Velho". Foi com essa canção que venceu o Festival da Canção de Silves um ano mais tarde. Apresentava-se ainda como Mafalda Santos.

O ano de 1984 fica marcado na vida de Mafalda Veiga como a ano de incursão na Faculdade de Letras, no curso de Línguas e Literaturas Modernas.

Em 1987 edita o seu primeiro álbum, Pássaros do Sul, que chegou rapidamente às dez mil cópias vendidas, adquirindo o estatuto de disco de prata. Mafalda Veiga alcançou, assim, reconhecimento nacional, recebendo o Troféu Nova Gente para Melhor Cantor e ganhando a oportunidade de representar Portugal num festival internacional na Jugoslávia. É também condecorada com o Prémio Revelação, atribuído pelo Jornal Se7e, no ano de 1988.

Nesse mesmo ano lança o seu segundo álbum intitulado Cantar, sendo-lhe atribuído o Prémio de Melhor Disco pela Antena 1. Mafalda Veiga decide, então, dedicar-se à divulgação dos seus dois discos através de actuações pelo país, fazendo uma pausa no seu lançamento de discos.

O seu regresso aos álbuns dá-se em 1992, com Nada se Repete, que tem a colaboração de Luís Represas e é condecorado com o “Se7e de Ouro” para melhor disco.

Nos anos seguintes actua em locais como Macau e Cabo Verde. Em 1996 edita outro álbum, Cor da Fogueira, cujo concerto de apresentação ocorre no CCB. Três anos depois lança novo disco, de seu nome Tatuagem.

Em Maio e Outubro de 2000, Mafalda Veiga actua perante uma plateia esgotada no CCB e no Rivoli, resultando daí o álbum Mafalda Veiga ao Vivo, disco de platina. Neste mesmo ano compõe quatro músicas originais para a telenovela Olhos de Água.

Mafalda Veiga continua a expandir a sua discografia, com Na Alma e na Pele, lançado em 2003, que originou mais dois concertos esgotados no Coliseu dos Recreios em Lisboa.

Em Outubro de 2005, Mafalda Veiga recebe o Prémio Carreira Prestígio da Rádio Central FM de Leiria. Lança mais três álbuns, Lado a Lado, Chão e Zoom, nos anos de 2007, 2008 e 2011, respectivamente.

Em Novembro de 2016 lançou um novo álbum, "Praia". Na altura, Mafalda Veiga lançou um convite exclusivo aos Alumni da FLUL para assistirem ao lançamento deste novo trabalho. Reveja aqui.

Mafalda Veiga foi também a artista musical convidada para actuar no 1º Encontro de Antigos Alunos da FLUL, que decorreu a 7 de Dezembro de 2017. Veja as fotografias aqui.

Rui Vieira Nery

Musicólogo e Professor

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Rui Vieira Nery, filho do guitarrista Raul Nery, nasceu em Lisboa em 1957. Musicólogo, iniciou os seus estudos musicais na Academia de Música de Santa Cecília, os quais prosseguiu no Conservatório Nacional de Lisboa, onde foi aluno de Melina Rebelo (Piano), Constança Capdeville (Composição) e Macario Santiago Kastner (Musicologia e Interpretação de Música Antiga).

Licenciou-se em História na Faculdade de Letras de Lisboa em 1980 e, entre 1979 e 1982, foi professor de História da Música na Academia de Amadores de Música de Lisboa. Em 1990 doutorou-se em Musicologia pela Universidade do Texas em Austin, com uma tese sobre a biblioteca musical de D. João IV (1604-56). Frequentou esta Universidade como Fulbright Scholar e como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian onde estudou com os Professores Robert Snow, Gérard Béhague, Michael Tusa e Douglass Green.

Foi, entre 1986 e 2000, sucessivamente, Assistente e Professor Auxiliar do Departamento de Ciências Musicais da Universidade Nova de Lisboa.

Como musicólogo e historiador cultural, é autor de um vasto número de publicações sobre História da Música Portuguesa, dois dos quais receberam o Prémio de Ensaísmo Musical do Conselho Português da Música (1984 e 1992).

Redigiu também um largo número de artigos científicos publicados em revistas e obras colectivas especializadas, tanto portuguesas como internacionais. Tem desenvolvido paralelamente uma actividade intensa de conferencista em universidades e instituições culturais em Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Estados Unidos, Itália e Brasil.

Como crítico e colunista musical, colaborou com jornais como o Expresso e o Independente, e é colaborador regular na Antena 2. Participou também em numerosos documentários radiofónicos e televisivos de emissoras nacionais e internacionais.

Foi consultor musical da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, da Régie Cooperativa Sinfonia e da Fundação de Serralves. De Novembro de 1991 a Junho de 1992 foi responsável pela concepção do projecto artístico do Centro de Espectáculos do Centro Cultural de Belém, e de 1992 a 2008 desempenhou funções como Director-Adjunto do Serviço de Música da Fundação Calouste Gulbenkian. Foi Secretário de Estado da Cultura do XIII Governo Constitucional entre 1995 e 1997. De 2008 a 2012 regressou à Fundação Calouste Gulbenkian como Director do Programa Gulbenkian Educação para a Cultura.

