Lídia Jorge

jorge lidia

Escritora e Professora

Lídia Guerreiro Jorge, nascida a 18 de Junho de 1946 em Boliqueime (Loulé), licenciou-se pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em Filologia Românica, no final dos anos 60. Em 1970 parte para Angola e Moçambique, onde exerce a função de docente no Ensino Secundário e onde testemunha o ambiente vivido durante a guerra colonial que viria, posteriormente a ficcionar na obra Costa dos Murmúrios (1988).

Após o regresso a Lisboa, Lídia Jorge mantém a actividade literária, estreando-se no panorama literário nacional com o romance O Dia dos Prodígios (1980), uma narrativa de sentido alegórico referente ao enclausuramento português durante o Estado Novo, que alcançou, desde logo, um enorme sucesso entre o público e a crítica, sendo-lhe atribuído o Prémio Malheiro Dias, da Academia de Ciências de Lisboa (1981).

Seguem-se outros dois romances, O Cais das Merendas (1982) e Notícia da Cidade Silvestre (1984), ambos vencedores do Prémio Literário Município de Lisboa. A obra que se segue é a já referida Costa dos Murmúrios e, até à actualidade, levou a cabo uma vastíssima lista bibliográfica, maioritariamente romancista em que, para além dos já referidos exemplares, se destaca ainda a obra O Vale da Paixão (1998), vencedora do Prémio D. Dinis da Fundação da Casa Mateus (1998), do Prémio Bordallo de Literatura da Casa da Imprensa (1998), do Prémio Máxima Literatura (1998) e do Prémio de Ficção do P.E.N. Clube Português (1998).

Em 2000, Lídia Jorge é distinguida com o Prémio Jean Monet de Literatura Europeia, Escritor Europeu do Ano. O romance O Vento Assobiando nas Gruas (2002) foi também distinguido, com o Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores (2002) e o Prémio Correntes d'Escritas (2002). Em 2007, com o romance Combateremos a Sombra, recebeu em França o Prémio Michel Brisset (2008), atribuído pela Associação dos Psiquiatras Franceses.

Com chancela da Editora Sextante, publicou em 2009, o livro de ensaios Contrato Sentimental, a sua única obra ensaísta que se trata, essencialmente, de uma reflexão sobre o futuro do país.

Para além do Romance, Lídia Jorge dedicou também parte da sua actividade literária ao Conto, publicando três antologias de contos da sua autoria (Marido e outros Contos, 1997, O Belo Adormecido, 2003, e Praça de Londres, 2008) e ainda duas publicações separadas (A Instrumentalina, 1992, e O Conto do Nadador, 1992). É nesta altura que passa também a desempenhar funções na Alta Autoridade para a Comunicação Social (de 1990 a 1994), sendo ainda professora convidada na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Para além dos já mencionados prémios literários, Lídia Jorge foi ainda distinguida com o Albatroz, Prémio Internacional de Literatura da Fundação Günter Grass (2006), com o Grande Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores, Millenium BCP (2007), com o Prémio Speciale Giuseppe Acerbi, Scrittura Femmenile (2007), o Prémio da Latinidade, João Neves da Fontoura, União Latina (2011), o Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura (2014), sendo a sua última distinção o Prémio Vergílio Ferreira (2015).

Em 2013, Lídia Jorge foi considerada, pela revista francesa Le Magazine Littéraire, uma das "10 grandes vozes da literatura europeia". Às suas distinções literárias juntam-se ainda as condecorações recebidas, tanto em Portugal, sendo galardoada com Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal (9 de Março de 2005), como em França, recebendo a distinção de Dama da Ordem das Artes e das Letras de França (13 de Abril de 2005).