Década 60

Manuel Gusmão

Poeta, Ensaísta, Tradutor e Professor

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O poeta, ensaísta e professor universitário Manuel Gusmão, nascido em Évora em 1945, ingressou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) nos finais dos anos 60, onde se formou em Filologia Românica. Foi também na FLUL onde tirou o doutoramento, dedicando a sua tese relativamente à Poética de Francis Ponge, em 1987. Durante a licenciatura, pertenceu ao Conselho Editorial das revistas O Tempo e o Modo e Letras e Artes, tendo ainda colaborado, entre 1961 e 1971, no Jornal Crítica.

Com 26 anos, em 1971, tornou-se professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde desenvolveu o seu trabalho sobre Literatura Portuguesa, Literatura Francesa e Teoria da Literatura, elaborando ainda ensaios sobre Poesia Contemporânea. O seu percurso como professor na Faculdade de Letras, que durou até 2006, foi sendo conjugado com outras funções no âmbito da sua actividade literária, entre as quais a fundação das revistas Ariane, publicada desde 1982 (do Grupo Universitário de Estudos de Literatura Francesa), e Dedalus, publicada desde 1991 (da Associação Portuguesa de Literatura Comparada), tornando-se ainda colaborador da revista Vértice a partir de 1988.

Para além das suas funções académicas e da sua actividade no panorama jornalístico, Manuel Gusmão teve também uma breve presença na vida política entre 1975 e 1976, tornando-se deputado na Assembleia Constituinte e na 1ª Legislatura da Assembleia da República, eleito pelo Partido Comunista Português. A afirmação da sua própria identidade poética dá-se em 1990, aos 45 anos, estreando-se com a obra Dois Sóis, A Rosa – A Arquitectura do Mundo e, sete anos depois, a obra Mapas: o Assombro e a Sombra é premiada com o Prémio do PEN Club para Melhor Obra de Poesia (1997). Em 2001, outra das suas obras, Teatros do Tempo, torna a ser premiada com duas distinções: o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores e o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava.

Manuel Gusmão conquistou ainda mais alguns prémios, dos quais se destaca o Prémio D. Diniz, da Fundação Casa de Mateus; o Prémio Vergílio Ferreira, atribuído pela Universidade de Évora (2005), e o prémio DST de Literatura (2009).

Em 2019, é distinguido com a Medalha de Mérito Cultural, entregue pelo Ministério da Cultura português.

Maria do Céu Guerra

Actriz e Encenadoraceu guerra


Maria do Céu Guerra de Oliveira e Silva nasceu em Lisboa a 26 de Maio de 1943 e foi aluna da Faculdade de Letras em meados da década de 60, onde frequentou o curso de Filologia Românica. É também neste período que se começa a interessar por teatro e que integra o grupo fundador da Casa da Comédia, que permanecera inactiva durante praticamente 20 anos, até este grupo proceder à sua reformulação, entre 1962 e 1963.

Dois anos depois, em 1965, Maria do Céu Guerra estreia-se nessa instituição, participando na peça Deseja-se Mulher, de Almada Negreiros, encenada por Fernando Amado. Durante os cinco anos seguintes, profissionalizou-se no Teatro Experimental de Cascais, onde participa num vasto conjunto de peças dirigidas por Carlos Avilez, das quais se destacam Esopaida de António José da Silva (1965), Auto da Mofina Mendes de Gil Vicente, A Maluquinha de Arroios de André Brun e A Casa de Bernarda Alba, de García Lorca (levadas a cena em 1966), D. Quixote de Yves Jamiaque e Fedra, de Jean Racine (levadas a cena em 1967), O Comissário de Polícia de Gervásio Lobato e Bodas de Sangue de Federico García Lorca (levadas a cena em 1968) e Um Chapéu de Palha de Itália de Eugène Labiche (1970).

