Década 70

Nuno Júdice

Poeta, Ensaísta, Escritor e Professornuno judice

Nuno Manuel Gonçalves Júdice Glória nasceu a 29 de Abril de 1949 em Mexilhoeira Grande, Portimão. Estudou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde foi aluno de Luís Filipe Lindley Cintra, licenciando-se em Filologia Românica nos inícios da década de 70, altura em que também se dedica à elaboração das primeiras obras da sua autoria.

A estreia de Nuno Júdice no mundo literário dá-se com a publicação da obra A Noção de Poema (1972), seguida de O Pavão Sonoro, publicada no mesmo ano. Durante a década de 70, dedica-se, sobretudo, à poesia, recebendo, o Prémio de Poesia Pablo Neruda (1975) pela obra O Mecanismo Românico da Fragmentação.

Ainda durante os anos 70 escreve ainda uma obra de ficção, Última Palavra: «Sim» (1977), uma peça de teatro, Antero - Vila do Conde (1979), e uma edição crítica, Novela Despropositada de Frei Simão António de Santa Catarina, o Torto de Belém (1977).

Durante a década de 80, apesar do predomínio da poesia, explora igualmente outras formas literárias, ainda que as distinções de se foi alvo se devam, sobretudo, à sua produção poética. Assim, em 1985, recebe o Prémio de Poesia do PEN Clube com a obra Lira de Líquen. Ainda nos anos 80, mais concretamente em 1989, conclui o Doutoramento na área de Literaturas Românicas Comparadas, com uma tese dedicada literatura medieval (publicada dois anos depois com o título O Espaço do Conto no Texto Medieval), na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde inicia a carreira de professor universitário. 

Em 1990, torna a ser distinguido com o Prémio D. Dinis da Fundação Casa de Mateus pela obra poética As Regras da Perspectiva. Dois anos depois, comissariou a área de Literatura da Exposição Universal de Sevilha e, em 1997, a da Feira do Livro de Frankfurt, o mesmo ano em que foi nomeado Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal e Director do Instituto Camões em Paris, cargos que exerceu até Fevereiro de 2004. Ainda na década de 90, foi o organizador da Primeira Semana Europeia de Poesia, quando Lisboa foi Capital Europeia da Cultura (1994), e o dirigente da revista de poesia Tabacaria, da Casa Fernando Pessoa, para além de ter recebido outras três distinções pela sua carreira literária, nomeadamente, o Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, com Meditação sobre Ruínas (1995), obra que torna a ser premiada, no mesmo ano, com o Prémio Municipal Eça de Queiroz de Literatura da Câmara Municipal de Lisboa. Foi ainda o vencedor do Prémio Bordalo da Casa da Imprensa, com a obra de ficção Por Todos os Séculos (1999).

Do seu labor literário resultam ainda as funções de Director da revista Colóquio/Letras desde Janeiro de 2009, e de Curador para a área cultural da Fundação José Saramago, criada em 2008, sendo também o coordenador, com Fernando Pinto do Amaral, dos seminários de tradução de Poesia organizados bianualmente pela Fundação Casa de Mateus e membro permanente do júri do Prémio D. Dinis dessa Fundação. Exerceu ainda funções como tradutor de Poesia anglo-americana, espanhola e francesa. É também uma presença assídua em diversos festivais internacionais de literatura e, especificamente, de poesia, com destaque para o Festival Bienal de Liège, o Festival de Medellín, o Festival de Roterdão, o Festival «Encontro de Poetas do Mundo Latino» no México, a Cosmopoética em Córdova e o Festival de Poesia do Chile, entre tantos outros.

