Biografias

Biografias

Personalidades anteriores aos anos 50

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Iniciamos o nosso percurso de Memórias Vivas na década em que a Faculdade de Letras é transferida da Academia de Ciências de Lisboa para um novo edifício localizado na Alameda da Universidade, inaugurado nos anos 50. Todavia, não podemos esquecer alguns notáveis Alumni que fazem parte da nossa história e que muito contribuíram para a cultura portuguesa. Assim, recordamos…

Francisco Vieira de Almeida (1888-1962), licenciado pela Faculdade de Letras , iniciou a actividade docente no ensino secundário. Doutorando-se em Filosofia, concorreu ao grupo de História (1915) e, em 1921, à secção de Filosofia da Faculdade em que se graduara, aí ascendendo à cátedra em 1930, onde virá a exercer até 1958. Monárquico liberal, Vieira de Almeida está entre os fundadores da breve (apenas dois números) Revista dos Homens Livres, e desenvolveu contactos com o grupo da Seara Nova. A 30 de Outubro de 1987, foi feito Grande-Oficial da Ordem da Liberdade a título póstumo.

Vitorino Nemésio, poeta, romancista e professor catedrático da FLUL, instituição onde leccionou Literatura Portuguesa, Literatura Brasileira e História da Cultura Portuguesa. Autor distinguido com o Prémio Nacional de Literatura em 1965 e o Prémio Montaigne, em 1974, levou a cultura nacional, e não só, a muitos lares portugueses, na década de setenta com o famoso programa televisivo Se bem me lembro.

Orlando Ribeiro, o primeiro professor de Geografia da FLUL, licenciado em Geografia e História em 1932, com o posterior doutoramento três anos depois, com a tese A Arrábida, esboço geográfico.

Sophia de Mello Breyner Andresen, conceituada escritora que entre 1936 e 1939 estuda Filologia Clássica na Universidade de Lisboa (sem chegar a concluir).

Jacinto Prado Coelho, licenciado em Filologia Românica em 1941, e doutorado seis anos depois, com a tese Introdução ao Estudo da Novela Camiliana. Do vasto contributo que deu para a divulgação de escritores portugueses, saliente-se, a título de exemplo, a edição da obra completa de Camilo Castelo Branco e o ensaio sobre Pessoa, Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa (1947).

José Hermano Saraiva, licenciado em Ciências Histórico-filosóficas em 1941, "O Príncipe dos Comunicadores" como era afectuosamente tratado, tornou-se conhecido do grande público sobretudo pelos vários programas de história que apresentou na RTP, entre 1970 e 2011, com destaque para Horizontes da Memória e A Alma e a Gente. É autor, entre outros, da História Concisa de Portugal, obra traduzida em espanhol, italiano, alemão, búlgaro e chinês.

Virgínia Rau, licenciada em Ciências Históricas e Filosóficas na FLUL, no ano de 1943 e doutorada em 1947, dedicou grande parte da sua vida à investigação e docência na Faculdade de Letras. Entre 1958 e 1973, fundou e dirigiu o Centro de Estudos Históricos, do Instituto de Alta Cultura (que é hoje o Centro de História da Universidade de Lisboa), além de ter sido directora da FLUL no período de 1964 a 1969. Em 1969 é distinguida com grau de Grande Oficial da Ordem da Instrução Pública.

Jorge Borges de Macedo, historiador e professor universitário, licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na FLUL em 1944, onde veio mais tarde a leccionar. Em 1990 foi indigitado a Director do Arquivo Nacional da Torre do Tombo e no ano seguinte jubilou-se como Professor Catedrático da Universidade de Lisboa, tendo sido homenageado com o colar de Grande Oficial da Ordem de Santiago da Espada.

Fernando de Mello Moser, filólogo e ensaísta, professor catedrático na Faculdade de Letras, tendo-se doutorado em 1969 com a tese intitulada Charles Williams: Demanda, Visão e Mito. Foi também presidente do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, actual Instituto Camões. É considerado o maior especialista português e um dos maiores a nível internacional no que à obra de Thomas More e William Shakespeare diz respeito. 

Como se verifica, ao longo da sua existência a FLUL fica associada a figuras de incontornável relevância, marcantes quer na universidade quer na vida pública portuguesa.