Fialho Gouveia

Apresentador de Televisão e Locutor de Rádio

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José Manuel Bastos Fialho Gouveia nasceu no Montijo a 30 de Abril de 1935. Fez o liceu no D. João de Castro, em Lisboa, e entrou para a Faculdade de Letras onde estudou Filologia Românica. Deixou o curso após ser admitido no concurso para locutores promovido pela Rádio Universidade, tendo sido este o primeiro passo para uma carreira de comunicador.

Esteve dois anos na Rádio Universidade e, por sugestão do seu Director, Caetano de Carvalho, concorreu a uma vaga para novos locutores para a Radiotelevisão Portuguesa. Fialho Gouveia acabou por integrar o grupo dos pioneiros da televisão em Portugal, quando a RTP começou a emitir em Março de 1957.

Em 1959, juntamente com Paulo Cardoso, inaugurou as emissões de rádio à tarde na Rádio Renascença com o programa Diário do Ar. Posteriormente, esteve no Rádio Clube Português com Artur Agostinho, Maria Helena Varela, Jorge Alves, Gina Esteves e Isabel Volmar com o programa A Onda do Optimismo

Em 1968, participou no programa da Rádio Renascença, PBX, uma produção dos Parodiantes de Lisboa, tendo trabalhado com Carlos Cruz, João Paulo Guerra, José Nuno Martins, Paulo Morais e Adelino Gomes.

Contudo, seria a televisão a propiciar-lhe um maior reconhecimento público, estando o seu percurso profissional ligado à própria história do canal público televisivo. Para além da apresentação de serviços noticiosos, o programa de entretenimento Zip-Zip constituiu um marco de sucesso na sua carreira. Tratava-se do primeiro talk-show produzido pela televisão portuguesa e contava com a participação de Carlos Cruz e Raul Solnado. O programa foi para o ar a partir de Maio de 1969 e era transmitido aos Domingos à noite, granjeando uma volumosa audiência.

Em 1970, devido ao êxito do Zip-Zip na televisão, Fialho Gouveia e a equipa do PBX, a que se juntou Joaquim Furtado, integraram o programa Tempo Zip, primeiro no Rádio Clube Português e mais tarde na Renascença.

Fialho Gouveia foi ainda, juntamente com Fernando Balsinha, um dos rostos da informação televisiva no dia 25 de Abril de 1974, mantendo o país informado da evolução dos acontecimentos e tranquilizando os telespectadores face às incertezas do momento.

Enquanto interventor no momento político que se vivia, após a revolução integrou, juntamente com Maria Elisa, uma comissão de locutores que propôs a separação entre a informação e as outras áreas daquele meio de comunicação. Passou assim a ser jornalista e a ter intervenção directa nos textos que lia no Telejornal. Contudo, três meses depois de ter conseguido obter o estatuto de jornalista, abdicou do cargo.

Fialho Gouveia foi co-apresentador, apresentador ou produtor de programas como O Gesto é Tudo, A Prata da Casa (1980), E o resto são cantigas (1981), Vamos Caçar Mentiras (1983), Par ou Ímpar e Arca de Noé. Na década de 1990 seguiram-se Com Pés e Cabeça, Entre Famílias e A Filha da Cornélia, tendo trabalhado, por diversas vezes com Raul Solnado e Carlos Cruz. Fialho Gouveia apresentou também, e durante vários anos, os Festivais da Canção e ainda Os Jogos Sem Fronteiras.

Em 1996, ao fim de quase quarenta anos na RTP, decidiu abandonar a estação de televisão e passou a trabalhar na produção de programas, na empresa Carlos Cruz Audiovisuais.

De alma benfiquista, foi secretário da assembleia-geral do Sport Lisboa e Benfica e a voz-off na cerimónia de inauguração do novo Estádio da Luz.

Faleceu a 2 de Outubro de 2004, em Coimbra.