A sua dedicação à actividade literária valeu-lhe ainda mais oito distinções ao longo dos anos 2000, nomeadamente, o Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional dos Críticos Literários com Rimas e Contas in Poesia Reunida (1997-2000), (2000), o Prémio Cesário Verde da Câmara Municipal de Oeiras,) e, simultaneamente, o Prémio Ana Hatherly da Câmara do Funchal pela obra O Estado dos Campos (2003), o Prémio Fernando Namora da Sociedade Estoril-Sol, com O Anjo da Tempestade (2004), o Grande Prémio de Literatura DST, pela obra Geometria Variável (2005), o Prémio Nacional António Ramos Rosa da Câmara Municipal de Faro, com As Coisas mais Simples (2006), o Prémio Ibero-Americano Rainha Sofia de Espanha (2013), sendo ainda o vencedor do Prémio Tabula Rasa, (Poesia), com O Fruto da Gramática (2015). Para além dos vários prémios literários que recebeu, a 10 de Junho de 1992, Nuno Júdice foi ainda feito Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e, a 10 de Junho de 2013, elevado a Grande-Oficial da mesma Ordem e o seu nome foi atribuído ao Prémio de Poesia da Câmara Municipal de Aveiro, criado em 2007.

Em 2017 venceu o "Prémio Internacional Camaiore", com o livro de poemas Fórmulas de uma Luz Inexplicável.

Em 2018 ganhou o "Prémio Rosalía de Castro" do PEN Galiza.

Em Junho de 2018 venceu o "Prémio Literário Guerra Junqueiro".

Jorge Molder

molder jorgeFotógrafo

Nascido no ano de 1947, Jorge Molder foi aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde, em 1972, conclui a Licenciatura em Filosofia, curso que, segundo o próprio, teria desde sempre uma enorme influência no seu trabalho fotográfico. A partir da década de 70, começou a apostar na Fotografia.

Em 1978 concretiza a sua primeira exposição individual, na Cooperativa Árvore do Porto, designada de Fotografias de Dentro e de Fora, que contou também com poemas de Joaquim Manuel Magalhães e João Miguel Fernandes Jorge. Em 1980 realiza uma nova exposição, simplesmente designada Uma Exposição, em colaboração com os mesmos poetas da sua exposição de estreia, na qual se começa a destacar o seu interesse pela insinuação narrativa e a influência do Cinema na sua Fotografia. O "film-noir", mais precisamente pela mão de Dashiell Hammett, marca esteticamente os locais abandonados que Molder selecciona como cenários nestes primeiros trabalhos.

O alumnus segue também a adopção de representações seriadas, acentuado a narratividade da cenografia, que conjugaria com o auto-retrato, criando um dispositivo de produção de sentido mais omnipresente no desenrolar do seu percurso fotográfico. A componente auto-retratista, activa desde 1981, evidencia-se a partir de 1987, num processo que começou com a série assim mesmo intitulada, Auto-Retratos. Cada uma destas séries fotográficas vem acompanhada de um título específico, de modo a sugerir um novo subtexto, numa tentativa de esclarecimento em relação à ambiguidade imagética, tão característica do seu trabalho, ao mesmo tempo que expõe o seu lado mais imaginário. Séries mais recentes como T.V. (1996) - iniciais de troppo vero (expressão que foi cunhada por Inocêncio Xl após ter visto, pela primeira vez, o seu retrato pintado por Velázquez), e Anatomia e Boxe (1997), revelam um uso do auto-retrato mais denso, como se falasse de uma mudança na consciência que se percebe nas expressões faciais, ou como a presença de um outro, um sósia. Nesta altura, Jorge Molder é já um reconhecido artista fotográfico.