Durante a década de 70 chega a ingressar, durante um breve período, no teatro de revista e comédia, colaborando com Laura Alves e Adolfo Marsillach, na peça Tartufo, de Moliére, com grande sucesso no Teatro Villaret, mas acaba por voltar à Casa da Comédia, onde trabalha com Morais e Castro e Luís de Lima. Em meados dos anos 70, faz parte do grupo fundador do Teatro Adóque e fundou, em 1975, a companhia de Teatro A Barraca onde se centra, ainda hoje, a sua actividade teatral. Através desta companhia, interpretou peças como D. João VI (1978) de Hélder Costa, Calamity Jane (1988), A Cantora Careca (1992) de Eugene Ionesco e O Avarento (1994) de Molière, entre muitos outros. A 24 de Agosto de 1985, é feita Dama da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e, nove anos depois, recebe o título de Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique. Em 2006, estreou na Comuna Todos os que Caem de Samuel Beckett, com encenação de João Mota, sendo premiada com um Globo de Ouro pela sua interpretação.

Com A Barraca percorreu inúmeros Festivais Internacionais de Teatro, destacando-se as digressões realizadas em África e na América do Sul. Apesar da sua predilecção pelo teatro, Maria do Céu Guerra foi duplamente premiada no âmbito cinematográfico, arrecadando o Globo de Ouro de Melhor Actriz de Cinema e ainda o Prémio Sophia de Melhor Actriz pelo seu desempenho no filme Os Gatos não têm Vertigens (2015).

Participou também noutras produções televisivas e cinematográficas, das quais se destacam, no cinema, O Mal-Amado (1972), que assinalou a sua estreia no género, tendo participado também na Crónica dos Bons Malandros (1984) e no Anjo da Guarda (1999). Na televisão, para além da peça O Pranto de Maria Parda (1998) de Gil Vicente, protagonizou séries e novelas como Residencial Tejo (1999-2002), Vamos Contar Mentiras (1985), Calamity Jane (1987), Jardins Proibidos (2014-2015), A Impostora (2016) entre muitos outros.

Em 2019 é distinguida com o Prémio Vasco Graça Moura - Cidadania Cultural.

Laura Soveral

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Nascida a 23 de Março de 1933, em Angola, Laura Soveral iniciou a vida profissional como educadora de infância. Só quando veio para Portugal, na década de 60, enveredou pelo mundo da representação. É também nessa altura que ingressa na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, no curso de Filologia Germânica.

Durante o percurso universitário, mais concretamente em 1964, iniciou-se no Grupo Fernando Pessoa, dirigido por João d'Ávila, inscrevendo-se, em seguida, na Escola de Teatro do Conservatório Nacional. Foi também nesse ano em que começou a colaborar no programa de David Mourão-Ferreira, Hospital das Letras, emitido pela RTP.

Em 1968, recebeu o Prémio de Melhor Actriz de Cinema pelo SNI (Secretariado Nacional de Informação) e pela Casa da Imprensa e entre 1970 e 1971, tem a sua mais importante época no Teatro, fazendo O Processo de Kafka e Depois da Queda de Arthur Miller, mantendo uma activa carreira em vários teatros nacionais (Teatro D. Maria II, Teatro São Luíz, Teatro da Cornucópia, Teatro da Comuna, Teatro Aberto, Teatro Sá da Bandeira, Teatro Maria Matos, Teatro Villaret).

Para além da representação em palco, Laura Soveral celebrizou-se também tanto pequeno como no grande ecrã, chegando a trabalhar em três filmes do prestigiado Manoel de Oliveira, ainda nos inícios de carreira (sendo a última colaboração de 1993, com o filme Vale Abraão, e a primeira de 1980, com o filme Francisca).

Trabalhou ainda com nomes como Henrique Campos (sendo o realizador do primeiro filme em que participou, Estrada da Vida, em 1968), Fernando Lopes (participando na adaptação de Uma Abelha na Chuva em 1972 e, trinta anos depois, no filme O Delfim, do mesmo realizador), Margarida Gil (em Anjo da Guarda, 1999).

O realizador com que soma mais participações é, sem dúvida, João Botelho. De 1993, ano da sua primeira colaboração, ao presente, Laura Soveral participou em quase uma dezena de produções do cineasta, das quais se destacam Tráfico (1998), O Fatalista (2005) e a adaptação cinematográfica de Os Maias (2014). Por se tratar de uma obra indispensável da Literatura Portuguesa, e pelo mediatismo que criou no público, a obra de Eça de Queiroz foi também adaptada à Televisão, tornando a actriz a desempenhar o mesmo papel em formato de mini-série televisiva. De facto, Laura Soveral acumulou uma intensa carreira no pequeno ecrã, iniciada no já referido programa Hospital das Letras, mas que continuou a somar participações televisivas até ao presente, participando em diversas novelas portuguesas (como Chuva na Areia, 1985, ou Passerelle, 1988, sendo a mais recente Belmonte, em 2014) e brasileiras (em O Casarão, 1976, e Duas Vidas, 1977).