Foi Comissário Nacional para as Comemorações do Centenário da República e Presidente da Comissão Científica da candidatura do Fado à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade (UNESCO). É Académico Correspondente da Academia Portuguesa da História e da Academia de Marinha e foi condecorado em 2002 com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique por serviços prestados à Cultura portuguesa e em 2012 recebeu a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa. É ainda membro honorário do Fórum Ibero-Americano de Artes e recebeu em 2012 o Prémio CICOP Internacional de Património Cultural Imaterial atribuído pelo Centro Internacional de Conservação de Património. É membro individual do Conselho Nacional de Cultura e do Parlamento Cultural Europeu, bem como Presidente da Assembleia-Geral da Sociedade Portuguesa de Autores.

Rui Vieira Nery é actualmente Director do Programa Gulbenkian de Língua e Cultura Portuguesas e professor associado da Universidade Nova de Lisboa e investigador do Instituto de Etnomusicologia - Centro de Estudos de Música e Dança e do Centro de Estudos de Teatro da FLUL.

Biografias Década 80

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Adília Lopes
Poetisa, Cronista e Tradutora

António Emiliano
Professor, Linguista e Músico

António Rosa Mendes 
Historiador e Professor

Bernardo Vasconcelos e Sousa
Historiador e Professor

emilia ferreira fernando pinto amaral funsler capeloa gil

Emília Ferreira
Escritora e Investigadora

Fernando Pinto Amaral
Professor, Poeta e Tradutor

Irene Flunsel Pimentel
Historiadora

Isabel Capeloa Gil
Professora e Investigadora

isabel pereira da rosa jmelo veiga mafalda pedeira

Isabel Pereira Rosa
Escritora

João de Melo
Escritor

Mafalda Veiga
Cantora e Autora

Maria do Rosário Pedreira
Escritora e Editora

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Maria João Neto
Professora e Investigaora

Nuno Severiano Teixeira
Professor e Político

Osório Mateus
Professor e Encenador

Rui Vieira Nery
Musicólogo e Professor

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Teresa Calçada
Professora

Vicente da Silva Guterres
Político e Professor

 

 

       

Fernando Pinto Amaral

Professor, Poeta e Tradutor

fernando pinto amaral

Fernando José Branco Pinto do Amaral, nascido a 12 de Maio de 1960, foi aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa a partir de 1982, data em que interrompe o curso de Medicina, também pela Universidade de Lisboa, que frequentara sem nunca o chegar a concluir. Assim, a 1986, termina a Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas e, no ano seguinte, inicia a carreira de docente nesta Faculdade, onde, a 1990, conclui o Mestrado em Poesia Contemporânea. Esta é também a data que assinala o início do seu percurso literário enquanto autor, poeta e ensaísta, publicando, ao longo da década de 90, seis obras suas, nomeadamente Acédia (Poesia, 1990), O mosaico fluído: modernidade e pós-modernidade na poesia portuguesa mais recente (Ensaio, 1991), obra que, a 1992, arrecadou o Prémio PEN Clube Português na categoria de Ensaio, Na órbita de Saturno: cinco ensaios e uma paráfrase (Ensaio, 1992), A escada de Jacob (Poesia, 1993), Às cegas (Poesia, 1997) e, entre 1999 e 2000, a compilação Poesia Reunida. É também neste período que conclui o Doutoramento pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa com a tese Discurso e imagens da melancolia na Poesia Portuguesa do século XX, apresentada em 1999.

De meados dos anos 90 aos inícios dos anos 2000, Fernando Pinto do Amaral assume um activo e estabelecido papel da divulgação e enriquecimento da Literatura em Portugal. Desde 1996 que integra a Direcção da Fundação Luís Miguel Nava e também a do Conselho Editorial da revista Relâmpago (publicada desde 1997), tendo ainda colaborado com outras publicações, como o Jornal de Lisboa, o jornal Público, o periódico Diário de Notícias, a revista COLÓQUIO/Letras, na revista LER, entre outras, num vasto percurso de colaborações e redacção de artigos, iniciado na revista A Phala, ainda nos anos 80. Nessa revista, é de destacar o seu trabalho no número de Dezembro de 1988, em que, na condição de membro do grupo organizador, organiza a edição especial Um Século de Poesia. Dentro da actividade literária, é ainda de referir a sua passagem na área da tradução, cujo trabalho da tradução das Flores do Mal, de Charles Baudelaire, lhe valeu o Grande Prémio da Associação Portuguesa de Tradutores (1993). Traduziu também Poemas Saturnianos e Outros, de Verlaine (1994) e as Obras Completas, do poeta argentino Jorge Luís Borges (1998/99).

