Maria Teresa Horta

Escritora e Poetisateresa horta

Nascida a 20 de Maio de 1937 em Lisboa, Maria Teresa Mascarenhas Horta foi aluna da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa nos inícios da década de 60, altura em que se iniciou no mundo da Poesia.

Exactamente a 1960 publica a primeira obra da sua autoria Espelho Inicial. No ano seguinte forma, juntamente com Casimiro de Brito, Luiza Neto Jorge, Gastão Cruz e Fiama Hasse Pais Brandão, a denominada ‘’Poesia 61’’, inicialmente uma revista poética, onde publicou a obra Tatuagem, que progrediu para um grupo literário com a mesma designação. Até 1969, publica as obras Submersas (1961), Verão Coincidente (1962), Amor Habitado (1963), Candelabro (1964), Jardim de Inverno (1966), e Cronista Não é Recado (1967). A partir de 1969, inicia também uma carreira jornalística, colaborando, primeiramente, com A Capital, com a coordenação do suplemento "Literatura e Arte", seguindo-se depois outras colaborações em publicações como o Diário de Notícias, o Jornal de Letras e Artes, a Hidra 1, entre outros, chegando a dirigir a revista Mulheres, de 1977 a 1989, um órgão oficioso do Movimento de Libertação das Mulheres. Esta associação que lhe é feita ao Feminismo provém da obra Novas Cartas Portuguesas (inspirada nos amores de Mariana Alcoforado, a lendária freira de Beja), publicada a 1972 e elaborada com a co-autoria das escritoras Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa. Este trio literário ficaria internacionalmente reconhecido como ‘’As Três Marias’’, não só por esse ser o nome de todas as autoras, mas também por Maria ser um epítome nacionalmente representativo da feminilidade. Devido ao carácter ousado da obra, e à limitadíssima liberdade criativa da altura, foi levantado um processo judicial por "pornografia e ofensas à moral pública", que só seria levantado após o 25 de Abril de 1974. Já no ano anterior à publicação de Novas Cartas Portuguesas, Maria Teresa Horta publicara a obra Minha Senhora de Mim, considerado um marco na criação poética feminina em Portugal. O livro foi apreendido, de imediato, pela polícia política e esteve na origem de uma campanha de ameaças, insultos e de uma agressão à autora na via pública. Durante as décadas de 60 e 70, foi ainda a dirigente do ABC Cine-Clube de Lisboa.

A partir do 25 de Abril, Maria Teresa Horta foi militante no PCP (partido que abandonou em 1990) e, com uma renovada liberdade para a escrita, continuou a publicar obras da sua autoria, maioritariamente vocacionadas para a condição feminina, das quais se destacam A Educação Sentimental (1975), Mulheres de Abril (1976), Poesia Completa I e II (1983) Antologia Política (1994), Destino (1997) entre outras. Para além das obras de autor, uma parte do seu trabalho literário encontra-se também dispersa por diversas publicações, nomeadamente as revistas Seara Nova, Vértice, Flama, Eva, Cadernos do Meio Dia, Hidra I, Colóquio-Letras, Hífen e Ler.

Devido à sua vasta carreira e actividade literária, Maria Teresa Horta foi condecorada com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique pelo Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio, em 2004. A 2008, foi distinguida com o “Prémio Paridade: Mulheres e Homens na Comunicação Social”, pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. A 2010 vence o ‘’Prémio Máxima Vida Literária’’, pelo seu livro Poesia Reunida. Dois anos depois, recebe o ‘’Prémio D. Dinis - 2011’’, da Fundação da Casa de Mateus, atribuído, por unanimidade, ao romance As Luzes de Leonor. O mesmo livro foi galardoado, também em 2012, com o Prémio Máxima Literatura. Em 2013 é designada pelo ENGE (Instituto Europeu para a Igualdade de Género), juntamente com Maria Isabel Barreno, «mulher inspiradora da Europa» pela co-autoria de Novas Cartas Portuguesas. Em Fevereiro de 2014, é a escritora homenageada das Correntes d'Escrita, que lhe dedica a capa e o dossier da revista com o mesmo título. Em 22 de Maio de 2014, é-lhe entregue, pelo presidente da SPA, José Jorge Letria, o Prémio Consagração de Carreira.