Almeida Faria

Escritorfaria almeida

Nascido a 6 de Maio de 1943, em Montemor-o-Novo, Benigno José Mira de Almeida Faria foi aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa durante os anos 60, onde concluiu a Licenciatura em Filosofia, após uma passagem pela Faculdade de Direito, da mesma Universidade, interrompida pelo seu envolvimento na contestação estudantil. 

Enquanto aluno liceal, parcialmente feito em Évora, Almeida Faria teve como professor o célebre Vergílio Ferreira, que prefaciou o seu primeiro livro, Rumor Branco, publicado a 1962, quando Almeida Faria tinha dezanove anos. A mesma obra obteve o Prémio Revelação de Romance, da Sociedade Portuguesa de Escritores, no mesmo ano da sua publicação. Três anos depois, é lançada a sua segunda obra, o romance Paixão, a que se segue a trilogia Tetralogia Lusitana, composta por três volumes, Cortes (1978), vencedor do Prémio Aquilino Ribeiro da Academia das Ciências de Lisboa, Lusitânia (1980), que arrecadou o Prémio D. Diniz e Cavaleiro Andante (1983), que recebeu o Prémio Originais de Ficção. Um ano antes do lançamento do último volume da trilogia, é também publicado um conto da sua autoria, designado de Os passeios do sonhador solitário. 

Até à data, Almeida Faria passara já por outras vastas experiências no mundo literário, para além da criação da sua identidade autoral. Durante dois anos (1968-1969), viveu nos Estados Unidos como escritor residente, no âmbito do International Writing Program, em Iowa, tendo também residido em Berlim, onde fez parte do Berliner Künstlerprogram no qual participaram, entre outros, Gombrowicz, Michel Butor, Peter Handke e Mario Vargas Llosa. Em 1979, seleccionou e traduziu Poemas Políticos de Hans Magnus Enzensberger sendo que, a 24 de Janeiro do mesmo ano, torna-se no primeiro Director do recém-criado PEN Club Português, instituição que lutava desde os anos 30 pelo seu lugar em Portugal, conseguido somente após a queda do regime fascista. Enquanto autor, Almeida Faria prossegue com a sua actividade literária, expandindo-se para outras categorias que não o Romance. 

A 1984 lança o livro Um Cão chamado Bolotas, a que se segue o Ensaio Do Poeta-Pintor ao Pintor-Poeta (1988). A 1990, publica O Conquistador, seguindo-se duas peças de Teatro, Vozes da Paixão (1998) e Reviravolta (1999). Durante décadas, foi também colaborador em diversas publicações periódicas, tanto nacionais como estrangeiras, das quais se destacam a revista O Tempo e o Modo 60/61 (durante os anos 60), a publicação Studies in Portuguese Literature (cidade de Nova Orleães, durante os anos 70), a revista Quaderni Portoghesi (No ano de 1977, cidade de Pisa), a revista Ibidem (1980). Nos anos 80 colaborou também em publicações como L'Illustrazione Italiana 1 (Milão), a revista alemã Jahresring, elaborou o artigo O Super-Português Estrangeirado, publicado no número especial da revista Prelo a 1984, entre outras colaborações mais que duram até á década seguinte. 

Os anos 2000 arrancam para Almeida Faria com uma nova distinção, sendo galardoado com o Prémio Vergílio Ferreira, atribuído pela Universidade de Évora, pouco depois de ter recebido, na sua terra Natal, a Medalha de Mérito Cultural, atribuída pelo Ministro da Cultura e entregue na Biblioteca de Montemor-o-Novo. Durante este período, lança mais três obras, a peça de Teatro À hora do fecho (2000), o conto Vanitas 51, Avenue d'Iéna (2007) e O murmúrio do mundo: a Índia revisitada, num contexto de literatura de viagens, publicado em 2012, o mesmo ano em que o alumnus é anunciado o vencedor do Tributo de Consagração Fundação Inês de Castro.

Actualmente, Almeida Faria é um reconhecido autor, com a sua obra traduzida para diversas línguas estrangeiras, para além de exercer como docente na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, no curso de Filosofia.