Fernando Pinto do Amaral foi o comissário da exposição “100 Livros do Século” (CCB, 1998), tendo igualmente comissariado as presenças portuguesas na Feira do Livro de Frankfurt, em 1998 e 1999, do Salão do Livro de Genebra, em 2001, e na LIBER – Feira do Livro de Barcelona, em 2002. Durante os anos 2000, publica um novo conjunto de obras, dispersas por diferentes categorias.
A 2002, é publicada a sua tradução da Antologia Poética de Gabriela Mistral, o mesmo ano em que lança 100 Livros Portugueses do Século XX, uma obra de divulgação. Dois anos depois, são lançadas as obras Pena Suspensa, obra poética, e A Aventura no Game Boy, escrita para o público infanto-juvenil. A 2006, publica o livro de contos Área de Serviço e Outras Histórias de Amor e, no ano seguinte, A Luz da Madrugada, nova obra poética, retornando ao Romance a 2009, com a obra O Segredo de Leonardo Volpi. Foi também em 2009 que Fernando Pinto Amaral iniciou funções de comissário do Plano Nacional de Leitura, um ano depois de ter recebido, em Madrid, o Prémio Goya, na categoria de Melhor Canção Original pelo seu Fado da Saudade, interpretado por Carlos do Carmo no filme Fados, de Carlos Saura.

Até ao Presente, Fernando Pinto do Amaral continua a exercer funções como docente, escritor e comissário do Plano Nacional de Leitura. Considerado uma das revelações literárias dos anos 90 e uma figura incontestavelmente ligada às diferentes actividades literárias, é ainda membro permanente do Júri do Prémio Dom Dinis, da Fundação da Casa de Mateus.

Osório Mateus

Professor, Investigador e Encenador

osorio mateus

José Alberto Osório de Almeida Mateus, ou simplesmente Osório Mateus, como é conhecido, nasceu a 1940, em Viseu. Foi aluno de Doutoramento na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, apresentando, a 1987, a tese Cinco Autos de Vicente – Práticas de Reconhecimento, após a Licenciatura em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Apesar de ser um entusiasta académico, Osório Mateus manteve, desde o percurso liceal, um enorme apreço pelo mundo do Teatro. Encenou a primeira representação absoluta de O Meu Caso, de José Régio, em 1963, no Liceu de Viseu e, quatro anos depois, O Auto do Fidalgo Aprendiz. Após o 25 de Abril, foi professor do Conservatório Nacional na Escola Superior de Teatro e de Cinema (1974-1979), altura em que também elaborou textos relativamente à prática e ao estudo do Teatro (Escrita de Teatro, 1977; Teatro e Literatura, 1989) e de investigação da História do Teatro (Bibliografia do Teatro em Portugal até 1500, 1991). Alguns dos seus textos teóricos foram, juntamente com textos de Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo, publicados pela Editora Estampa, numa colecção literária dedicada ao tema, iniciada em 1973. Foi também crítico de Teatro nas principais revistas e jornais e colaborador assíduo na revista Colóquio/Letras, onde foi publicada boa parte dos seus artigos e recensões. Conhecido por recorrer a um método de exaustiva revisão e rigoroso perfeccionismo, particularmente perceptível na organização e direcção da Colecção Vicente (1988-93), Osório Mateus manteve também actividade como encenador, encenando peças como, O Treino do Campeão antes da Corrida (1977), A Guarda (1977), O Fatalista de Diderot (1978), Tragédia Infantil (1979), Irivir (1982), Garrettismos (1984), Peça para dois Actores (1987), entre outras.

Desde 1970 que o alumnus exerceu igualmente funções como docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 1980, criou a cadeira de História do Teatro. Para os alunos desta cadeira, bem como para os seus alunos das cadeiras de Cultura Portuguesa e Ciências do Espectáculo, elaborou os cadernos de História do Teatro (1991-1996), onde o rigor do seu método se torna a evidenciar. Em 1991, instituiu o Curso de Especialização em Estudos de Teatro e, em 1994, fundou o Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

A 1996, durante a preparação das Obras de Anrique da Mota, morre Osório Mateus. O seu acervo bibliográfico, doado à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, trata-se de um dos maiores acervos bibliográficos e iconográficos de Teatro e Artes do Espectáculo do país, com mais de 15000 espécies dos séculos XVIII à actualidade, possuindo, ainda, 1000 programas de espectáculos e 300 periódicos de Teatro portugueses e estrangeiros. Todo este material está disponível para consulta para facilitar o estudo e a investigação desta área. O tratamento do fundo documental tem sido elaborado pelo Centro de Estudos de Teatro. Uma antologia, elaborada por este grupo, designada De Teatro e Outros Escritos, contendo grande parte dos seus escritos, foi publicada em 2002. O Centro de Estudos de Teatro foi também o responsável por algumas exposições dedicadas a Osório Mateus, como a exposição Papéis de Teatro, em 2000, ou a exposição Vicentina, em 2002, e ainda algumas sessões de leituras encenadas de partes da sua obra.