Entre 1994 e 2009, foi o Director do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, instituição onde já exercia funções como assessor desde 1990. O fotógrafo representou Portugal nas Bienais de São Paulo (1994) e de Veneza (1999) apresentando, nesta última, uma exposição especialmente preparada para o Palazzo Vendramin dei Carmini, designada Nox, apresentando uma série de 36 fotografias dedicadas aos temas do esmorecimento, desmaio e queda. Desde 2006, podem destacar-se as seguintes exposições individuais: Algum Tempo Antes, Centro Galego de Arte Contemporânea, Santiago de Compostela (2006), Condições de Possibilidade, Centro de Artes Visuais, Coimbra (2006), Waiters, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa (2006), Não Tem Que Me Contar Seja o Que For, Cinemateca Portuguesa, Lisboa (2006), Algum Tempo Antes, Fundación Telefónica, Madrid (2006), Não Tem Que Me Contar Seja o Que For, Cinemateca de Madrid (2007), Di Note, Human too Human, European Photography, Reggio Emilia (2008), Malas Maneras, Galería Oliva Arauna, Madrid (2008) e De Todas as Formas e Feitios, Galeria Pedro Oliveira, Porto (2008). Para além das já mencionadas exposições colectivas, em São Paulo e Veneza, o alumnus participou ainda nas exposições Das Schwartze Quadrat (Hommage to Malewitsch), Hamburger Kunsthalle (2007), Artempo – Where Time Becomes Art. Palazzo Fortuny, Veneza (2007); Outras Zonas de Contacto – Colecção de Fotografia de Américo Marques, Fundação Carmona e Costa (2007), O Gabinete de Curiosidades de Domenico Vandelli – Transnaturakia, Museu Botânico, Coimbra (2007). 2006 marca também o ano em que foi distinguido com o Prémio AICA (Associação Internacional de Críticos de Arte), na categoria de Artes Visuais. No ano seguinte, apresenta em Bruxelas a colecção Jan Fabre – Le Temps Emprunté, no Palais des Beaux-Arts. Em 2010 vence o Grande Prémio EDP/Arte e em 2014 o Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores.

Jorge Molder continua a expor o seu trabalho fotográfico, para além de participar em projectos literários relacionados com a Fotografia. Em 2015, foram apresentados os livros Un Dimanche de Jorge Molder e Negro Teatro de Jorge Molder, de Alberto Ruiz de Samaniego, inspirados no sentimento expresso nas obras do artista, caracterizadas pelos limites ontológicos do ser humano, pela noção de morte, e pelos limites entre conceitos, como a racionalidade e a perda de razão ou de realidade. Todas as sensações e momentos emocionais subjectivos que Jorge Molder exterioriza através do auto-retrato.

José Barata-Moura

Filósofo, Professor Universitário e Cantormoura barata

José Adriano Rodrigues Barata-Moura nasceu em Lisboa, a 26 de Junho de 1948. Filósofo e cantor português, tem tanto discos musicais como livros de filosofia publicados.

Fez os seus estudos pré-universitários em França e realizou a Licenciatura em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1970, e o Doutoramento, em 1980. Conta com várias obras dedicadas a esta área do saber, que incluem estudos sobre filósofos com obra tão variegada como Aristóteles, Kant, Marx, entre outros.

A sua carreira universitária desenvolveu-se na Faculdade de Letras da Universiade de Lisboa, onde foi Presidente do Conselho Directivo de 1981 a 1982, tendo passado a Professor Catedrático em 1986. Em 1998 foi eleito Reitor da Universidade de Lisboa, cargo que desempenhou até 2006.

É membro de várias sociedades científicas, tendo sido presidente da Internationale Gesellschaft für dialektische Philosophie, de 1996 a 2000 e desde 2002 é membro do Conselho de Administração do Portal Universia Portugal. Foi ainda eleito membro correspondente da Academia das Ciências de Lisboa (Classe de Letras), em 2008. Enquanto autor, o alumnus, estreado em 1972 com a obra Kant e o conceito de Filosofia, soma mais de duas dezenas de publicações, que se tratam essencialmente de estudos e ensaios filosóficos. Entre os vários exemplares, destacam-se Estética da Canção Política (1977), O Coelho Barafunda (1979), Para uma Crítica da "Filosofia dos Valores" (1982), Da representação à "práxis" (1986, tema que é também tratado na obra seguinte, Ontologias da "práxis", e idealismos, no mesmo ano), Marx e a Crítica da "Escola Histórica do Direito" (1994), Estudos de Filosofia Portuguesa (1999) ou Sobre Lénine e a Filosofia. A Reivindicação de uma Ontologia Materialista Dialéctica com Projecto (2013), entre tantas outras obras vocacionadas para o estado da Filosofia.