Laura Soveral participou igualmente em diversas séries como Um Táxi na Cidade, 1981, Os Melhores Anos e Chuvas de Maio, 1990, Crianças SOS, 2000, Morangos com Açúcar, 2005, Liberdade 21, 2011, também em séries históricas (para além de Os Maias, interpretou ainda a D. Maria Pia, na série O Dia do Regicídio) e até mesmo programas infanto-juvenis (como é o caso de Chiquititas, em 2007).

Faleceu a 12 de Julho de 2018.

Maria Filomena Mónica

Socióloga, Investigadora e Escritoramonica filomena

Nascida a 30 de Janeiro de 1943, Maria Filomena Mónica ingressa na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde conclui a sua licenciatura em Filosofia em 1969. 

Depois da sua passagem pela FLUL, Maria Filomena Mónica desloca-se até Oxford, onde conclui o seu doutoramento em Sociologia (1978).

Além das suas publicações na esfera da sociologia, de que se destaca Visitas ao Poder (com edições em 1993, 1994 e 1999), obra que lhe veio a outorgar o Prémio Máxima de Literatura, o seu interesse pelo passado histórico e literário nacional leva-a a redigir biografias de figuras como Fontes Pereira de Melo (1999), Eça de Queirós (2001) e D. Pedro V (2007).

Anos depois, invocando sua condição de mulher que testemunhou na primeira pessoa a vida num Portugal fechado e conservador, procede à elaboração de uma obra autobiográfica, intitulada Bilhete de Identidade, Autobiografia 1943-1976 (2005), uma das muitas publicações da sua autoria que se somam desde 1978, ano da sua primeira obra, Educação e Sociedade no Portugal de Salazar, sendo parte da sua bibliografia vocacionada para o panorama histórico-social português contemporâneo.

Em anos mais recentes evidencia uma preocupação crescente com questões educativas, presentes em publicações como Vale a Pena Mandar os Filhos à Escola? (2008) ou A Sala de Aula (2014). É de referir, ainda, a sua incursão na literatura ficcional com Os Cantos: A Tragédia de uma Família Açoriana (2010). Publicou em 2016 Os Pobres e em 2018 Os Ricos, livro sobre o qual o FLUL Alumni falou com a alumna.

Para além das suas publicações, durante o ano de 2009 exerce funções como investigadora-coordenadora no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, colaborando ainda na revista Análise Social. Actualmente, apesar de aposentada, mantém a sua actividade literária.

 

Almeida Faria

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Nascido a 6 de Maio de 1943 em Montemor-o-Novo, Benigno José Mira de Almeida Faria foi aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa durante os anos 60, onde concluiu a Licenciatura em Filosofia, após uma passagem pela Faculdade de Direito, da mesma Universidade, interrompida pelo seu envolvimento na contestação estudantil. 

Enquanto aluno liceal, parcialmente feito em Évora, Almeida Faria teve como professor Vergílio Ferreira, que prefaciou o seu primeiro livro, Rumor Branco, publicado em 1962, quando Almeida Faria tinha dezanove anos. A mesma obra obteve o 'Prémio Revelação de Romance', da Sociedade Portuguesa de Escritores, no mesmo ano da sua publicação. Três anos depois é lançada a sua segunda obra, o romance Paixão, a que se seguiu Tetralogia Lusitana, composta por três volumes, Cortes (1978), vencedor do 'Prémio Aquilino Ribeiro da Academia das Ciências de Lisboa', Lusitânia (1980), que arrecadou o 'Prémio D. Diniz' e Cavaleiro Andante (1983), que recebeu o 'Prémio Originais de Ficção'. Um ano antes do lançamento do último volume da trilogia é também publicado um conto da sua autoria, designado de Os passeios do sonhador solitário

