Década 60

Maria Filomena Mónica

Escritora e Investigadoramonica filomena

Nascida a 30 de Janeiro de 1943, Maria Filomena Mónica ingressa na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa nos finais dos anos 50, onde conclui a sua licenciatura em Filosofia em 1969. 

Depois da sua passagem pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Maria Filomena Mónica desloca-se até Oxford, onde conclui o seu doutoramento em Sociologia (1978), área exercida pelo seu segundo marido, António Barreto.

Além das suas publicações na esfera da sociologia, de que se destaca Visitas ao Poder (com edições em 1993,1994 e 1999), obra que lhe veio a outorgar o Prémio Máxima de Literatura, o seu interesse pelo passado histórico e literário nacional leva-a a redigir biografias de figuras poeminentes como Fontes Pereira de Melo (1999) Eça de Queirós (2001) e D. Pedro V (2005).

Anos depois, invocando sua condição de mulher que testemunhou na primeira pessoa a vida num Portugal fechado e conservador, procede à elaboração de uma obra autobiográfica, intitulada Bilhete de Identidade, Autobiografia 1943-1976, (2005), uma das muitas publicações da sua autoria que se somam desde 1978, ano da sua primeira obra, Educação e Sociedade no Portugal de Salazar, sendo toda a sua bibliografia vocacionada para o panorama histórico-social português contemporâneo.

Em anos mais recentes evidencia uma preocupação crescente com questões educativas presentes em publicações como Vale a Pena Mandar os Filhos à Escola? (2008) ou A Sala de Aula (2014). É de referir ainda a sua incursão na literatura ficcional com O Cantos: A Tragédia de uma Família Açoriana (2010). Publicou em 2016 Os Pobres e em 2018 Os Ricos.

Para além das suas publicações, durante o ano de 2009 exerce funções como investigadora-coordenadora no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, colaborando ainda na revista Análise Social. Actualmente, apesar de aposentada, mantém a sua actividade literária.

Almeida Faria

Escritorfaria almeida

Nascido a 6 de Maio de 1943 em Montemor-o-Novo, Benigno José Mira de Almeida Faria foi aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa durante os anos 60, onde concluiu a Licenciatura em Filosofia, após uma passagem pela Faculdade de Direito, da mesma Universidade, interrompida pelo seu envolvimento na contestação estudantil. 

Enquanto aluno liceal, parcialmente feito em Évora, Almeida Faria teve como professor Vergílio Ferreira, que prefaciou o seu primeiro livro, Rumor Branco, publicado em 1962, quando Almeida Faria tinha dezanove anos. A mesma obra obteve o 'Prémio Revelação de Romance', da Sociedade Portuguesa de Escritores, no mesmo ano da sua publicação. Três anos depois é lançada a sua segunda obra, o romance Paixão, a que se seguiu Tetralogia Lusitana, composta por três volumes, Cortes (1978), vencedor do 'Prémio Aquilino Ribeiro da Academia das Ciências de Lisboa', Lusitânia (1980), que arrecadou o 'Prémio D. Diniz' e Cavaleiro Andante (1983), que recebeu o 'Prémio Originais de Ficção'. Um ano antes do lançamento do último volume da trilogia é também publicado um conto da sua autoria, designado de Os passeios do sonhador solitário

Até à data, Almeida Faria passara já por outras vastas experiências no mundo literário, para além da criação da sua identidade autoral. Durante dois anos (1968-1969) viveu nos Estados Unidos como escritor residente, no âmbito do 'International Writing Program', no Iowa, tendo também residido em Berlim, onde fez parte do 'Berliner Künstlerprogram', no qual participaram, entre outros, Gombrowicz, Michel Butor, Peter Handke e Mario Vargas Llosa. Em 1979 seleccionou e traduziu Poemas Políticos de Hans Magnus Enzensberger sendo que, a 24 de Janeiro do mesmo ano, torna-se no primeiro Director do recém-criado PEN Club Português, instituição que lutava desde os anos 30 pelo seu lugar em Portugal, conseguido somente após a queda do regime fascista. Enquanto autor, Almeida Faria prossegue com a sua actividade literária, expandindo-se para outras categorias que não o Romance. 