Apesar de filósofo e pensador, José Barata-Moura é também um enorme admirador de Música, popularizando-se como cantor de intervenção. Em 1970 cantou pela primeira vez na televisão, no programa Zip-Zip, apresentando a música Ballade du Bidonville, cuja tradução foi interdita pela censura. Todavia, foi como cantor infantil que ficou célebre, tendo composto e interpretado músicas como Joana come a papa, Olha a bola Manel e O Fungagá da Bicharada. Esta actividade musical surgiu nos anos 60, quando começou a entreter as crianças da família da sua namorada, actual esposa, e essas músicas fazem parte da vida e do crescimento de várias gerações e tornaram-se parte integrante do vocabulário e das referências dos portugueses. O fungagá da bicharada deu origem, inclusivamente, a um programa infantil na televisão, apresentado por Júlio Isidro, que alcançou um enorme sucesso. O seu último disco foi lançado em 2005 e inclui o melhor das suas criações, intitulando-se Obra Infantil Completa.

No campo da política, em 1993 e 1994, foi deputado no Parlamento Europeu. Intitula-se um “militante anónimo” do Partido Comunista Português, tendo sido mandatário nacional da candidatura presidencial de Francisco Lopes, em 2011.

 
Consulte a testemunho de José Barata-Moura

Biografias Década 70

magalhaes ana maria franco alexandre antonio matos ferreira antonio carvalheiro cucha

Ana Maria Magalhães
Escritora e Professora

António Franco Alexandre
Poeta, Professor e Filósofo

António Matos Ferreira
Historiador e Professor

Cucha Carvalheiro
Actriz e Encenadora

aguiar dina filipe guilherme correia helia alcada isabel

Dina Aguiar
Jornalista e Pintora

Guilherme Filipe
Actor, Encenador e Professor

Hélia Correia
Escritora

Isabel Alçada
Escritora e Professora

medina isabel gama jaime joao barreiros joao c carvalho

Isabel Medina
Actriz e Encenadora

Jaime Gama
Político e Professor

João Barreiros
Escritor, Tradutor e Crítico

João de Carvalho
Actor e Encenador

molder jorge vaz de carvalho jiorge furtado jose afonso moura barata

Jorge Molder
Fotógrafo

Jorge Vaz de Carvalho
Barítono, Escritor e Professor

José Afonso Furtado
Professor e Escritor

José Barata-Moura
Filósofo, Professor e Cantor

eduardo oniz jorge letria martins jose nuno miguel cintra luis

José Eduardo Moniz
Jornalista e Escritor

José Jorge Letria
Jornalista e Escritor

José Nuno Martins
Autor, Produtor e Realizador

Luís Miguel Cintra
Actor e Encenador

costa gomes luisa clemente monteiro herminio carrilho

Luísa Costa Gomes
Escritora e Dramaturga

Manuel Clemente
Cardeal Patriarca de Lisboa 

Manuel Hermínio Monteiro
Empresário e Escritor

Manuel Maria Carrilho
Professor, Escritor e Político

gil margarida bonifacio maia gonzalez gui8lherme miguel

Margarida Gil
Cineasta, Actriz e Professora

Maria de Fátima Bonifácio
Historiadora

Maria Teresa Maia Gonzalez
Escritora

Miguel Guilherme
Actor e Encenador

 nuno judice  costa pedro  rosa varela gomes  salvato
Nuno Júdice
Poeta, Ensaísta e Escritor
Pedro Costa
Realizador e Cineasta
Rosa Varela Gomes
Professora e Historiadora 
Salvato Teles de Meneses
Professor, Tradutor e Escritor
 simonetta      
Simonetta Luz Afonso
Curadora e Museóloga
     

