Década 50

Biografias Década 50

antonio henrique rodrigo de oliveira marques david mourao ferreira1 gouveia fialho fiama hasse pais brandao

António de Oliveira Marques
Professor e Historiador

David Mourão Ferreira
Poeta, Escritor e Professor

Fialho Gouveia
Apresentador de TV 

Fiama Hasse Pais Brandão
Escritora, Poetisa e Tradutora

costa benard luis lindley cintra 1 alberta meneres barroso maria

João Bénard da Costa
Gestor Cultural e
 Professor

Luís Lindley Cintra
Filólogo e Linguista

Maria Alberta Menéres
Escritora e Professora

Maria Barroso
Actriz, Professora e Activista

pinto andrade soares mario raul miguel rosado fernandes  

Mário Pinto Andrade
Activista, Político e Ensaísta

Mário Soares
Político

Raul Miguel Rosado Fernandes
Professor e Político

Maria Alberta Menéres

Escritora, Professora e Jornalistaalberta meneres

 

Maria Alberta Rovisco Garcia Menéres nasceu a 25 de Agosto de 1930, em Vila Nova de Gaia. Durante os anos 50, foi aluna de Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, concluindo a Licenciatura na mesma década. De 1965 a 1973, Maria Alberta Menéres exerceu como professora do Ensino Técnico, Preparatório e Secundário, nas disciplinas de Língua Portuguesa e História seguindo-se, a partir desse ano, a direcção de encontros educativos entre professores e alunos, levados a cabo em Câmaras Municipais e instituições de Ensino Preparatório, Secundário e Superior, com temas como “O Ensino e a Poesia”, “Criatividade no Ensino” e “Leituras e Escritas”.


Por esta altura, Maria Alberta Menéres é também uma assídua presença no mundo da Literatura. Estreada em 1952 enquanto escritora, com a obra poética Intervalo, durante a década de 70, a sua obra somava dezenas de livros que abrangiam tanto a Poesia, sendo a vencedora, a 1960, do Prémio do Concurso Internacional de Poesia Giacomo Leopardi, pelo livro de Água Memória, como a Prosa, como a Literatura Infanto-Juvenil, da qual se destaca a obra Ulisses (1970). Também neste período, foi a dirigente da secção “Iniciação Literária”, do Diário Popular (1972 a 1974) e integrou a Direcção da Associação Portuguesa de Escritores (1973 a 1975). Pertenceu ainda à Comissão de Classificação de Espectáculos Cinematográficos (Ministério da Comunicação Social, de 1974 a 1976), sendo depois membro da Comissão de Recurso (1976 a 1987). Manteve também actividade dentro do público infanto-juvenil fora da Literatura, sendo a dirigente do Departamento de Programas Infantis e Juvenis da Rádio e Televisão de Portugal (1974 a 1986) organizando, paralelamente, a Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa, em conjunto com o escritor Ernesto Manuel Geraldes de Melo e Castro, na altura seu marido. Tais actividades impulsionaram a alumna para o mundo dos concursos literários, fazendo parte de diferentes painéis de jurados, tendo sido jurada no Prémio de Poesia Casais Monteiro (1974), no Prémio de Literatura Infantil da Comissão Nacional do Ambiente (nos anos 1979, 1980 e 1981), no Prémios de Literatura Infantil da Fundação Calouste Gulbenkian (1981) e no Encontro Internacional de Cinema para a Infância e Juventude (Espanha, 1978).


Durante a década de 80, a sua obra, enriquecida com mais dezenas de exemplares, é distinguida com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens, pela “manutenção de um alto nível de qualidade" em 1986. Para além de continuar a actividade literária, agora um pouco mais desligada da Poesia e próxima da Prosa e da Literatura Infantil, Maria Alberta Menéres foi a Directora da revista PAIS (1990 a 1993) e Directora da revista Super Bebés (desde 1998).