A 1984 lança o livro Um Cão chamado Bolotas, a que se segue o Ensaio Do Poeta-Pintor ao Pintor-Poeta (1988). Em 1990 publica O Conquistador, seguindo-se duas peças de Teatro, Vozes da Paixão (1998) e Reviravolta (1999). Durante décadas foi também colaborador em diversas publicações periódicas, tanto nacionais como estrangeiras, das quais se destacam a revista O Tempo e o Modo 60/61 (durante os anos 60), Studies in Portuguese Literature (cidade de Nova Orleães, durante os anos 70), a revista Quaderni Portoghesi (no ano de 1977, cidade de Pisa) e a revista Ibidem (1980).

Nos anos 80 colaborou também em publicações como L'Illustrazione Italiana 1 (Milão), a revista alemã Jahresring, elaborando o artigo O Super-Português Estrangeirado, publicado no número especial da revista Prelo em 1984, entre outras colaborações mais que duram até á década seguinte. 

Os anos 2000 arrancam para Almeida Faria com uma nova distinção, sendo galardoado com o 'Prémio Vergílio Ferreira', atribuído pela Universidade de Évora, pouco depois de ter recebido, na sua terra Natal, a 'Medalha de Mérito Cultural' atribuída pelo Ministro da Cultura e entregue na Biblioteca de Montemor-o-Novo. Durante este período lança mais três obras, a peça de Teatro À hora do fecho (2000), o conto Vanitas 51, Avenue d'Iéna (2007) e O murmúrio do mundo: a Índia revisitada, num contexto de literatura de viagens, publicado em 2012, o mesmo ano em que o alumnus é anunciado o vencedor do 'Tributo de Consagração Fundação Inês de Castro'.

Almeida Faria é um reconhecido autor com obra traduzida em diversas línguas estrangeiras.

Biografias Década 60

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Alice Vieira
Escritora e Jornalista

Almeida Faria
Escritor

Ana Zanatti
Actriz e Apresentadora 

António Borges Coelho
Historiador e Investigador

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António de Brum Ferreira
Geógrafo e Professor 

Eduardo Prado Coelho
Poeta, Escritor e Ensaísta

Gastão Cruz
Poeta e Crítico Literário 

Joaquim Cerqueira Gonçalves
Professor

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Jorge Manuel Barbosa Gaspar
Geógrafo e Professor

Jorge Silva Melo
Actor, Realizador e Encenador

Laura Soveral
Actriz

Lauro António
Cineasta

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Lídia Jorge
Escritora e Professora

Luiza Neto Jorge
Poetisa e Tradutora

Manuel dos Santos Lourenço
Filósofo, Escritor e Professor

Manuel Gusmão
Poeta, Ensaísta e Professor

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Margarida Carpinteiro
Actriz e Escritora

Maria Alzira Seixo
Professora e Crítica Literária

Maria Cavaco Silva
Professora

Maria do Céu Guerra
Actriz e Encenadora

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Maria Filomena Mónica
Escritora e Investigadora

Maria João Seixas
Jornalista e Autora

Maria Teresa Horta
Escritora

Maria Velho da Costa
Escritora

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Ricardo Costa
Cineasta e Realizador

Ruy de Moura Belo
Poeta e Ensaísta

Teresa Gouveia
Gestora Cultural e Política

Vasco Pulido Valente
Escritor, Ensaísta e Colunista

António Borges Coelho

Historiador e Investigadorborges coelho

 