José Jorge Letria

Jornalista e Escritorjorge letria

José Jorge Alves Letria nasceu em Cascais, a 8 de Junho de 1951, e foi aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde cursou História e História de Arte. Também na Universidade de Lisboa, estudou Direito. À Licenciatura, seguiu-se a Pós-Graduação em Jornalismo Internacional e o Mestrado em “Estudos da Paz e da Guerra nas Novas Relações Internacionais” pela Universidade Autónoma de Lisboa, estando prestes a defender uma tese de doutoramento em Ciências da Comunicação no ISCTE. Jornalista desde 1970, começou por colaborar nos suplementos Juvenil e A Mosca do Diário de Lisboa, seguindo-se a Redacção e Edição em jornais como República, Diário de Notícias, O Diário (que ajudou a fundar) e Jornal de Letras, onde esteve como Editor-Chefe durante cerca de cinco anos. Foi ainda chefe de redacção do semanário Musicalíssimo e correspondente do Diário de Barcelona Tele-Express (1974/75) e da revista Delibros, do Ministério da Cultura de Espanha. Após a obtenção do grau de Mestre, inicia a carreira de docente do Ensino Secundário, área em que exerceu de 1982 a 1985, cuja actividade influenciou a elaboração de três das suas obras infanto-juvenis, sendo o autor de dezenas de livros dedicados a este público, sobretudo vocacionados para a História de Portugal e para questões sociais várias. O seu livro para crianças O Homem que Tinha uma Árvore na Cabeça integrou, em 2002, a lista “Books and Reading for Intercultural Education”, da União Europeia.

Por ter sido um dos poucos civis a tomar conhecimento prévio do Golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, e dada a sua actividade revolucionária no panorama musical, ao lado de nomes como José Afonso e Manuel Freire, com quem integrou o movimento da canção da resistência (todos os discos anteriores ao 25 de Abril foram proibidos pela Censura), colaborou com os militares na Direcção da Emissora Nacional e foi o responsável pela programação musical da estação oficial até meados de 1975. Desta sua experiência, resulta a obra Uma Noite Fez-se Abril (1999), tema a que volta, em 2013, com a obra E Tudo Era Possível - Retrato de Juventude com Abril em Fundo. Em 1972, torna-se membro do PCP, desvinculando-se do Partido em 1991, juntando-se ao PS, em 1995.

Em 1992 foi-lhe atribuída a medalha da Internationale des Arts et des Lettres sendo, cinco anos depois, agraciado com a Ordem da Liberdade pelo Presidente Jorge Sampaio. Entre 1994 e 2001, foi vereador da Cultura da Câmara Municipal de Cascais, cumprindo dois mandatos, onde se destacou a coordenar ou criar projectos como os Cursos Internacionais, cinco prémios literários ou a revista Boca do Inferno. Após a conclusão do segundo mandato, foi dado o seu nome a uma Escola Primária em Cascais, altura em que foi também distinguido com a Medalha de Honra do Município de Cascais (2002). Também em Cascais, foi Presidente da Fundação São Francisco de Assis, destinada ao acolhimento de animais abandonados. A sua sensibilidade relativamente aos Direitos dos Animais pode ser lida em obras suas como Amados Cães (2007), Amados Gatos (2007) e Coração Sem Abrigo (2009), que narra a vida de um sem-abrigo e o seu cão de companhia. Por estes motivos recebeu, em Novembro de 2009, o Prémio Manuel de Arriaga, instituído pela Sociedade Protectora dos Animais.

José Jorge Letria publicou obras de vários géneros literários que abrangem a Poesia, o Ensaio e o Conto. A carreira de escritor, iniciada em 1973, com a obra poética Mágoas Territoriais, conta com quase duas centenas de títulos publicados, sendo repetidamente alvo de distinções e premiações nacionais e internacionais. Para além das que já foram referidas, destacam-se dois Grandes Prémios da APE (nas categorias de Conto e Teatro), o Prémio Internacional Unesco (França), o Prémio Aula de Poesia de Barcelona, o Prémio Plural (México), o Prémio da Associação Paulista de Críticos de Arte (São Paulo), o Prémio Gulbenkian, o Grande Prémio Garrett da Secretaria de Estado da Cultural, o Prémio Eça de Queirós-Município de Lisboa (duas vezes), o Prémio Ferreira de Castro de Literatura Infantil (três vezes), o Prémio “O Ambiente na Literatura Infantil” (três vezes), o Prémio Garrett, o Prémio José Régio de Teatro, o Prémio Camilo Pessanha do IPOR, entre muitos outros.

Actualmente, é o Presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores, sendo primeiramente eleito em 2010 e reeleito quatro anos depois, em 2014, Presidente da Fundação S. Francisco de Assis, Vice-Presidente da Direcção e Administração da Casa da Imprensa e Vice-Presidente da Fundação D. Luís I, integrando várias outras associações culturais, nomeadamente os corpos sociais da Fundação Paula Rego (desde 2009).

