Jorge Molder

molder jorgeFotógrafo

Nascido no ano de 1947, Jorge Molder foi aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde, a 1972, conclui a Licenciatura em Filosofia, curso que, segundo o próprio, teria desde sempre uma enorme influência no seu trabalho fotográfico. A partir da década de 70, começou a apostar na Fotografia.

Em 1978 concretiza a sua primeira exposição individual, na Cooperativa Árvore do Porto, designada de Fotografias de Dentro e de Fora, que contou também com poemas de Joaquim Manuel Magalhães e João Miguel Fernandes Jorge. Em 1980, realiza uma nova exposição, simplesmente designada Uma Exposição, em colaboração com os mesmos poetas da sua exposição de estreia, na qual se começa a destacar o seu interesse pela insinuação narrativa e a influência do Cinema na sua Fotografia. O "film-noir", mais precisamente pela mão de Dashiell Hammett, marca esteticamente os locais abandonados que Molder selecciona como cenários nestes primeiros trabalhos.

O alumnus segue também a adopção de representações seriadas, acentuado a narratividade da cenografia, que conjugaria com o auto-retrato, criando um dispositivo de produção de sentido mais omnipresente no desenrolar do seu percurso fotográfico. A componente auto-retratista, activa desde 1981, evidencia-se a partir de 1987, num processo que começou com a série assim mesmo intitulada, Auto-Retratos. Cada uma destas séries fotográficas vem acompanhada de um título específico, de modo a sugerir um novo subtexto, numa tentativa de esclarecimento em relação à ambiguidade imagética, tão característica do seu trabalho, ao mesmo tempo que expõe o seu lado mais imaginário. Apesar desse esclarecimento, e das imagens se tratarem de auto-representações do seu artista, existe sempre um espaço para a subjectividade do público.  Séries mais recentes como T.V. (1996) - iniciais de troppo vero (expressão que foi cunhada por Inocêncio Xl após ter visto, pela primeira vez, o seu retrato pintado por Velázquez), e Anatomia e Boxe (1997), revelam um uso do auto-retrato mais denso, como se falasse de uma mudança na consciência que se percebe nas expressões faciais, ou como a presença de um outro, um sósia. Nesta altura, Jorge Molder é já um reconhecido artista fotográfico.

Entre 1994 e 2009, foi o Director do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, instituição onde já exercia funções como assessor desde 1990. O fotógrafo representou Portugal nas Bienais de São Paulo (1994) e de Veneza (1999) apresentando, nesta última, uma exposição especialmente preparada para o Palazzo Vendramin dei Carmini, designada Nox, apresentando uma série de 36 fotografias dedicadas aos temas do esmorecimento, desmaio e queda. Desde 2006, podem destacar-se as seguintes exposições individuais: Algum Tempo Antes, Centro Galego de Arte Contemporânea, Santiago de Compostela (2006), Condições de Possibilidade, Centro de Artes Visuais, Coimbra (2006), Waiters, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa (2006), Não Tem Que Me Contar Seja o Que For, Cinemateca Portuguesa, Lisboa (2006), Algum Tempo Antes, Fundación Telefónica, Madrid (2006), Não Tem Que Me Contar Seja o Que For, Cinemateca de Madrid (2007), Di Note, Human too Human, European Photography, Reggio Emilia (2008), Malas Maneras, Galería Oliva Arauna, Madrid (2008) e De Todas as Formas e Feitios, Galeria Pedro Oliveira, Porto (2008). Para além das já mencionadas exposições colectivas, em São Paulo e Veneza, o alumnus participou ainda nas exposições Das Schwartze Quadrat (Hommage to Malewitsch), Hamburger Kunsthalle (2007), Artempo – Where Time Becomes Art. Palazzo Fortuny, Veneza (2007); Outras Zonas de Contacto – Colecção de Fotografia de Américo Marques, Fundação Carmona e Costa (2007), O Gabinete de Curiosidades de Domenico Vandelli – Transnaturakia, Museu Botânico, Coimbra (2007). 2007 marca também o ano em que foi distinguido com o Prémio AICA (Associação Internacional de Críticos de Arte), na categoria de Artes Visuais. No ano seguinte, apresenta em Bruxelas a colecção Jan Fabre – Le Temps Emprunté, no Palais des Beaux-Arts. Dois anos depois, a 2010, vence o Grande Prémio EDP/Arte.

Jorge Molder continua a expor o seu trabalho fotográfico, para além de participar em projectos literários relacionados com a Fotografia. Em 2015, foram apresentados os livros Un Dimanche de Jorge Molder e Negro Teatro de Jorge Molder, de Alberto Ruiz de Samaniego, inspirados no sentimento expresso nas obras do artista, caracterizadas pelos limites ontológicos do ser humano, pela noção de morte, e pelos limites entre conceitos, como a racionalidade e a perda de razão ou de realidade. Todas as sensações e momentos emocionais subjectivos que Jorge Molder exterioriza através do auto-retrato.