Jorge Vaz de Carvalho

Barítono, Escritor e Professor

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Nascido a 1955 Jorge Vaz de Carvalho foi aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa durante os anos 70, onde concluiu a Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas. Academicamente, o alumnus chegou ao grau de Doutor, pela Universidade Católica de Lisboa, onde se especializou em Estudos da Cultura, apresentando uma tese intitulada Jorge de Sena - Sinais de Fogo Como Romance de Formação (1979), que se situa na tradição do 'Bildungsroman' (romance de formação) e 'küsntleroman' (romance de artista). Esta tese seria, posteriormente, premiada com Prémio Jorge de Sena (2010) tratando-se de “Uma tese universitária solidamente arquitectada que vem acrescentar ao património crítico português uma perspectiva doravante imprescindível para o estudo de uma obra de repercussão universal” (declaração do júri que presidiu à entrega do dito prémio). Enquanto autor, Jorge Vaz de Carvalho elaborou também algumas obras poéticas, de onde se destaca A Lenta Rendição da Luz (1992), romances (como o caso da sua própria tese de Doutoramento, reeditada em formato livresco e comercializada como romance literário), ensaios e mesmo traduções, de onde se destaca a tradução da obra Principi di Scienza Nuova, do filósofo setecentista Giambattista Vico, premiada com o Prémio de Tradução Científica e Técnica em Língua Portuguesa da União Latina/FCT, em 2006. A sua tradução da obra Ulisses, do autor James Joyce, foi também distinguida, em 2015, com o Grande Prémio de Tradução Literária APT/SPA.

Para além da actividade de autor, Jorge Vaz de Carvalho distingue-se, sobretudo, pela carreira musical, que, apesar de iniciada ainda durante a infância, só torna a ser explorada durante a vida adulta. Neste contexto, fez a sua estreia como cantor lírico em 1984, interpretando Belcore, de L’Elisir d’Amore de Donizetti, no Teatro Nacional de S. Carlos. Dos inúmeros papéis operáticos que desde então desempenhou merecem destaque: Don Giovanni, Conte Almaviva de Le Nozze di Figaro, Guglielmo de Così Fan Tutte, de Mozart; Figaro de Il Barbiere di Siviglia, de Rossini; Germont de La Traviata, de Verdi; Marcello de La Bohème, Lescaut de Manon Lescaut e Sharpless e Madama Butterfly, de Puccini, entre tantos outros. O seu reportório conta também com vastos compositores nacionais, como João Domingos Bomtempo e Joly Braga Santos (Requiem), Alexandre Delgado (Turbilhão), e óperas de Jerónimo Lima (Lo Spirito di Contradizione) ou de Marcos Portugal (As Damas Trocadas). Protagonizou também as obras Édipo e Os Dias Levantados, de António Pinho Vargas.

Dentro da actividade musical e cultural, Jorge Vaz de Carvalho ocupou ainda alguns cargos administrativos e pedagógicos, ministrando master-classes de voz e interpretação (no país, Brasil e Itália) e integrando o painel de jurados de concursos nacionais e internacionais de canto: Luísa Todi (Setúbal); Bidu Saião (Brasil); Toti dal Monte di Treviso, Lirico Leoncavallo e Lirico Franco Alfano di Sanremo, em Itália. Foi ainda o fundador da Orquestra Nacional do Porto (ONP), durante o mandato de Manuel Maria Carrilho, ficando na Direcção artística desta instituição, de 1999, até o seu mandato acabar, a 8 de Setembro de 2006. No ano anterior, em 2005, sucede a Paulo Cunha e Silva na Direcção do Instituto das Artes, onde exerceu como Director até 2007.