Década 60

Laura Soveral

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Nascida a 23 de Março de 1933, em Angola, Laura Soveral iniciou a vida profissional como educadora de infância. Só quando veio para Portugal, na década de 60, enveredou pelo mundo da representação. É também nessa altura que ingressa na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, no curso de Filologia Germânica.

Durante o percurso universitário, mais concretamente em 1964, iniciou-se no Grupo Fernando Pessoa, dirigido por João d'Ávila, inscrevendo-se, em seguida, na Escola de Teatro do Conservatório Nacional. Foi também nesse ano em que começou a colaborar no programa de David Mourão-Ferreira, Hospital das Letras, emitido pela RTP.

Em 1968, recebeu o Prémio de Melhor Actriz de Cinema pelo SNI (Secretariado Nacional de Informação) e pela Casa da Imprensa e entre 1970 e 1971, tem a sua mais importante época no Teatro, fazendo O Processo de Kafka e Depois da Queda de Arthur Miller, mantendo uma activa carreira em vários teatros nacionais (Teatro D. Maria II, Teatro São Luíz, Teatro da Cornucópia, Teatro da Comuna, Teatro Aberto, Teatro Sá da Bandeira, Teatro Maria Matos, Teatro Villaret).

Para além da representação em palco, Laura Soveral celebrizou-se também tanto pequeno como no grande ecrã, chegando a trabalhar em três filmes do prestigiado Manoel de Oliveira, ainda nos inícios de carreira (sendo a última colaboração de 1993, com o filme Vale Abraão, e a primeira de 1980, com o filme Francisca).

Trabalhou ainda com nomes como Henrique Campos (sendo o realizador do primeiro filme em que participou, Estrada da Vida, em 1968), Fernando Lopes (participando na adaptação de Uma Abelha na Chuva em 1972 e, trinta anos depois, no filme O Delfim, do mesmo realizador), Margarida Gil (em Anjo da Guarda, 1999).

O realizador com que soma mais participações é, sem dúvida, João Botelho. De 1993, ano da sua primeira colaboração, ao presente, Laura Soveral participou em quase uma dezena de produções do cineasta, das quais se destacam Tráfico (1998), O Fatalista (2005) e a adaptação cinematográfica de Os Maias (2014). Por se tratar de uma obra indispensável da Literatura Portuguesa, e pelo mediatismo que criou no público, a obra de Eça de Queiroz foi também adaptada à Televisão, tornando a actriz a desempenhar o mesmo papel em formato de mini-série televisiva. De facto, Laura Soveral acumulou uma intensa carreira no pequeno ecrã, iniciada no já referido programa Hospital das Letras, mas que continuou a somar participações televisivas até ao presente, participando em diversas novelas portuguesas (como Chuva na Areia, 1985, ou Passerelle, 1988, sendo a mais recente Belmonte, em 2014) e brasileiras (em O Casarão, 1976, e Duas Vidas, 1977).

Laura Soveral participou igualmente em diversas séries como Um Táxi na Cidade, 1981, Os Melhores Anos e Chuvas de Maio, 1990, Crianças SOS, 2000, Morangos com Açúcar, 2005, Liberdade 21, 2011, também em séries históricas (para além de Os Maias, interpretou ainda a D. Maria Pia, na série O Dia do Regicídio) e até mesmo programas infanto-juvenis (como é o caso de Chiquititas, em 2007).

Faleceu a 12 de Julho de 2018.

Maria Filomena Mónica

Socióloga, Investigadora e Escritoramonica filomena

Nascida a 30 de Janeiro de 1943, Maria Filomena Mónica ingressa na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde conclui a sua licenciatura em Filosofia em 1969. 

Depois da sua passagem pela FLUL, Maria Filomena Mónica desloca-se até Oxford, onde conclui o seu doutoramento em Sociologia (1978).

Além das suas publicações na esfera da sociologia, de que se destaca Visitas ao Poder (com edições em 1993, 1994 e 1999), obra que lhe veio a outorgar o Prémio Máxima de Literatura, o seu interesse pelo passado histórico e literário nacional leva-a a redigir biografias de figuras como Fontes Pereira de Melo (1999), Eça de Queirós (2001) e D. Pedro V (2007).