António Borges Coelho nasceu em Murça, Trás-os Montes, em 1928. O historiador e investigador António Borges Coelho tirou a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1967, doutorando-se, em 1984, na mesma instituição. A sua tese de doutoramento, referente à Inquisição Eborense, tornou-se numa das grandes referências do seu trabalho na área. Contudo, ainda antes de elaborar a sua tese, António Borges Coelho levou a cabo outros trabalhos investigativos relativamente à Ocupação Muçulmana na Península Ibérica, com destaque para a colectânea de textos árabes referentes à sua presença no território português, publicada sob a designação Portugal na Espanha Árabe (1972-1975), publicando ainda obras incidentes em episódios decorridos desde a Idade Média, como A Revolução de 1383 (publicada em 1965), à Idade Contemporânea, como O 25 de Abril e o Problema da Independência Portuguesa (publicada em 1975). 

Publicou grandes obras de destaque, nomeadamente, As Raízes da expansão Portuguesa (1964), Questionar a História - Ensaios sobre História de Portugal (1983), Quadros para Uma Viagem a Portugal no Século XVI (1986), Inquisição de Évora, 2 vols. (1987), Tudo é Mercadoria. Sobre o percurso e a obra de João de Barros (1992), Clérigos, Mercadores, Judeus e fidalgos (1994), O Tempo e os Homens - Questionar a História III (1996), Cristãos - Novos Judeus e os Novos Argonautas (1998), Política, Dinheiro e Fé - Questionar a História V ( 2001) e O Vice-Rei Dom João de Castro (2003).

Ao nível da literatura, António Borges Coelho, escreveu também algumas obras como Roseira verde (1962), Ponte Submersa (1969), No mar oceano (1981) e O Príncipe Perfeito (1991).

Das várias funções que exerceu ao longo da sua carreira é de referenciar o seu percurso pelo jornalismo a partir de 1968, sendo um dos co-fundadores de A Capital e chegando a colaborar com o Diário de Lisboa, o Diário Popular e ainda com as revistas Seara Nova e Vértice. Contudo, foi na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde exerceu a esmagadora maioria das suas funções e cargos académicos: Professor Catedrático de História, membro do júri de diversas provas de Mestrado e de Doutoramento e Presidente do Concelho Pedagógico. Foi também Director do Centro de História da Universidade de Lisboa e Director da revista História e Sociedade. 

António Borges Coelho jubilou-se em 1988, dando a sua última lição a 11 de Dezembro do mesmo ano. Contudo, apesar de cessadas as suas funções de professor universitário, continua activamente as suas investigações na área da História e Política.

Autor de uma vasta e riquíssima bibliografia (onde se inclui também a poesia, o teatro e a ficção), participou em diversos congressos e reuniões científicas, nomeadamente em Espanha e no Brasil. Foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago e recebeu o Prémio da Fundação Internacional Racionalista.

Alice Vieira

Escritora e Jornalista

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Alice de Jesus Vieira Tracalo Pereira da Fonseca, nascida a 20 de Março de 1943, ou simplesmente Alice Vieira, como é conhecida, iniciou o seu percurso pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1961. Desse ano até 1964, frequentou e concluiu o curso em Filologia Germânica, apresentando, no ano seguinte, a sua tese de licenciatura sobre o teatro de Ibsen e Bernard Shaw.

Devido ao seu assumido interesse pelo Jornalismo, ainda durante a sua juventude, chegou a colaborar com o Diário Popular e o Diário de Notícias, sendo que, em 1958, iniciou a sua colaboração no Suplemento Juvenil do Diário de Lisboa, juntamente com o marido e jornalista Mário Castrim. A sua presença na Literatura Juvenil, contudo, adensar-se-ia fora do âmbito jornalístico a partir de 1979, ano da publicação do seu primeiro livro, Rosa, Minha Irmã Rosa, vencedor do Prémio de Literatura Infantil do Ano Internacional da Criança e o primeiro livro de uma vasta obra de Literatura Infanto-Juvenil, que a lançaria para o estrelato do panorama literário juvenil nacional.