Exerceu também funções como Assessora do Provedor de Justiça, de 1993 a 1998, como criadora e responsável pela linha telefónica grátis “Recados da Criança”. No ano de 1997, a convite da Fundação Calouste Gulbenkian, leccionou um curso de Expressão Poética no Centro de Arte Infantil. Cinco anos depois, também a convite da Fundação Calouste Gulbenkian, foi responsável pelo Círculo de Conferências Re/visão da Matéria, que teve lugar em dez Câmaras Municipais, sendo que cada conferência teve a presença de 200/300 docentes.


A 8 de Junho de 2010, Maria Alberta Menéres foi agraciada com o grau de Comendadora da Ordem do Mérito, o mesmo ano em que lançou a obra infanto-juvenil, Camões, o Super Herói da Língua Portuguesa.

 

Raúl Miguel Rosado Fernandes

Professor e Políticoraul fernandes

Nascido a 11 de Julho de 1934, Raúl Miguel Rosado Fernandes licenciou-se em Filologia Clássica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, apresentando, para conclusão de licenciatura, a tese Anfitrião: Evolução e concepções de um mito na expressão literária, referente a uma comédia de Plauto, que foi publicada em 1956. Pouco depois, em 1962, conclui o doutoramento na mesma Faculdade, com uma dissertação intitulada O Tema das Graças na Poesia Clássica. Logo após a conclusão do doutoramento, inicia as funções de docente, primeiramente como Primeiro Assistente de Filologia Clássica desde o seu Doutoramento, seguindo-se três anos passados nos Estados Unidos na condição de Visiting Professor, na City University of New York, voltando a Portugal poucos anos antes do 25 de Abril, época a seguir à qual teve papel preponderante nos destinos da agricultura portuguesa. O seu regresso à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa dá-se quase de imediato, ocupando, por concurso público, o lugar de Professor Extraordinário e, por último, o lugar de professor catedrático, desde 1974 até 2004, o ano da sua jubilação.

Dentro do panorama académico, para além das funções de docente, Rosado Fernandes foi também colaborador em inúmeras publicações, com destaque para a Revista da Faculdade de Letras de Lisboa, para a Euphrosyne – Revista de Filologia Clássica, para o Boletim de Filologia XXI, e para outras publicações periódicas pertencentes à Universidade de Lisboa, à Academia das Ciências de Lisboa (onde foi Académico Correspondente, desde 1997), à Universidade de Coimbra, entre outros. Foi ainda o Reitor da Universidade de Lisboa entre 1979 e 1982.

Professor Catedrático Jubilado do Departamento de Filologia Clássica da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, bem como Investigador do Centro de Estudos Clássicos daquela Faculdade, na área das Fontes Clássicas da Cultura Portuguesa, Conselheiro da Ordem do Infante D. Henrique e Académico Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa desde 1997.

Para além da vida académica, Rosado Fernandes manteve ainda carreira política, sendo Deputado à Assembleia da República Portuguesa pelo CDS-PP e, entre 1995 e 1999 e Deputado pelo CDS-PP ao Parlamento Europeu. Durante a sua actividade política, dedicou-se a várias questões de natureza agrícola, chegando a ser Presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, e tendo sido agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Civil do Mérito Agrícola, Industrial e Comercial Classe Agrícola, a 4 de Maio de 2001. Para além desta distinção, Raul Miguel Rosado Fernandes foi ainda agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique a 9 de Junho de 1997, sendo Conselheiro dessa mesma Ordem.

Autor de obra sobre filologia, retórica, literatura grega, latina e portuguesa, com dezenas de publicações, escreveu também sobre política e dedicou grande parte da sua actividade igualmente à defesa da agricultura portuguesa, tendo sido presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal.

Fialho Gouveia

Apresentador de Televisão e Locutor de Rádio

gouveia fialho

José Manuel Bastos Fialho Gouveia nasceu no Montijo a 30 de Abril de 1935. Fez o liceu no D. João de Castro, em Lisboa, e entrou para a Faculdade de Letras onde estudou Filologia Românica. Deixou o curso após ser admitido no concurso para locutores promovido pela Rádio Universidade, tendo sido este o primeiro passo para uma carreira de comunicador.

