Manuel António dos Santos Lourenço

Filósofo, Escritor, Tradutor e Professorsantos lourenco manuel

Nascido a 13 de Maio de 1936, Manuel António dos Santos Lourenço licenciou-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1965, com a tese A Filosofia da Matemática de Ludwig Wittgenstein. No mesmo ano, tornou-se bolseiro pela Fundação Calouste Gulbenkian, deslocando-se a Oxford, onde realizou uma pós-graduação (1965-1968), tendo sido orientado por Michael Dummett, e onde exerceu funções de docência como Leitor Português (1968-1971). Foi também em Oxford que preparou a antologia O Teorema de Gödel e a Hipótese do Contínuo, bem como uma tradução portuguesa de duas obras de Ludwig Wittgenstein, Tratado Lógico-Filosófico e Investigações Filosóficas.

Tornou a ocupar o cargo de Leitor Português na Universidade de Santa Bárbara, Califórnia (1972-1975), leccionando depois na Universidade de Bloomington, Indiana (1976-1980) e na Universidade de Innsbruck, Áustria (1983-1984). O Doutoramento de Manuel dos Santos Lourenço assinalou o seu retorno à Faculdade de Letras, apresentando a tese A Analítica Conceptual da Refutação do Empirismo na Filosofia de Wittgenstein (apresentada em 1980 e publicada em 1986). Até à apresentação desta tese lançou três livros de poesia, Arte Combinatória, 1971, Wytham Abbey, 1974, e Pássaro Paradípsico, 1979, dedicando-se tanto ao labor académico como à arte da escrita.

Depois de se doutorar, tornou-se professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, no Departamento de Filosofia, onde obteve a cátedra e se jubilou no final da carreira de docente.

Para além da sua vasta obra filosófica, quase sempre vocacionada para a linguagem da matemática e da lógica, Manuel dos Santos Lourenço presidiu à Sociedade Portuguesa de Filosofia (1999-2004) e foi Director da revista de filosofia Disputatio. Pertenceu ainda à chamada geração de O Tempo e o Modo, com António Alçada Baptista, João Bénard da Costa, Alberto Vaz da Silva, Pedro Tamen, Nuno Bragança, entre outros, publicando, na revista com o mesmo nome, alguns dos seus poemas, ensaios e traduções.

No que respeita à poesia, teve a sua estreia ainda antes de se licenciar, com a obra O Desequilibrista (1960), seguida por O Doge, lançada no ano seguinte sob o pseudónimo de Alexis-Christian Von Rätselhaft und Gribskov. A sua produção poética continuou até 2009, ano da sua morte. Foi ainda autor de inúmeros ensaios filosóficos, alguns reunidos na colectânea Os Degraus do Parnaso, distinguida com o prémio Dom Dinis, da Fundação Casa de Mateus (1991). Entre outras distinções que lhe foram feitas, foi galardoado com a Grã Cruz da Ordem de Santiago de Espada e a Cruz de Honra de I Classe da República da Áustria. Em Maio de 2007, no Palácio Valenças, em Sintra, no III Encontro de História de Sintra, teve lugar a conferência de Liberto Cruz intitulada “M.S. Lourenço, o Desequilibrista Definitivo” e uma exposição bibliográfica da sua obra poética e ensaística, juntamente com a do próprio Liberto Cruz. No dia 5 de Julho de 2011 foi inaugurada uma placa comemorativa na fachada da casa onde viveu, na Vila Velha, em Sintra.

Manuel António dos Santos Lourenço faleceu a 1 de Agosto de 2009, deixando um abundante acervo bibliográfico, revelador das suas dupla capacidade criativa, a do filósofo e racionalizador e a do poeta.