Anos depois, invocando sua condição de mulher que testemunhou na primeira pessoa a vida num Portugal fechado e conservador, procede à elaboração de uma obra autobiográfica, intitulada Bilhete de Identidade, Autobiografia 1943-1976 (2005), uma das muitas publicações da sua autoria que se somam desde 1978, ano da sua primeira obra, Educação e Sociedade no Portugal de Salazar, sendo parte da sua bibliografia vocacionada para o panorama histórico-social português contemporâneo.

Em anos mais recentes evidencia uma preocupação crescente com questões educativas, presentes em publicações como Vale a Pena Mandar os Filhos à Escola? (2008) ou A Sala de Aula (2014). É de referir, ainda, a sua incursão na literatura ficcional com Os Cantos: A Tragédia de uma Família Açoriana (2010). Publicou em 2016 Os Pobres e em 2018 Os Ricos, livro sobre o qual o FLUL Alumni falou com a alumna.

Para além das suas publicações, durante o ano de 2009 exerce funções como investigadora-coordenadora no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, colaborando ainda na revista Análise Social. Actualmente, apesar de aposentada, mantém a sua actividade literária.

 

Almeida Faria

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Nascido a 6 de Maio de 1943 em Montemor-o-Novo, Benigno José Mira de Almeida Faria foi aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa durante os anos 60, onde concluiu a Licenciatura em Filosofia, após uma passagem pela Faculdade de Direito, da mesma Universidade, interrompida pelo seu envolvimento na contestação estudantil. 

Enquanto aluno liceal, parcialmente feito em Évora, Almeida Faria teve como professor Vergílio Ferreira, que prefaciou o seu primeiro livro, Rumor Branco, publicado em 1962, quando Almeida Faria tinha dezanove anos. A mesma obra obteve o 'Prémio Revelação de Romance', da Sociedade Portuguesa de Escritores, no mesmo ano da sua publicação. Três anos depois é lançada a sua segunda obra, o romance Paixão, a que se seguiu Tetralogia Lusitana, composta por três volumes, Cortes (1978), vencedor do 'Prémio Aquilino Ribeiro da Academia das Ciências de Lisboa', Lusitânia (1980), que arrecadou o 'Prémio D. Diniz' e Cavaleiro Andante (1983), que recebeu o 'Prémio Originais de Ficção'. Um ano antes do lançamento do último volume da trilogia é também publicado um conto da sua autoria, designado de Os passeios do sonhador solitário

Até à data, Almeida Faria passara já por outras vastas experiências no mundo literário, para além da criação da sua identidade autoral. Durante dois anos (1968-1969) viveu nos Estados Unidos como escritor residente, no âmbito do 'International Writing Program', no Iowa, tendo também residido em Berlim, onde fez parte do 'Berliner Künstlerprogram', no qual participaram, entre outros, Gombrowicz, Michel Butor, Peter Handke e Mario Vargas Llosa. Em 1979 seleccionou e traduziu Poemas Políticos de Hans Magnus Enzensberger sendo que, a 24 de Janeiro do mesmo ano, torna-se no primeiro Director do recém-criado PEN Club Português, instituição que lutava desde os anos 30 pelo seu lugar em Portugal, conseguido somente após a queda do regime fascista. Enquanto autor, Almeida Faria prossegue com a sua actividade literária, expandindo-se para outras categorias que não o Romance. 

A 1984 lança o livro Um Cão chamado Bolotas, a que se segue o Ensaio Do Poeta-Pintor ao Pintor-Poeta (1988). Em 1990 publica O Conquistador, seguindo-se duas peças de Teatro, Vozes da Paixão (1998) e Reviravolta (1999). Durante décadas foi também colaborador em diversas publicações periódicas, tanto nacionais como estrangeiras, das quais se destacam a revista O Tempo e o Modo 60/61 (durante os anos 60), Studies in Portuguese Literature (cidade de Nova Orleães, durante os anos 70), a revista Quaderni Portoghesi (no ano de 1977, cidade de Pisa) e a revista Ibidem (1980).