Esteve dois anos na Rádio Universidade e, por sugestão do seu Director, Caetano de Carvalho, concorreu a uma vaga para novos locutores para a Radiotelevisão Portuguesa. Fialho Gouveia acabou por integrar o grupo dos pioneiros da televisão em Portugal, quando a RTP começou a emitir em Março de 1957.

Em 1959, juntamente com Paulo Cardoso, inaugurou as emissões de rádio à tarde na Rádio Renascença com o programa Diário do Ar. Posteriormente, esteve no Rádio Clube Português com Artur Agostinho, Maria Helena Varela, Jorge Alves, Gina Esteves e Isabel Volmar com o programa A Onda do Optimismo

Em 1968, participou no programa da Rádio Renascença, PBX, uma produção dos Parodiantes de Lisboa, tendo trabalhado com Carlos Cruz, João Paulo Guerra, José Nuno Martins, Paulo Morais e Adelino Gomes.

Contudo, seria a televisão a propiciar-lhe um maior reconhecimento público, estando o seu percurso profissional ligado à própria história do canal público televisivo. Para além da apresentação de serviços noticiosos, o programa de entretenimento Zip-Zip constituiu um marco de sucesso na sua carreira. Tratava-se do primeiro talk-show produzido pela televisão portuguesa e contava com a participação de Carlos Cruz e Raul Solnado. O programa foi para o ar a partir de Maio de 1969 e era transmitido aos Domingos à noite, granjeando uma volumosa audiência.

Em 1970, devido ao êxito do Zip-Zip na televisão, Fialho Gouveia e a equipa do PBX, a que se juntou Joaquim Furtado, integraram o programa Tempo Zip, primeiro no Rádio Clube Português e mais tarde na Renascença.

Fialho Gouveia foi ainda, juntamente com Fernando Balsinha, um dos rostos da informação televisiva no dia 25 de Abril de 1974, mantendo o país informado da evolução dos acontecimentos e tranquilizando os telespectadores face às incertezas do momento.

Enquanto interventor no momento político que se vivia, após a revolução integrou, juntamente com Maria Elisa, uma comissão de locutores que propôs a separação entre a informação e as outras áreas daquele meio de comunicação. Passou assim a ser jornalista e a ter intervenção directa nos textos que lia no Telejornal. Contudo, três meses depois de ter conseguido obter o estatuto de jornalista, abdicou do cargo.

Fialho Gouveia foi co-apresentador, apresentador ou produtor de programas como O Gesto é Tudo, A Prata da Casa (1980), E o resto são cantigas (1981), Vamos Caçar Mentiras (1983), Par ou Ímpar e Arca de Noé. Na década de 1990 seguiram-se Com Pés e Cabeça, Entre Famílias e A Filha da Cornélia, tendo trabalhado, por diversas vezes com Raul Solnado e Carlos Cruz. Fialho Gouveia apresentou também, e durante vários anos, os Festivais da Canção e ainda Os Jogos Sem Fronteiras.

Em 1996, ao fim de quase quarenta anos na RTP, decidiu abandonar a estação de televisão e passou a trabalhar na produção de programas, na empresa Carlos Cruz Audiovisuais.

De alma benfiquista, foi secretário da assembleia-geral do Sport Lisboa e Benfica e a voz-off na cerimónia de inauguração do novo Estádio da Luz.

Faleceu a 2 de Outubro de 2004, em Coimbra.

Fiama Hasse Pais Brandão

fiama4Escritora, Poetisa, Dramaturga e Tradutora

Fiama Hasse Pais Brandão nasceu a 15 de Agosto de 1938, em Lisboa, e ingressou na Faculdade de Letras nos finais da década de 50, onde frequentou os três primeiros anos do curso de Filologia Germânica, que nunca chegou a terminar.

