José Jorge Letria

Jornalista e Escritorjorge letria

José Jorge Alves Letria nasceu em Cascais, a 8 de Junho de 1951, e foi aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde cursou História e História de Arte. Também na Universidade de Lisboa, estudou Direito. À Licenciatura, seguiu-se a Pós-Graduação em Jornalismo Internacional e o Mestrado em “Estudos da Paz e da Guerra nas Novas Relações Internacionais” pela Universidade Autónoma de Lisboa, estando prestes a defender uma tese de doutoramento em Ciências da Comunicação no ISCTE. Jornalista desde 1970, começou por colaborar nos suplementos Juvenil e A Mosca do Diário de Lisboa, seguindo-se a Redacção e Edição em jornais como República, Diário de Notícias, O Diário (que ajudou a fundar) e Jornal de Letras, onde esteve como Editor-Chefe durante cerca de cinco anos. Foi ainda chefe de redacção do semanário Musicalíssimo e correspondente do Diário de Barcelona Tele-Express (1974/75) e da revista Delibros, do Ministério da Cultura de Espanha. Após a obtenção do grau de Mestre, inicia a carreira de docente do Ensino Secundário, área em que exerceu de 1982 a 1985, cuja actividade influenciou a elaboração de três das suas obras infanto-juvenis, sendo o autor de dezenas de livros dedicados a este público, sobretudo vocacionados para a História de Portugal e para questões sociais várias. O seu livro para crianças O Homem que Tinha uma Árvore na Cabeça integrou, em 2002, a lista “Books and Reading for Intercultural Education”, da União Europeia.

Por ter sido um dos poucos civis a tomar conhecimento prévio do Golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, e dada a sua actividade revolucionária no panorama musical, ao lado de nomes como José Afonso e Manuel Freire, com quem integrou o movimento da canção da resistência (todos os discos anteriores ao 25 de Abril foram proibidos pela Censura), colaborou com os militares na Direcção da Emissora Nacional e foi o responsável pela programação musical da estação oficial até meados de 1975. Desta sua experiência, resulta a obra Uma Noite Fez-se Abril (1999), tema a que volta, em 2013, com a obra E Tudo Era Possível - Retrato de Juventude com Abril em Fundo. Em 1972, torna-se membro do PCP, desvinculando-se do Partido em 1991, juntando-se ao PS, em 1995.

Em 1992 foi-lhe atribuída a medalha da Internationale des Arts et des Lettres sendo, cinco anos depois, agraciado com a Ordem da Liberdade pelo Presidente Jorge Sampaio. Entre 1994 e 2001, foi vereador da Cultura da Câmara Municipal de Cascais, cumprindo dois mandatos, onde se destacou a coordenar ou criar projectos como os Cursos Internacionais, cinco prémios literários ou a revista Boca do Inferno. Após a conclusão do segundo mandato, foi dado o seu nome a uma Escola Primária em Cascais, altura em que foi também distinguido com a Medalha de Honra do Município de Cascais (2002). Também em Cascais, foi Presidente da Fundação São Francisco de Assis, destinada ao acolhimento de animais abandonados. A sua sensibilidade relativamente aos Direitos dos Animais pode ser lida em obras suas como Amados Cães (2007), Amados Gatos (2007) e Coração Sem Abrigo (2009), que narra a vida de um sem-abrigo e o seu cão de companhia. Por estes motivos recebeu, em Novembro de 2009, o Prémio Manuel de Arriaga, instituído pela Sociedade Protectora dos Animais.

José Jorge Letria publicou obras de vários géneros literários que abrangem a Poesia, o Ensaio e o Conto. A carreira de escritor, iniciada em 1973, com a obra poética Mágoas Territoriais, conta com quase duas centenas de títulos publicados, sendo repetidamente alvo de distinções e premiações nacionais e internacionais. Para além das que já foram referidas, destacam-se dois Grandes Prémios da APE (nas categorias de Conto e Teatro), o Prémio Internacional Unesco (França), o Prémio Aula de Poesia de Barcelona, o Prémio Plural (México), o Prémio da Associação Paulista de Críticos de Arte (São Paulo), o Prémio Gulbenkian, o Grande Prémio Garrett da Secretaria de Estado da Cultural, o Prémio Eça de Queirós-Município de Lisboa (duas vezes), o Prémio Ferreira de Castro de Literatura Infantil (três vezes), o Prémio “O Ambiente na Literatura Infantil” (três vezes), o Prémio Garrett, o Prémio José Régio de Teatro, o Prémio Camilo Pessanha do IPOR, entre muitos outros.

Actualmente, é o Presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores, sendo primeiramente eleito em 2010 e reeleito quatro anos depois, em 2014, Presidente da Fundação S. Francisco de Assis, Vice-Presidente da Direcção e Administração da Casa da Imprensa e Vice-Presidente da Fundação D. Luís I, integrando várias outras associações culturais, nomeadamente os corpos sociais da Fundação Paula Rego (desde 2009).