Manuel Hermínio Monteiro

Empresário e Escritor

monteiro herminio

Manuel Hermínio Monteiro, nascido a 10 de Setembro de 1952, frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa durante a década de 70, onde se licenciou em História, após o abandono precoce do curso de Direito. A 1975, inicia o seu percurso na Assírio e Alvim como vendedor, numa altura em que a empresa atravessava uma acentuada crise que quase a levou à falência. Oito anos depois (1983), assume as funções de director da editora e consegue, através do lançamento de edições de diferentes poetas nacionais (como Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Teixeira de Pascoaes, Herberto Hélder e Mário Cesariny), elevar o estatuto da empresa a ponto de se tornar numa das mais bem-sucedidas editoras em Portugal.

No processo de elevação da Assírio e Alvim, Manuel Hermínio Monteiro foi também um forte impulsionador da cultura livresca e artística, ao mesmo tempo que dinamizou a editora. Em 1986, lança a revista A Phala, da qual se destaca um dos números lançados em 1988 intitulado “A Phala: Um Século de Poesia (1888-1988)”, que contou com a colaboração de nomes como Mário Cesariny, Herberto Hélder ou Eugénio de Andrade. Para além do lançamento da revista, lançou a colecção Rei Lagarto, dedicada à música, dirigiu a revista “MetropoLIS”, no âmbito de Lisboa Capital Europeia da Cultura, sendo ainda o fundador da Associação Cultural Saldanha e o criador do Assírio Líquida, o primeiro bar-livraria, situado no Bairro Alto.

Manteve ainda actividade política, enquanto um dos fundadores do Movimento do Partido da Terra, juntamente com Gonçalo Ribeiro Teles, entre outros, e chegando a acompanhar o Presidente da República, na altura Jorge Sampaio, na sua primeira visita oficial a Espanha. Integrou o Movimento de Salvaguarda das Gravuras do Vale do Côa, destinado a preservar o Património Cultural e Natural de Foz Côa, tendo também sido sócio da ADRIP (Associação de Defesa, Reabilitação, Investigação e Promoção do Património Natural e Cultural de Cacela).

Foi também colaborador em várias publicações, nacionais e internacionais, nomeadamente a Revista K (que fundou, juntamente com Miguel Esteves Cardoso), a Revista Ler, fez parte do Conselho Editorial da Revista Espacio/Espaço Escrito, de Badajoz, foi um dos criadores da revista hispano-americana Hablar/Falar de Poesia, colaborando ainda noutras publicações como O Independente, o Jornal de Letras, o Douro-net, a Revista Barata, e o jornal La Vanguardia, e participando em jornadas sobre a cultura portuguesa em Palma de Maiorca, Bordéus e Roterdão. Para além da constante actividade no mundo editorial e no mundo das revistas literárias, exerce também uma função dinamizadora, dinamizando a sua editora nos cinemas King em Lisboa (1995) e no Porto (1998), organizando lançamentos de livros, encontros literários, debates e espectáculos, pouco depois de ter sido agraciado como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, pelo então Presidente da República, Mário Soares (1993). No que toca a premiações de reconhecimento social, Manuel Hermínio Monteiro recebeu ainda uma menção honrosa no Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes, pela sua poesia Ermonte (1977), estando a sua obra poética editada na Antologia A Rosa do Mundo 2001 Poemas para o Futuro.

Manuel Hermínio Monteiro faleceu a 3 de Junho de 2001, vítima de um cancro. Em sua memória, foi executado o suplemento “Mil Folhas” do jornal Público, com preito de 48 personalidades da cultura, e o tributo “Uma Rosa para o Hermínio”, na Biblioteca Almeida Garrett (Porto).