Foi aí que conheceu o futuro marido, o poeta e ensaísta Gastão Cruz, para além de outros autores e membros, do movimento Poesia 61, cuja revista com o mesmo nome foi a plataforma de lançamento das suas publicações. A primeira delas, Morfismos, deu-lhe de imediato alguma notoriedade. Na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Fiama Hasse Pais Brandão foi também uma das fundadoras do Grupo de Teatro de Letras, juntamente com Luiza Neto Jorge, Gastão Cruz, José da Silva Louro, entre outros, tendo sido a vencedora do Prémio Revelação de Teatro, pela obra Os Chapéus-de-chuva em 1961.

A sua relação com o teatro adensar-se-ia com a realização de um estágio no Teatro Experimental do Porto (1964), tendo fundado, com Gastão Cruz e outros, o grupo Teatro Hoje (1974), para além de frequentar um seminário de teatro de Adolfo Gutkin, na Fundação Calouste Gulbenkian, em 1970.

Também na poesia Fiama Hasse Pais Brandão ganhou um lugar de destaque, mesmo antes de publicar o texto Morfismos na revista Poesia 61. Ainda em 1957, estreia-se com a obra Em Cada Pedra Um Voo Imóvel, vencedora do Prémio Literário de Poesia Adolfo Casais Monteiro.

Tendo granjeado o reconhecimento público, tal como Gastão Cruz, no movimento Poesia 61, que revolucionou a linguagem poética portuguesa dos anos 60, Fiama veio a afirmar-se como uma das principais vozes poéticas da sua geração. A sua obra caracteriza-se por uma grande densidade da palavra, o uso de uma poesia discursiva, por vezes fragmentária, de grande rigor e depuramento formal, desde Barcas Novas (1967), seu segundo livro, sempre entrelaçando no discurso a metáfora e a imagem. Com a publicação de Obra Breve (1991), Fiama Hasse Pais Brandão procede a uma reorganização de toda a sua obra poética até àquela data, incluindo inéditos, de acordo com uma ideia de poesia como processo vivo.

Em resultado da sua produção literária, em 1986, é a vencedora do Prémio PEN Clube Português de Poesia, e também do Grande Prémio Inapa de Poesia, procedendo, no mesmo ano, a uma compilação antológica do seu trabalho, sob a designação de F de Fiama. Nesta altura da sua vida, a autora dedicou-se, sobretudo, à criação poética sem descurar, porém, a faceta teatral que tanto estimara. Diz-nos Manuel João Gomes (Letras & Letras, 21/19/92) que “São textos assumidamente literários mas irreprimivelmente teatrais. Buscam o específico teatral sem desmentir a Poesia. Buscam o poético enquanto se esforçam por falar do real.”, existindo como que uma relação constante entre Teatro e Poesia em todo o trabalho de Fiama. É neste contexto que, em 1992, Fiama Hasse Pais Brandão se torna finalista do Prémio Europeu de Literatura/Aristeion.

Pela obra Epístolas e Memorandos recebe o Prémio D. Dinis em 1996, da Fundação Casa de Mateus, e também o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores. Quase dez anos depois, mais concretamente em 2005, tornou a ser duplamente distinguida, desta vez com o Prémio PEN Clube Português de Ficção e com o Prémio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários. Durante cerca de 20 anos, a par da sua carreira literária, exerceu funções de bibliotecária/arquivista no Centro de Estudos Linguísticos da Universidade de Lisboa.

Trabalhou muito na pesquisa histórica e literária sobre o Séc. XVI em Portugal, bem como em traduções do alemão, do inglês e do francês. Como dramaturga, é autora de várias peças, algumas das quais já representadas em Lisboa, Rio de Janeiro e Nancy.

Fiama Hasse Pais Brandão faleceu a 19 de Janeiro de 2007.

