Fiama Hasse Pais Brandão

fiama4Escritora, Poetisa, Dramaturga e Tradutora

Fiama Hasse Pais Brandão nasceu a 15 de Agosto de 1938, em Lisboa, e ingressou na Faculdade de Letras nos finais da década de 50, onde frequentou os três primeiros anos do curso de Filologia Germânica, que nunca chegou a terminar.

Foi aí que conheceu o futuro marido, o poeta e ensaísta Gastão Cruz, para além de outros autores e membros, do movimento Poesia 61, cuja revista com o mesmo nome foi a plataforma de lançamento das suas publicações. A primeira delas, Morfismos, deu-lhe de imediato alguma notoriedade. Na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Fiama Hasse Pais Brandão foi também uma das fundadoras do Grupo de Teatro de Letras, juntamente com Luiza Neto Jorge, Gastão Cruz, José da Silva Louro, entre outros, tendo sido a vencedora do Prémio Revelação de Teatro, pela obra Os Chapéus-de-chuva em 1961.

A sua relação com o teatro adensar-se-ia com a realização de um estágio no Teatro Experimental do Porto (1964), tendo fundado, com Gastão Cruz e outros, o grupo Teatro Hoje (1974), para além de frequentar um seminário de teatro de Adolfo Gutkin, na Fundação Calouste Gulbenkian, em 1970.

Também na poesia Fiama Hasse Pais Brandão ganhou um lugar de destaque, mesmo antes de publicar o texto Morfismos na revista Poesia 61. Ainda em 1957, estreia-se com a obra Em Cada Pedra Um Voo Imóvel, vencedora do Prémio Literário de Poesia Adolfo Casais Monteiro.

Tendo granjeado o reconhecimento público, tal como Gastão Cruz, no movimento Poesia 61, que revolucionou a linguagem poética portuguesa dos anos 60, Fiama veio a afirmar-se como uma das principais vozes poéticas da sua geração. A sua obra caracteriza-se por uma grande densidade da palavra, o uso de uma poesia discursiva, por vezes fragmentária, de grande rigor e depuramento formal, desde Barcas Novas (1967), seu segundo livro, sempre entrelaçando no discurso a metáfora e a imagem. Com a publicação de Obra Breve (1991), Fiama Hasse Pais Brandão procede a uma reorganização de toda a sua obra poética até àquela data, incluindo inéditos, de acordo com uma ideia de poesia como processo vivo.

Em resultado da sua produção literária, em 1986, é a vencedora do Prémio PEN Clube Português de Poesia, e também do Grande Prémio Inapa de Poesia, procedendo, no mesmo ano, a uma compilação antológica do seu trabalho, sob a designação de F de Fiama. Nesta altura da sua vida, a autora dedicou-se, sobretudo, à criação poética sem descurar, porém, a faceta teatral que tanto estimara. Diz-nos Manuel João Gomes (Letras & Letras, 21/19/92) que “São textos assumidamente literários mas irreprimivelmente teatrais. Buscam o específico teatral sem desmentir a Poesia. Buscam o poético enquanto se esforçam por falar do real.”, existindo como que uma relação constante entre Teatro e Poesia em todo o trabalho de Fiama. É neste contexto que, em 1992, Fiama Hasse Pais Brandão se torna finalista do Prémio Europeu de Literatura/Aristeion.

Pela obra Epístolas e Memorandos recebe o Prémio D. Dinis em 1996, da Fundação Casa de Mateus, e também o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores. Quase dez anos depois, mais concretamente em 2005, tornou a ser duplamente distinguida, desta vez com o Prémio PEN Clube Português de Ficção e com o Prémio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários. Durante cerca de 20 anos, a par da sua carreira literária, exerceu funções de bibliotecária/arquivista no Centro de Estudos Linguísticos da Universidade de Lisboa.

Trabalhou muito na pesquisa histórica e literária sobre o Séc. XVI em Portugal, bem como em traduções do alemão, do inglês e do francês. Como dramaturga, é autora de várias peças, algumas das quais já representadas em Lisboa, Rio de Janeiro e Nancy.

Fiama Hasse Pais Brandão faleceu a 19 de Janeiro de 2007.