Hélia Correia

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A escritora Hélia Correia nasceu em Lisboa a Fevereiro de 1949 e, apesar de ter passado a infância em Mafra, foi na capital onde frequentou o Ensino Secundário e o Ensino Superior. Ingressou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa nos anos finais da década de 60, concluindo a licenciatura em Filologia Românica já no início dos anos 70. Posteriormente, concluiu ainda uma pós-graduação em Teatro da Antiguidade Clássica, um interesse manifestamente expresso na sua breve participação na peça Édipo Rei, onde profere algumas falas em grego, que a leva a escrever o primeiro texto dramático da sua autoria, Perdição – Exercícios sobre Antígona, publicado em 1991 e levado à cena pela companhia Comuna, em 1993. A peça O Rancor, Exercício sobre Helena (2000), retoma novamente o gosto pela Antiguidade, relacionando a mulher clássica, descrita nas epopeias, com a mulher actual. No total, são cinco as peças de teatro que escreve, incluindo uma adaptação juvenil da peça A Tempestade (de William Shakespeare) que designa de A Ilha Encantada (2008).

A passagem de Hélia Correia pelo género do Drama dá-se numa altura em que já ia ganhando alguma notoriedade literária, sobretudo a partir da adaptação teatral da obra de ficção Montedemo (1983) levada a cabo por João Brites e representada pelo grupo de teatro O Bando. Antes da publicação de Montedemo, tinham já sido publicadas duas outras obras, a obra poética com que se estreou no mundo das publicações, O Separar das Águas (1981) e, no ano seguinte, O Número dos Vivos.

No âmbito da ficção, há a destacar, entre mais de uma dezena de obras, a Soma (1987), a Casa Eterna (1991) e a Lillas Fraser (2001), que arrecadou o Prémio de Ficção do PEN Club, no ano seguinte a ser publicada.

Apesar da predominância dos romances de ficção na bibliografia desta autora, e para além das cinco peças de teatro que executou, Hélia Correia não exerceu literariamente apenas como romancista e dramaturga, exercendo também como poeta, sendo distinguida com o prémio literário Correntes d'Escritas/Casino da Póvoa, com o livro de poesia A Terceira Miséria em 2013 , um ano depois da publicação da obra. O seu espectro de actividade abrangeu também o público infanto-juvenil, não só com a já referida adaptação shakespeariana mas também com a obra A Luz de Newton (1988).

Para além das já referidas premiações, o ano de 2015 foi particularmente activo nesse contexto, sendo o ano em que a escritora é duplamente distinguida com o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco, com a obra Vinte Degraus e Outros Contos, e com o Prémio Camões , que visava homenagear toda a obra da sua autoria.