David Mourão-Ferreira

mourao ferreiraPoeta, Escritor e Professor

David de Jesus Mourão-Ferreira, nascido a 24 de Fevereiro de 1927, foi aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa dos finais dos anos 40 até 1951, ano da sua conclusão de licenciatura no curso de Filologia Românica, com a tese Três Coordenadas na Poesia de Sá de Miranda. Seis anos depois, inicia actividades de docente na mesma faculdade, ao mesmo tempo que se dedica à elaboração e publicação da sua obra literária. É também nesta altura que se dá o seu encontro com a fadista Amália Rodrigues, que afectaria profundamente a sua relação com o fado. Neste contexto, surgem as primeiras letras de fados para a interpretação de Amália; Primavera (1953), Libertação (1955) e as versões portuguesas Sempre e Sempre Amor (1953), Neblina (1954) e Quando a Noite Vem (1954). Cerca de dez anos antes, em 1945, tinham sido já publicados, na revista Seara Nova, os seus primeiros poemas, sendo que, a 1950, funda a revista de Poesia Távora Redonda, que manteve actividade literária durante os quatro anos seguintes.

Durante a década de 60, David Mourão-Ferreira realiza e apresenta o programa Música e Poesia mas, face à sua oposição quanto ao encerramento da Sociedade Portuguesa de Escritores, é afastado da Emissora Nacional e da Radiotelevisão, onde no mesmo ano apresentara o programa Hospital das Letras. Em 1967, no volume Arte de Amar, David Mourão-Ferreira reúne os seus primeiros cinco livros de poesia e organiza o volume Itinerário Paralelo, com textos inéditos de Sebastião da Gama. Exerce na área do Jornalismo com a rúbrica Poesia para Todos, no Diário de Lisboa, ao que se segue, meses mais tarde, o regresso à Televisão, com o programa Imagens da Poesia Europeia.

Teve uma passagem pela vida política, assumindo o cargo de Secretário de Estado da Cultura no VI Governo Provisório (1976) e com Mário Soares, no que será o I e IV Governo Constitucional. Também no âmbito do pós-25 de Abril, foi o Director do jornal A Capital e o Director-Adjunto do jornal O Dia, mantendo-se ainda como Secretário-Geral da Sociedade Portuguesa de Autores, desde 1963 a 1973. É nesta altura que torna a desempenhar funções de docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, leccionando as cadeiras de Teoria da Literatura e de Literatura Francesa, e que se torna sócio efectivo da Academia de Ciências de Lisboa (1974).

Em 1981, David Mourão-Ferreira é convidado para Director do Serviço de Bibliotecas Itinerantes e Fixas da Fundação Calouste Gulbenkian, onde também dirigiu a Revista Colóquio/Letras. Dois anos depois, foi eleito presidente da Association Internationale des Critiques Littéraires (1984-1992) e Presidente da Associação Portuguesa de Escritores, cargo que ocupou até 1986. Em 1990 foi distinguido como Professor Catedrático e no ano seguinte assumiu a presidência do Pen Club Português. Devido à sua extensa lista bibliográfica, vocacionada sobretudo para a Poesia, mas também para o género narrativo, David Mourão-Ferreira foi distinguido, galardoado em várias ocasiões, chegando a ser condecorado, no ano do seu falecimento, pela Câmara Municipal de Cascais com o título de Cidadão Honorário.

Faleceu a 16 de Julho de 1996.