Luíza Neto Jorge

Poetisa e Tradutoraneto jorge luiza

Nascida a 10 de Maio de 1939 em Lisboa, Luíza Neto Jorge ingressou no curso de Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a 1957, vindo a abandoná-lo em 1961, para ir leccionar no Liceu de Faro, no ano lectivo de 1961-1962. Durante a sua estada nesta instituição foi, ao lado de nomes como Fiama Hasse Pais Brandão, Gastão Cruz e José da Silva Louro, fundadora do Grupo de Teatro de Letras, bem como um dos cinco membros integrantes do grupo Poesia 61, contribuindo, para a revista do grupo, com a publicação Quarta Dimensão. Contudo, essa não foi a sua estreia literária, pois em 1960 saíra, na colecção A Palavra (Faro), o seu primeiro conjunto de poemas, a plaquette A Noite Vertebrada. A sua linguagem poética distinguia-se, sobretudo, devido à consolidação de um registo lírico, mas igualmente surrealista, chegando a afirmar: «A moderna poesia ocidental tem raízes bastante fundas no surrealismo» (Diário de Lisboa, 25 de Maio de 1961). 

Em 1962 viajou até Paris onde residiu até 1970. Publicou, em 1964, 1966 e 1969, respectivamente, os livros Terra Imóvel, O Seu a Seu Tempo e Dezanove Recantos. O ano de 1970 marcou o seu regresso definitivo a Portugal, exercendo funções como tradutora, colaboradora em argumentação de Cinema e adaptando produções para o Teatro, caso de O Fatalista de Diderot, espectáculo criado por Osório Mateus, em 1978.

Em 1973, publicou a antologia poética Os Sítios Sitiados, onde se incluía o poema O Ciclópico Acto que, no ano anterior, tivera já uma edição autónoma, ilustrada pelo pintor Jorge Martins. Dessa altura até à década de 80, Luíza Neto Jorge não lança novas obras, mantendo actividade noutros sectores. Em 1975, colaborou para o argumento de Os Brandos Costumes, de Alberto Seixas Santos e, a partir de 1984, surgem alguns poemas em revistas, nomeadamente na Colóquio/Letras (1984 e 1987), e na Pravda (1988). É também em 1984 que, na privacidade da sua esfera social, edita o livro 11 Poemas, com onze desenhos de Jorge Martins (com quem já trabalhara), de que foram tirados 100 exemplares.

Para além da Poesia, Luíza Neto Jorge foi ainda uma prestigiada tradutora, levando a cabo traduções de autores como Sade, Goethe (o Fausto), Verlaine, Marguerite Yourcenar, Jean Genet, Witold Gombrowicz, Apollinaire, Karl Valentim, Garcia Lorca, Ionesco, Boris Vian, Oscar Panizza, entre outros, recebendo, em 1987, o Grande Prémio de Tradução Literária, atribuído pelo P.E.N Clube Português, pela tradução da obra Mort à Crédit, de Louis-Ferdinand Céline.

Faleceu em Fevereiro 1989, vítima de doença pulmonar, contra a qual lutou nos últimos tempos de vida. Em Maio desse ano, é lançado o livro póstumo A Lume, que deixara ordenado ainda que com uma série de anotações e correcções pessoais. Coube a Manuel João Gomes organizar o manuscrito e prepará-lo para publicação.

Dado que a alumna não publicou obras completas durante os últimos dezasseis anos de vida, mas sim poemas avulsos em diferentes publicações, em 1993 é publicada a totalidade da sua obra poética num só volume, intitulado Poesia, organizado pela mão de Fernando Cabral Martins.