Luís Lindley Cintra

luis lindley cintraFilólogo e Linguista

Nascido a 5 de Março de 1925, Luís Filipe Lindley Cintra licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1946, apresentando uma tese de licenciatura dedicada à versificação de António Nobre. Segue-se o doutoramento, na mesma Faculdade, concluído em 1952 com uma tese dedicada ao documento que se julgava ser a versão portuguesa da Crónica Geral de Espanha que, como demonstrou, se tratava de uma crónica originalmente portuguesa, atribuída ao Conde D. Pedro de Barcelos. Elaborou ainda uma terceira tese, intitulada A Linguagem nos Foros de Castelo Rodrigo (1959), dedicada a um grupo de textos de direito local no séc. XIII.

Foi também na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa que iniciou e estabeleceu a sua carreira de docente, iniciando as suas actividades como professor assistente de 1950 a 1960, passando a professor extraordinário nos dois anos seguintes e tornando-se professor catedrático em 1962, cargo que desempenhou até ao seu falecimento. Na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi o criador do Departamento de Linguística Geral e Românica e o responsável pela reforma do Centro de Estudos Filológicos, a partir de 1975 designado Centro de Linguística da Universidade de Lisboa. Levou ainda a cabo várias investigações, distinguindo-se principalmente nas áreas da Literatura Medieval, da Linguística Românica, da Dialectologia e da Geografia actual da língua portuguesa.

O seu método de trabalho assentava mais numa análise prática dos dados do que propriamente numa análise teórica, que manejava com absoluto domínio da técnica, seguindo o seu grande modelo, Ramón Menéndez Pidal, com quem trabalhara para o doutoramento e que o integrou nas equipas de linguistas que recolheram os materiais para o Atlas Linguístico da Península Ibérica. Foi assim que a sua obra, construída a partir da natureza e das necessidades dos problemas e passando ao largo das metodologias de moda, desprezando-as mesmo um pouco, adquiriu uma solidez e uma perenidade granítica que se casam bem com documentos medievais e com dialectos de montanha.

De entre a sua bibliografia, vocacionada sobretudo para o estudo da Língua, destacam-se obras como Origens da língua portuguesa, dedicada ao tema da Reconquista, aos dialectos galegos e portugueses e à produção documental da época, e Espaço da língua portuguesa, obra em que define a Língua Portuguesa em parâmetros unificadores e lhe atribui historicamente toda a faixa ocidental da Península Ibérica (incluindo, portanto, o galego), as ilhas atlânticas, o Brasil e os países africanos e asiáticos onde se fala o português e os crioulos de base portuguesa.

No que toca a cargos desempenhados, para além de docente e investigador na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Luís Lindley Cintra foi também Visiting Professor na Catholic University of America, em Washington (1960). Foi ainda director das revistas Boletim de Filologia e Revista Lusitana (nova série). Pertenceu a diversas sociedades científicas, nomeadamente à Academia Espanhola de História, à Academia de Buenas Letras de Barcelona, à Academia Portuguesa de História e à Academia das Ciências de Lisboa, organizando e participando ainda em eventos de grande distinção, entre os quais o III Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros (1957), o IX Congresso Internacional de Filologia e Linguística Românicas (1959). Foi também Vice-Presidente do IV Congresso Internacional de Estudos Arábicos e Islâmicos, realizado em Coimbra e Lisboa (1968), e o Congresso sobre a Situação Actual da Língua Portuguesa no Mundo, em 1983, ano em que foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem da Liberdade . Em 1988 tornou a ser agraciado com o grau de Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública.

Cintra não foi um homem paradoxal, nem muito apreciador de ironias ou surpresas conceptuais. É por isso que têm sabor, e fazem falta ao seu retrato, algumas das suas afectividades mais arraigadas: não gostava de Camões e, se pudesse ser língua, preferia ser o castelhano.

Luís Lindley Cintra faleceu no dia 18 de Agosto de 1991, deixando como legado um vasto conjunto de estudos sobre a Língua Portuguesa.