Maria Velho da Costa

Escritora

maria velho

Nascida a 26 de Junho de 1938 em Lisboa, Maria de Fátima de Bivar Velho da Costa foi aluna da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa nos finais da década de 50, onde concluiu, já nos inícios dos anos 60, a licenciatura em Filologia Germânica.

Em 1966, publica a sua obra de estreia, O Lugar Comum (1966) e, três anos depois, segue-se a publicação da obra Maina Mendes. O ano de 1972 seria marcado pelo lançamento de mais duas obras: Ensino Primário e Ideologia e Novas Cartas Portuguesas. Esta última foi escrita em co-autoria com Maria Teresa Horta e Maria Barreno, também elas antigas alunas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que se notabilizam sob a designação de ''As Três Marias''. Por Novas Cartas Portuguesas constituírem um enorme progressismo literário e mesmo conceptual em relação ao papel da Mulher, ainda mais no estado ditatorial de Marcelo Caetano, foi levantado um processo judicial por ''pornografia e ofensas à moral pública'', que só seria levantado depois do 25 de Abril de 1974. Contudo, a partir de 1973, a alumna torna-se membro da Direcção e Presidente da Associação Portuguesa de Escritores, onde permaneceu até 1978.

Após o 25 de Abril, é publicada a obra Cravo (1976), a primeira publicação da autoria Maria Velho da Costa após a Revolução dos Cravos. No ano seguinte, são também publicadas as obras Português; Trabalhador; Doente Mental e Casas Pardas, obra duplamente distinguida, primeiramente, com o Prémio Cidade de Lisboa (1977) e, depois, com o Prémio Nacional de Novelística (1978). No ano seguinte, exerce como Adjunta do Secretário de Estado da Cultura, desempenhando funções semelhantes entre 1988 e 1991, enquanto Adida Cultural em Cabo Verde. Desempenhou também o cargo de leitora do Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros do King's College, Universidade de Londres, entre 1980 e 1987. Durante este período, a sua obra escrita continua a ser distinguida pelas mais diversas instituições literárias. Lúcialima, romance publicado a 1983, é distinguido, no mesmo ano, com o Prémio D. Diniz. Missa in albis, romance publicado em 1988, é distinguido, no ano seguinte, com o Prémio PEN Clube Português de Novelística. A 1994, o livro de contos Dores foi duplamente distinguido, com o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco e com Prémio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários, ambos recebidos no ano da publicação da obra. Três anos depois, a 1997, Maria Velho da Costa recebe o Prémio Vergílio Ferreira, pela totalidade da sua obra até à data, composta por romances, contos, ensaios e livros de Poesia.

Apesar do seu vasto contributo para o universo literário, Maria Velho da Costa mantém também contacto com o universo cinematográfico, tendo colaborado em longas-metragens de cineastas como João César Monteiro (nomeadamente nos filmes Que Farei eu com esta Espada?, em 1975, ou Veredas, 1978), ou Margarida Gil (com quem colaborou nos filmes Rosa Negra, 1992, ou Anjo da Guarda, 1998), entre outros.

A partir de 2000, a obra de Maria Velho da Costa torna a ser distinguida, recebe o Grande Prémio de Teatro da APE/Ministério da Cultura, pela obra Madame, e o Grande Prémio de Romance e Novela APE/DGLAB, pela obra Irene ou o contrato social. Dois anos depois, é anunciada como a vencedora do Prémio Camões (2002). Em 2003, é feita Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal, sendo, posteriormente, feita Grande-Oficial da Ordem da Liberdade de Portugal, a 25 de Abril de 2011. A partir desta altura, as distinções literárias mais recentes à autora incidem, sobretudo, na obra Myra, publicada a 2008 e distinguida por quatro vezes, com o Prémio PEN Clube Português de Novelística, em 2009, o Prémio Máxima de Literatura, também em 2009 e, em 2010, o Prémio Literário Correntes d’Escritas/Casino da Póvoa e o Grande Prémio de Literatura DST. Recentemente, recebeu também o Grande Prémio Vida Literária APE/CGD, em 2013, atribuído pela totalidade do seu trabalho.

Actualmente, Maria Velho da Costa exerce funções no Instituto Camões, continuando a manter o contacto com a Literatura, constituindo-se, igualmente, como uma das figuras femininas mais ligadas ao antifascismo.