Alice Vieira foi galardoada com várias distinções, sobretudo no contexto literário juvenil, nomeadamente o Prémio de Literatura para Crianças / Melhor Texto do Biénio (1983-1984) da Fundação Calouste Gulbenkian (em 1984, pela obra Este Rei que Eu Escolhi), o Grande Prémio de Literatura para Crianças da Fundação Calouste Gulbenkian (atribuído por todo o conjunto da sua obra, em 1994), chegando a ser candidata ao Prémio Hans Christian Anderson da IBBY (International Board on Books for Young People). Da sua obra dedicada ao público adulto recebe o Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho, com o livro de poemas Dois Corpos Tombando na Água, em 2007.

Actualmente, Alice Vieira permanece como colaboradora na Sociedade Portuguesa de Autores (onde se estreou em 1992), sendo uma das autoras infanto-juvenis portuguesas com mais projecção internacional. O seu último livro destinado ao público juvenil, A Arca do Tesouro, foi publicado em 2010, existindo outras publicações posteriores mas já vocacionadas para o público adulto.

 

Consulte o testemunho de Alice Vieira

Leia a entrevista do FLUL Alumni com a alumna sobre o lançamento do seu livro Só Duas Coisas que, entre tantas, me afligiram

Joaquim Cerqueira Gonçalves

Professor

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Joaquim Cerqueira Gonçalves nasceu no dia 6 de Abril de 1930, em Ponte de Lima. Licenciou-se em Filosofia Escolástica, pelo Instituto Católico de Tolosa (França), em 1957 e em 1962, licenciou-se em Filosofia na FLUL, com uma dissertação intitulada Distinção de Essência e Existência no Pensamento de João Duns Escoto.

Em 1963, iniciou funções como docente de Filosofia, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e em 1970 doutorou-se em Filosofia na mesma Faculdade, com a dissertação Homem e Mundo em São Boaventura.

No ano de 1978 realizou provas para Professor Catedrático da FLUL, tendo sido aprovado por unanimidade. Em 1989 publicou a obra A Escola em Debate – Educar ou Profissionalizar? No ano de 1995 publicou Fazer Filosofia – Como e Onde? Em 1998 publicou a obra Em louvor da vida e da morte: ambiente – a cultura ocidental em questão.

Ao longo da sua carreira exerceu inúmeros cargos de relevo, nomeadamente Presidente do Conselho Científico da Faculdade de Letras, Director do Centro da Filosofia da Universidade de Lisboa, foi Membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, bem como a  função de Director de diversas revistas, como a Revista da Faculdade de Letras, a revista Philosophica e a revista Pax et Bonum.

Na Universidade Católica Portuguesa exerceu o cargo de Coordenador (e também docente) da Área Científica de Filosofia da Faculdade de Ciências Humanas, foi Director do Instituto de Coordenação Científica (ICIC) e Presidente da Direcção da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa.

Joaquim Cerqueira Gonçalves foi Membro do Conselho Científico da Revista Portuguesa de Filosofia e Membro do Conselho Científico da Revista Portuguesa de Psicanálise. Recebeu a Condecoração: Grã-Cruz da Ordem de Instrução Pública.

Encontra-se aposentado das suas funções desde 2000. É Sócio efectivo da Academia das Ciências de Lisboa (desde 2008), Académico de Mérito da Academia Portuguesa da História e Sócio da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa.

Ao longo da sua carreira, Joaquim Cerqueira Gonçalves escreveu diversas publicações nomeadamente Humanismo Medieval, I: A Natureza do Indivíduo em João Duns Escoto, II: Franciscanismo e Cultura (1971), A Escola em Debate – Educar ou Profissionalizar? (1989), Fazer Filosofia – Como e Onde? (1995), Em Louvor da Vida e da Morte – Ambiente: a Cultura Ocidental em Questão (1998), e mais recentemente Itinerâncias de Escrita. Vol. I – Cultura/Linguagem, (2011), Vol. II - Hermenêutica/ Filosofia (2013) e Vol. III – Escola/Ecologia (no prelo).