Maria do Céu Guerra

Actriz e Encenadoraceu guerra


Maria do Céu Guerra de Oliveira e Silva nasceu em Lisboa a 26 de Maio de 1943 e foi aluna da Faculdade de Letras em meados da década de 60, onde frequentou o curso de Filologia Românica. É também neste período que se começa a interessar por teatro e que integra o grupo fundador da Casa da Comédia, que permanecera inactiva durante praticamente 20 anos, até este grupo proceder à sua reformulação, entre 1962 e 1963.

Dois anos depois, em 1965, Maria do Céu Guerra estreia-se nessa instituição, participando na peça Deseja-se Mulher, de Almada Negreiros, encenada por Fernando Amado. Durante os cinco anos seguintes, profissionalizou-se no Teatro Experimental de Cascais, onde participa num vasto conjunto de peças dirigidas por Carlos Avilez, das quais se destacam Esopaida de António José da Silva (1965), Auto da Mofina Mendes de Gil Vicente, A Maluquinha de Arroios de André Brun e A Casa de Bernarda Alba, de García Lorca (levadas a cena em 1966), D. Quixote de Yves Jamiaque e Fedra, de Jean Racine (levadas a cena em 1967), O Comissário de Polícia de Gervásio Lobato e Bodas de Sangue de Federico García Lorca (levadas a cena em 1968) e Um Chapéu de Palha de Itália de Eugène Labiche (1970).

Durante a década de 70, chega a ingressar, durante um breve período, no teatro de revista e comédia, colaborando com Laura Alves e Adolfo Marsillach, na peça Tartufo, de Moliére, com grande sucesso no Teatro Villaret, mas acaba por voltar à Casa da Comédia, onde trabalha com Morais e Castro e Luís de Lima. Em meados dos anos 70, faz parte do grupo fundador do Teatro Adóque e fundou, em 1975, a companhia de Teatro A Barraca onde se centra, ainda hoje, a sua actividade teatral. Através desta companhia, interpretou peças como D. João VI (1978) de Hélder Costa, Calamity Jane (1988), A Cantora Careca (1992) de Eugene Ionesco e O Avarento (1994) de Molière, entre muitos outros. A 24 de Agosto de 1985, é feita Dama da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e, nove anos depois, recebe o título de Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique. Em 2006, estreou na Comuna Todos os que Caem de Samuel Beckett, com encenação de João Mota, sendo premiada com um Globo de Ouro pela sua interpretação.

Com A Barraca percorreu inúmeros Festivais Internacionais de Teatro, destacando-se as digressões realizadas em África e na América do Sul.
Apesar da sua predilecção pelo teatro, Maria do Céu Guerra foi duplamente premiada no âmbito cinematográfico, arrecadando o Globo de Ouro de Melhor Actriz de Cinema e ainda o Prémio Sophia de Melhor Actriz pelo seu desempenho no filme Os Gatos não têm Vertigens (2015).

Participou também noutras produções televisivas e cinematográficas, das quais se destacam, no cinema, O Mal-Amado (1972), que assinalou a sua estreia no género, tendo participado também na Crónica dos Bons Malandros (1984) e no Anjo da Guarda (1999). Na televisão, para além da peça O Pranto de Maria Parda (1998) de Gil Vicente, protagonizou séries e novelas como Residencial Tejo (1999-2002), Vamos Contar Mentiras (1985), Calamity Jane (1987), Jardins Proibidos (2014-2015), A Impostora (2016) entre muitos outros.