Jorge Silva Melo

Actor, Realizador e Encenadorsilva melo jorge

Nascido a 7 de Agosto de 1948 em Lisboa, Jorge Silva Melo foi aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa durante a década de 60. Enquanto estudante universitário, integrou o Grupo de Teatro de Letras, onde fez O Anfitrião, juntamente com Luís Miguel Cintra, uma peça que criticava a actualidade do Teatro e que teve um enorme sucesso. Aos vinte e um anos estudou Cinema na London Film School (1969-1970) e, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, estagiou em Berlim, na Alemanha, com Peter Stein, de quem foi assistente durante nove meses, e em Milão, na Itália, com Giorgio Strehler. Ao regressar a Portugal, em 1973, fundou com Luís Miguel Cintra o Teatro da Cornucópia, que dirigiu até 1979, e onde manteve actividade como actor e encenador. Entre 1975 e 1979, participou também na cooperativa de Cinema ‘’Grupo Zero’’, tendo nove películas assinadas por si.

Durante a década de 80, estreia-se como realizador de Cinema com a longa-metragem Passagem - Ou a Meio Caminho (1980), uma adaptação sobre a vida de Georg Büchner. Foi o realizador e argumentista de filmes como Ninguém Duas Vezes (1985) e Agosto (1988). Participou ainda como actor em produções cinematográficas como Silvestre (1981), Ilha dos Amores (1982), O Sapato de Cetim (1985), Vertigens (1985), Repórter X (1987) ou O Bobo (1987). Foi também nos anos 80 que exerceu como professor na Escola de Cinema de Lisboa, de 1982 a 1987. Na década seguinte, Jorge Silva Melo continua no mundo da Realização Cinematográfica, realizando três filmes, Coitado do Jorge (1993), A Entrada na Vida (1997) e A Marca do Bravo (1999), estes dois últimos de tipo documental.

Participa como actor nas produções Swing Troubadour (1991) e Das Tripas Coração (1992).

O grande acontecimento que marca a carreira de Jorge Silva Melo na década de 90 é a fundação da Companhia Artistas Unidos, que nascera a partir do grupo que estreou, em 1995, António, um Rapaz de Lisboa. Na fase de arranque, as peças postas em cena eram quase sempre incidentes em questões de natureza socio-política.

A partir dos anos 2000, Jorge Silva Melo era já uma figura célebre no mundo do Teatro e do Cinema, dedicando a sua actividade quase exclusivamente à realização e produção e abandonando a representação. De 2002 até ao presente, realizou e ajudou a produzir quase duas dezenas de filmes, sete dos quais constituem a saga documental Ângelo de Sousa - Tudo o Que Sou Capaz (2010), sendo ainda argumentista em seis outras produções. A 29 de Janeiro de 2004, recusou o Prémio Almada para Teatro instituído pelo Instituto das Artes, alegando que não compete ao Estado distinguir uns em detrimento de outros.