João Barreiros

Escritor, Tradutor e Críticojoao barreiros

Nascido a 31 de Julho de 1952, João Manuel Rosado Barreiros, também conhecido pelo pseudónimo José de Barros, foi aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa durante a década de 70 onde, em 1977, conclui a Licenciatura em Filosofia, conciliando o percurso estudantil com o de docente de Ensino Secundário, iniciado em 1975.

Até então, dois dos seus contos tinham já ganho Prémios Literários, em 1966 e por volta de 1970, ainda que só um dos contos tenha sido publicado em Portugal, num suplemento do Diário de Lisboa. No ano da conclusão da Licenciatura, torna a publicar uma pequena colectânea de dois contos, auto-editada, e intitulada Duas Fábulas Tecnocráticas.

Já durante a década de 80, o alumnus dedica-se à elaboração e publicação das primeiras traduções, traduzindo, entre 1981 a 1985, Por Outros Mundos, de A. A. Attanasio (1981), O Olho da Rainha, de Phillip Mann (1982), Os Pescadores de Trevamar, de Roger Eldridge (1982), A Canção de Kali, de Dan Simmons (1985), altura em que elaborou também os seus primeiros artigos. Durante a década de 80, colabora com o semanário E Ainda…, com a revista Omnia, escreve os artigos A Ficção Científica Como Tema e Problema e FC no Cinema: A História de uma Traição?, para a Antologia da Cinemateca 1984, o Futuro é já Hoje? (editada por João Bénard da Costa), tendo participado feitura do Grande Ciclo do Filme de FC de 1984, patrocinado pela Cinemateca Portuguesa e Fundação Gulbenkian, criando, desde logo, uma forte proximidade com a área do Cinema, direccionada, sobretudo, para a Ficção Científica, género a que dedicaria boa parte da sua bibliografia, sobretudo a partir dos anos 90. É também na década de 90 que o alumnus reedita alguns dos seus contos, dispersos por revistas e outras publicações periódicas, sob a forma de antologias, destacando-se O Caçador de Brinquedos e Outras Histórias (1994) e, dois anos depois, publica o romance Terrarium, escrito em colaboração com Luís Filipe Silva.

Na mesma altura, João Barreiros passa também a elaborar uma história por ano, que integrava depois as antologias editadas por ocasião dos Encontros de FC&F de Cascais (até 1999). Em 1995, visando a divulgação da Ficção Científica como género em Portugal, João Barreiros torna-se membro co-fundador da Simetria – Associação Portuguesa de Ficção Científica e Fantástico, de onde se retirou quatro anos depois. Em 2000 retorna ao Conto, na revista Paradoxo e na antologia Linhas Cruzadas. No ano seguinte, estreia-se na E-nigma, com a sua adaptação da produção da Disney No Céu Entre os Dumbos (a que foi dedicado um chapbook pela editora Areia, em 2006), revista onde são reeditados vários dos seus contos. Em 2002, publica o livro Não Estamos Divertidos, a que se segue A Verdadeira Invasão dos Marcianos (2004), que mereceu edição espanhola e criticas bastante favoráveis no jornal El País.

Em meados dos anos 2000, João Barreiros colabora também com publicações como o jornal Público ou a revista Invista, tendo ainda colaborado com a revista Somnium, a revista Paradoxo, a revista Ler e a revista Os Meus Livros, mantendo actividade de crítico, analista e estudioso de questões relacionadas com a Ficção. Em 2005, torna-se membro da Associação Portuguesa do Fantástico nas Artes.

Até ao Presente, João Barreiros continua a dedicar-se à elaboração e publicação do seu trabalho, tendo publicado uma dezena de livros entre 2010 e 2015, de onde se destacam obras como a compilação Se Acordar Antes de Morrer (2010), Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa (2011), Lisboa no Ano 2000 – Uma Antologia Assombrosa Sobre uma Cidade que Nunca Existiu (2013) ou O Coração é um Predador Solitário (2015).