Ricardo Costa

Cineasta e Realizadorricardeo costa

Nascido a 25 de Janeiro de 1940, em Peniche, Ricardo Costa foi aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa durante os anos 60, concluindo a Licenciatura em 1967, com a tese Franz Kafka, Uma Escrita Invertida, defendida dois anos depois (1969).

Até à Revolução dos Cravos, exerceu funções como docente no Ensino Secundário e ainda como editor literário, para a Mondar Editores, publicando, sobretudo, textos sociológicos e obras de vanguarda de Literatura e de Cinema. Quando se dá o 25 de Abril, Ricardo Costa colabora com a estação televisiva alemã ARD e com a estação norte-americana CBS na cobertura dos acontecimentos revolucionários, estreando-se, desta forma, no mundo da realização e da produção documental. Na mesma altura, juntamente com João César Monteiro, Jorge Silva Melo, Alberto Seixas Santos, Margarida Gil, Solveig Nordlund e Acácio de Almeida, integra a cooperativa Grupo Zero.

Em 1976, funda a Diafilme, uma empresa de produção cinematográfica gerida pelo próprio em associação com Ilídio Ribeiro, que também estivera ligado à Mondar Editores, activa até 1990. Já antes da fundação da produtora, em 1975, Ricardo Costa realizara duas longas-metragens: As Armas e o Povo, um filme de imagens do 25 de Abril, e Avieiros, realizado individualmente, que relata a vida de um pescador após o 25 de Abril.

Desde 1974 que vinha a produzir uma série de curtas-metragens e médias-metragens, somando-se, desse ano até 1980, mais de trinta produções deste género, constituindo as realizadas entre 1975 e 1977 um conjunto de documentários destinados à série Mar Limiar, emitida pela RTP. Essa série incluiu, também, a já referida longa-metragem Avieiros (1975/1976) e a longa-metragem Mau Tempo, Marés e Mudança (1976/1977).

Em 1979, Ricardo Costa, já bastante prestigiado pelo seu trabalho em Mar Limiar, iniciou uma outra série televisiva a ser transmitida pela RTP, O Homem Montanhês, na qualidade de argumentista e com Óscar Cruz como produtor executivo para a sua empresa Diafilme. A série pretendia dar a conhecer as tradições e os reflexos da sociedade moderna numa das zonas mais remotas de Portugal e terá tido uma segunda emissão na RTP2 no início dos anos 80. O Homem Montanhês foi apresentado no 10º Festival Internacional de Cinema de Santarém, sendo galardoado com o Prémio Cidade de Santarém e, em 1981, no 10º Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz.

Além da sua obra enquanto cineasta, foi também autor de alguns artigos e ensaios sobre Cinema. Em 1982 publica o seu primeiro texto, um artigo intitulado O Olhar Antes do Cinema, a que se somam Os Olhos e o Cinema (1997), Os Olhos no Ecrã (2000) e Os Olhos da Ideia (2002), três ensaios, para além do artigo A Outra Face do Espelho (2000).

Embora se tenha celebrizado sobretudo pelo Cinema Documental, Ricardo Costa, influenciado pela obra de outros géneros e outro cineastas, como Leitão de Barros, Manoel de Oliveira e António Campos, veio a realizar alguns filmes de ficção. Assim, em 1980, é estreada a primeira longa-metragem de Ficção - Verde Por Fora, Vermelho Por Dentro, uma comédia sarcástica com implicações histórico-políticas, o filme O Nosso Futebol (1985) torna a jogar com o elemento de reflexão histórico-social, tratando-se da História do futebol em Portugal.

Entre os anos 90 e 2000, Ricardo Costa organiza projecções e ciclos de filmes em Paris, na Cinemateca Francesa e no Museu do Homem. Só em 2003 torna a realizar mais uma longa-metragem, Brumas, de carácter experimentalista e autobiográfico, estreada internacionalmente no Festival de Veneza (Novos Territórios), nesse mesmo ano. Este filme trata-se de uma trilogia composta por Longes, Derivas e Arribas.