Margarida Gil

Cineasta, Actriz e Professoragil margarida

 

Nascida a 7 de Setembro de 1950 na Covilhã, Margarida Gil foi aluna de Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, ao mesmo tempo que contava bilhetes de lotaria na Santa Casa da Misericórdia. É a partir de 1973 que decide dedicar-se totalmente à vida académica, deixando o seu trabalho na Misericórdia e concluindo a licenciatura. 

Devido à proximidade entre a Misericórdia e o Palácio da Foz, Margarida Gil ganhou o hábito de assistir às sessões da Cinemateca, desenvolvendo o gosto pelo cinema. Foi nesta altura que conheceu João César Monteiro, companheiro de cinema e futuro companheiro de vida, que a convidou para assistente de realização do seu filme Fragmentos de um Filme-Esmola - A Sagrada Família, filmado entre 1972 e 1973. Três anos depois, voltava a ser assistente de realização de João César Monteiro, no documentário Que Farei Eu Com Esta Espada?, estreado em Junho de 1976. Nesta mesma altura, após o 25 de Abril, estreia-se no mundo da rádio, com o seu próprio programa de autor de música e em 1975, através do departamento de programas político-sociais, começa a colaborar com a RTP. Numa primeira fase, fazia documentários, entrevistas, preparava textos, dava assistência aos operadores de câmara, ou seja, fazia assim de tudo um pouco. 

No arranque do segundo canal da RTP, passou a integrar a equipa que criou o primeiro programa cultural semanal na televisão, onde constavam nomes como Fernando Lopes, Assis Pacheco e Eduardo Prado Coelho. A primeira personalidade a ser entrevistada foi António Lobo Antunes. Da carreira televisiva, destaca-se ainda a sua colaboração no programa Hermanias (1984) e também no programa Festa é Festa (1982), onde figuravam nomes como Júlio Isidro e Ana Bola, entre outros. 

O ano de 1975 é o ano de estreia de Margarida Gil na televisão, é também o do lançamento da sua primeira curta-metragem, Para Todo o Serviço. Participou ainda no filme Veredas (1977), como actriz e como assistente de realização, e no filme O Amor das Três Romãs, apenas como actriz. Contudo, é o final da década de 80 que assinala a realização da primeira longa-metragem da sua autoria, Relação Fiel e Verdadeira (1987), que marcou presença no Festival de Veneza. Depois de mais alguns trabalhos televisivos, lança a sua segunda longa-metragem, Daisy: Um Filme para Fernando Pessoa (1991) seguindo-se de Rosa Negra, lançada um ano depois, que foi seleccionada para o Festival de Locarno. 

Da imensa filmografia que realizou, destacam-se ainda as longas-metragens O Anjo da Guarda (1999), que marcou presença no Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz, em que foi distinguido com a Placa de Prata, no Festival de Cinema de Roma, onde arrecadou o Grande Prémio, e no FantasPorto, em que a actriz Dalila Carmo recebeu uma Menção Especial pelo seu desempenho no filme, e Adriana (2004), filme que esteve nomeado aos Globos de Ouro portugueses de 2006 nas categorias de Melhor Filme (Margarida Gil), Melhor Actor (Bruno Bravo), Melhor Actriz (Isabel Ruth) e de Melhor Actriz (Ana Moreira), tendo esta última ganho o respectivo Globo. No total, são mais de duas dezenas de longas e curtas-metragens que compõem o portfólio da cineasta, para além de colaborações documentais e em programas televisivos. Em 2007 foi também premiada com o Prémio Aurélio Paz dos Reis, atribuído pela Escola Superior Artística do Porto (ESAP) e a Direcção da Licenciatura em Cinema e Audiovisual, em honra à sua carreira na área do Cinema.

Para além da actividade cineasta, Margarida Gil é ainda Assistente Convidada no departamento de Ciências da Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH.UNL), onde lecciona as disciplinas de Produção e Realização Televisiva e Atelier de Televisão.