Nos anos 80 colaborou também em publicações como L'Illustrazione Italiana 1 (Milão), a revista alemã Jahresring, elaborando o artigo O Super-Português Estrangeirado, publicado no número especial da revista Prelo em 1984, entre outras colaborações mais que duram até á década seguinte. 

Os anos 2000 arrancam para Almeida Faria com uma nova distinção, sendo galardoado com o 'Prémio Vergílio Ferreira', atribuído pela Universidade de Évora, pouco depois de ter recebido, na sua terra Natal, a 'Medalha de Mérito Cultural' atribuída pelo Ministro da Cultura e entregue na Biblioteca de Montemor-o-Novo. Durante este período lança mais três obras, a peça de Teatro À hora do fecho (2000), o conto Vanitas 51, Avenue d'Iéna (2007) e O murmúrio do mundo: a Índia revisitada, num contexto de literatura de viagens, publicado em 2012, o mesmo ano em que o alumnus é anunciado o vencedor do 'Tributo de Consagração Fundação Inês de Castro'.

Almeida Faria é um reconhecido autor com obra traduzida em diversas línguas estrangeiras.

Biografias Década 60

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Alice Vieira
Escritora e Jornalista

Almeida Faria
Escritor

Ana Zanatti
Actriz e Apresentadora 

António Borges Coelho
Historiador e Investigador

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António de Brum Ferreira
Geógrafo e Professor 

Eduardo Prado Coelho
Poeta, Escritor e Ensaísta

Gastão Cruz
Poeta e Crítico Literário 

Joaquim Cerqueira Gonçalves
Professor

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Jorge Manuel Barbosa Gaspar
Geógrafo e Professor

Jorge Silva Melo
Actor, Realizador e Encenador

Laura Soveral
Actriz

Lauro António
Cineasta

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Lídia Jorge
Escritora e Professora

Luiza Neto Jorge
Poetisa e Tradutora

Manuel dos Santos Lourenço
Filósofo, Escritor e Professor

Manuel Gusmão
Poeta, Ensaísta e Professor

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Margarida Carpinteiro
Actriz e Escritora

Maria Alzira Seixo
Professora e Crítica Literária

Maria Cavaco Silva
Professora

Maria do Céu Guerra
Actriz e Encenadora

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Maria Filomena Mónica
Escritora e Investigadora

Maria João Seixas
Jornalista e Autora

Maria Teresa Horta
Escritora

Maria Velho da Costa
Escritora

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Ricardo Costa
Cineasta e Realizador

Ruy de Moura Belo
Poeta e Ensaísta

Teresa Gouveia
Gestora Cultural e Política

Vasco Pulido Valente
Escritor, Ensaísta e Colunista

António Borges Coelho

Historiador e Investigadorborges coelho

 

António Borges Coelho nasceu em Murça, Trás-os Montes, em 1928. O historiador e investigador António Borges Coelho tirou a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1967, doutorando-se, em 1984, na mesma instituição. A sua tese de doutoramento, referente à Inquisição Eborense, tornou-se numa das grandes referências do seu trabalho na área. Contudo, ainda antes de elaborar a sua tese, António Borges Coelho levou a cabo outros trabalhos investigativos relativamente à Ocupação Muçulmana na Península Ibérica, com destaque para a colectânea de textos árabes referentes à sua presença no território português, publicada sob a designação Portugal na Espanha Árabe (1972-1975), publicando ainda obras incidentes em episódios decorridos desde a Idade Média, como A Revolução de 1383 (publicada em 1965), à Idade Contemporânea, como O 25 de Abril e o Problema da Independência Portuguesa (publicada em 1975). 

Publicou grandes obras de destaque, nomeadamente, As Raízes da expansão Portuguesa (1964), Questionar a História - Ensaios sobre História de Portugal (1983), Quadros para Uma Viagem a Portugal no Século XVI (1986), Inquisição de Évora, 2 vols. (1987), Tudo é Mercadoria. Sobre o percurso e a obra de João de Barros (1992), Clérigos, Mercadores, Judeus e fidalgos (1994), O Tempo e os Homens - Questionar a História III (1996), Cristãos - Novos Judeus e os Novos Argonautas (1998), Política, Dinheiro e Fé - Questionar a História V ( 2001) e O Vice-Rei Dom João de Castro (2003).

