Maria Barroso

barroso maria

Actriz, Activista e Professora

Maria de Jesus Simões Barroso Soares nasceu no Olhão, a 2 de Maio de 1925. Sempre interveio activamente na vida cultural, principalmente através da divulgação de poesia. Foi uma actriz, declamadora e activista política. No entanto, foi mais conhecida por ter sido a Primeira-Dama entre 1986 e 1996, sendo a conjugue de Mário Soares, com quem esteve casada desde 1949 e com quem teve dois filhos, Isabel e o político João Soares.

Entrou na Faculdade de Letras de Lisboa em 1951, onde se licenciou em Ciências Histórico-Filosóficas. Tirou também o curso de Arte Dramática do Conservatório Nacional. Enquanto era aluna da Faculdade, representou no Teatro Nacional durante quatro anos, sendo também activa politicamente. Todavia, foi demitida das suas posições políticas, pois era um membro da Oposição Democrática ao regime de Salazar, tal como o seu marido. Foi por isso impedida de exercer a profissão de professora durante os regimes de Salazar e Marcelo Caetano, razões que também a levaram a afastar-se do teatro mas, antes dessas impedições, interpretou vários papéis em peças como Frei Luís de Sousa (1944), Antígona (1946), A Casa de Bernarda Alta (1948) e o Segredo (1964). No cinema, participou em Mudar de Vida (dirigido por Paulo Rocha, 1966), e em diversos filmes de Manoel de Oliveira como Benilde Ou a Virgem Mãe (1975), Amor de Perdição (1979), e Le Soulier de Satin (O Sapato de Cetim, 1985).

Em 1969, no tempo de Marcelo Caetano, candidatou-se a deputada pela Oposição Democrata. Desde então, teve uma actividade política contínua, principalmente depois do 25 de Abril. A partir dessa data, participou em todas as campanhas eleitorais, sendo eleita deputada pelos distritos de Santarém, Porto e Algarve. Dirige, desde há muitos anos, o Colégio Moderno, uma escola privada fundada pelo seu sogro João Soares, com a ajuda da sua filha Isabel.

Durante 1986 e 1996, como Primeira-Dama, procurou apoiar áreas como a cultura, a educação e família, a infância, a solidariedade social, a dimensão feminina, a saúde, a integração de deficientes e a prevenção de violência. Como activista, foi uma defensora dos direitos humanos, auxiliando vítimas da guerra, da fome, do racismo, da xenofobia, das mulheres e crianças maltratadas, dos excluídos socialmente e lembrando também o povo de Timor. Fundou, ou ajudou a criar, instituições como a APEV (Associação para o Estudo e Prevenção da Violência), a Emergência Infantil e a Fundação Pro Dignitate. Exerceu ainda o cargo de presidente da Cruz Vermelha Portuguesa entre 2000 e 2003.

Recebeu múltiplas distinções académicas e honoríficas nacionais e internacionais, dentro das quais se encontra o Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Lisboa, em 1999, e também o Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, em 1997, pelos seus serviços em defesa da liberdade e da dignidade do Homem. Destaca-se, portanto, por ser uma das pessoas mais humanas, dinâmicas e esclarecidas da sociedade civil, lembrando continuamente áreas essenciais para o bem-estar de todos os seus membros.

Faleceu aos 90 anos no dia 7 de Julho de 2015.