Maria João Seixas

Jornalista e Autora

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Maria João Seixas, nascida a 31 de Maio de 1945 em Moçambique, foi aluna da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa durante a década de 60, onde concluiu a Licenciatura em Filosofia em 1969. Pouco depois, de 1974 a 1976, foi Secretária-Adjunta do Major Vítor Alves, nos cargos que este ocupou em diversos governos provisórios no período pós-revolucionário. Foi também em 1976 que integrou a equipa de Maria de Lourdes Pintasilgo, na Comissão da Condição Feminina. Dois anos depois, assumiu a Direcção do Departamento de Produção de Filmes para Emigrantes da Secretaria de Estado da Emigração, até 1980, ano em que ocupou a Direcção do Departamento de Venda de Programas da RTP, até 1986. Em 1977, Maria João Seixas notabilizou-se na condição de membro do Júri do concurso televisivo da Radiotelevisão Portuguesa A Visita da Cornélia, apresentado por Raul Solnado. Devido à qualidade da sua prestação, ficou responsável pelo programa da RTP E Agora Maria?, que foi para o ar em 1978, estreando-se como autora e apresentadora de programas culturais.

Entre 1983 e 1984, Maria João Seixas foi sócia-gerente da Uniportugal, empresa vocacionada para a internacionalização do Cinema Português. Dois anos depois, torna-se Vice-Presidente do EFDO - European Film Distribution Office (Programa MEDIA), cargo que ocupou até 1997. Durante este período, prossegue também com a carreira televisiva, sendo autora e apresentadora na RTP2 nos programas Quem Fala Assim…(1994), Sempre aos Domingos (1995) e Olhos nos Olhos (1998).

Entre 1995 e 1997, foi assessora do primeiro-ministro António Guterres para os Assuntos Culturais. A partir de 1999, começa a colaborar para o jornal Público, como autora e entrevistadora, numa rúbrica intitulada Conversas com vista para..., actividade que manteve até 2006. Algumas dessas entrevistas feitas a personalidades femininas foram posteriormente compiladas e publicadas, em 2010, numa obra intitulada República das Mulheres, onde encontramos nomes como Ana Hatherly, Hélia Correia, Inês Pedrosa, Lídia Jorge, Luísa Costa Gomes, Maria Andresen, Maria do Rosário Pedreira, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa, entre outras. Na mesma altura, mais concretamente de 2003 a 2007, em colaboração com as Há4, foi autora e produtora das cinco edições dos Clássicos na Gulbenkian. É também neste período que a alumna é distinguida com a Comenda da Ordem Militar de Cristo, a 4 de Outubro de 2004.

Em 2010, após um vasto percurso profissional no âmbito jornalístico e cultural, Maria João Seixas sucede a João Bénard da Costa na Direcção da Cinemateca Portuguesa, funções que desempenha até 2013. Apesar de sofrer de gaguez desde a infância, Maria João Seixas nunca permitiu que essa sua condição fosse impeditiva para seu progresso profissional, chegando, inclusivamente, a brincar com o assunto.