Ao nível da literatura, António Borges Coelho, escreveu também algumas obras como Roseira verde (1962), Ponte Submersa (1969), No mar oceano (1981) e O Príncipe Perfeito (1991).

Das várias funções que exerceu ao longo da sua carreira é de referenciar o seu percurso pelo jornalismo a partir de 1968, sendo um dos co-fundadores de A Capital e chegando a colaborar com o Diário de Lisboa, o Diário Popular e ainda com as revistas Seara Nova e Vértice. Contudo, foi na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde exerceu a esmagadora maioria das suas funções e cargos académicos: Professor Catedrático de História, membro do júri de diversas provas de Mestrado e de Doutoramento e Presidente do Concelho Pedagógico. Foi também Director do Centro de História da Universidade de Lisboa e Director da revista História e Sociedade. 

António Borges Coelho jubilou-se em 1988, dando a sua última lição a 11 de Dezembro do mesmo ano. Contudo, apesar de cessadas as suas funções de professor universitário, continua activamente as suas investigações na área da História e Política.

Autor de uma vasta e riquíssima bibliografia (onde se inclui também a poesia, o teatro e a ficção), participou em diversos congressos e reuniões científicas, nomeadamente em Espanha e no Brasil. Foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago e recebeu o Prémio da Fundação Internacional Racionalista.

Alice Vieira

Escritora e Jornalista

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Alice de Jesus Vieira Tracalo Pereira da Fonseca, nascida a 20 de Março de 1943, ou simplesmente Alice Vieira, como é conhecida, iniciou o seu percurso pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1961. Desse ano até 1964, frequentou e concluiu o curso em Filologia Germânica, apresentando, no ano seguinte, a sua tese de licenciatura sobre o teatro de Ibsen e Bernard Shaw.

Devido ao seu assumido interesse pelo Jornalismo, ainda durante a sua juventude, chegou a colaborar com o Diário Popular e o Diário de Notícias, sendo que, em 1958, iniciou a sua colaboração no Suplemento Juvenil do Diário de Lisboa, juntamente com o marido e jornalista Mário Castrim. A sua presença na Literatura Juvenil, contudo, adensar-se-ia fora do âmbito jornalístico a partir de 1979, ano da publicação do seu primeiro livro, Rosa, Minha Irmã Rosa, vencedor do Prémio de Literatura Infantil do Ano Internacional da Criança e o primeiro livro de uma vasta obra de Literatura Infanto-Juvenil, que a lançaria para o estrelato do panorama literário juvenil nacional.

Alice Vieira foi galardoada com várias distinções, sobretudo no contexto literário juvenil, nomeadamente o Prémio de Literatura para Crianças / Melhor Texto do Biénio (1983-1984) da Fundação Calouste Gulbenkian (em 1984, pela obra Este Rei que Eu Escolhi), o Grande Prémio de Literatura para Crianças da Fundação Calouste Gulbenkian (atribuído por todo o conjunto da sua obra, em 1994), chegando a ser candidata ao Prémio Hans Christian Anderson da IBBY (International Board on Books for Young People). Da sua obra dedicada ao público adulto recebe o Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho, com o livro de poemas Dois Corpos Tombando na Água, em 2007.

Actualmente, Alice Vieira permanece como colaboradora na Sociedade Portuguesa de Autores (onde se estreou em 1992), sendo uma das autoras infanto-juvenis portuguesas com mais projecção internacional. O seu último livro destinado ao público juvenil, A Arca do Tesouro, foi publicado em 2010, existindo outras publicações posteriores mas já vocacionadas para o público adulto.

 

Consulte o testemunho de Alice Vieira

Leia a entrevista do FLUL Alumni com a alumna sobre o lançamento do seu livro Só Duas Coisas que, entre tantas, me afligiram