Até à data, Almeida Faria passara já por outras vastas experiências no mundo literário, para além da criação da sua identidade autoral. Durante dois anos (1968-1969) viveu nos Estados Unidos como escritor residente, no âmbito do 'International Writing Program', no Iowa, tendo também residido em Berlim, onde fez parte do 'Berliner Künstlerprogram', no qual participaram, entre outros, Gombrowicz, Michel Butor, Peter Handke e Mario Vargas Llosa. Em 1979 seleccionou e traduziu Poemas Políticos de Hans Magnus Enzensberger sendo que, a 24 de Janeiro do mesmo ano, torna-se no primeiro Director do recém-criado PEN Club Português, instituição que lutava desde os anos 30 pelo seu lugar em Portugal, conseguido somente após a queda do regime fascista. Enquanto autor, Almeida Faria prossegue com a sua actividade literária, expandindo-se para outras categorias que não o Romance. 

A 1984 lança o livro Um Cão chamado Bolotas, a que se segue o Ensaio Do Poeta-Pintor ao Pintor-Poeta (1988). Em 1990 publica O Conquistador, seguindo-se duas peças de Teatro, Vozes da Paixão (1998) e Reviravolta (1999). Durante décadas foi também colaborador em diversas publicações periódicas, tanto nacionais como estrangeiras, das quais se destacam a revista O Tempo e o Modo 60/61 (durante os anos 60), Studies in Portuguese Literature (cidade de Nova Orleães, durante os anos 70), a revista Quaderni Portoghesi (no ano de 1977, cidade de Pisa) e a revista Ibidem (1980).

Nos anos 80 colaborou também em publicações como L'Illustrazione Italiana 1 (Milão), a revista alemã Jahresring, elaborando o artigo O Super-Português Estrangeirado, publicado no número especial da revista Prelo em 1984, entre outras colaborações mais que duram até á década seguinte. 

Os anos 2000 arrancam para Almeida Faria com uma nova distinção, sendo galardoado com o 'Prémio Vergílio Ferreira', atribuído pela Universidade de Évora, pouco depois de ter recebido, na sua terra Natal, a 'Medalha de Mérito Cultural' atribuída pelo Ministro da Cultura e entregue na Biblioteca de Montemor-o-Novo. Durante este período lança mais três obras, a peça de Teatro À hora do fecho (2000), o conto Vanitas 51, Avenue d'Iéna (2007) e O murmúrio do mundo: a Índia revisitada, num contexto de literatura de viagens, publicado em 2012, o mesmo ano em que o alumnus é anunciado o vencedor do 'Tributo de Consagração Fundação Inês de Castro'.

Almeida Faria é um reconhecido autor com obra traduzida em diversas línguas estrangeiras.

Biografias Década 60

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Alice Vieira
Escritora e Jornalista

Almeida Faria
Escritor

Ana Zanatti
Actriz e Apresentadora 

António Borges Coelho
Historiador e Investigador

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António de Brum Ferreira
Geógrafo e Professor 

Eduardo Prado Coelho
Poeta, Escritor e Ensaísta

Gastão Cruz
Poeta e Crítico Literário 

Joaquim Cerqueira Gonçalves
Professor

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Jorge Manuel Barbosa Gaspar
Geógrafo e Professor

Jorge Silva Melo
Actor, Realizador e Encenador

Laura Soveral
Actriz

Lauro António
Cineasta

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Lídia Jorge
Escritora e Professora

Luiza Neto Jorge
Poetisa e Tradutora

Manuel dos Santos Lourenço
Filósofo, Escritor e Professor

Manuel Gusmão
Poeta, Ensaísta e Professor

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Margarida Carpinteiro
Actriz e Escritora

Maria Alzira Seixo
Professora e Crítica Literária

Maria Cavaco Silva
Professora

Maria do Céu Guerra
Actriz e Encenadora

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Maria Filomena Mónica
Escritora e Investigadora

Maria João Seixas
Jornalista e Autora

Maria Teresa Horta
Escritora

Maria Velho da Costa
Escritora

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Ricardo Costa
Cineasta e Realizador

Ruy de Moura Belo
Poeta e Ensaísta

Teresa Gouveia
Gestora Cultural e Política

Vasco Pulido Valente
Escritor, Ensaísta e Colunista